As pessoas perderam a memória coletiva

Gostaria de compartilhar um posicionamento a respeito da reeleição da Dilma. Em uma página abarrotada de ‘anti-pt’, esse texto acabou surtindo um efeito maior do que imaginei. Com o segundo turno à porta, recebi a sugestão de enviá-lo a alguma página com a qual eu me identifico. Sendo Geledés um veículo de representação do meu posicionamento, compartilho com vocês.

por Thalita Rody via Guest Post para o Portal Geledés

Todas as (poucas) vezes que decido me manifestar a respeito do meu apoio à reeleição da Dilma sou bombardeada por comentários indigestos. Eles seriam um pouco menos desagradáveis se viessem amparados por fontes seguras (e não ‘memes’ bestiais com inverdades e fontes duvidosas).

Semana passada publicamos uma carta de apoio à Dilma assinada por mais de 700 feministas. Nela elencamos 13 motivos que justificam nosso apoio. E nos restringimos às mudanças que atingiram especialmente as mulheres. Poderiam ser mais de 13, certamente.

Explico o porquê de votar na Dilma. E poderia ser simplesmente porque não voto no Aécio, que constrói aeroporto na terra do tio e que, por uma “trapalhada administrativa”, permitiu que 78 mil pessoas fossem demitidas em MG. Também não voto em Marina, que ora está lá e ora está cá, com seu plano de gestão feito a lápis. Uma mulher que se ampara no discurso da sustentabilidade e se alia ao agronegócio, maior inimigo de uma “sustentabilidade sustentável”, não merece meu voto.

Entretanto, não fico rebatendo as postagens dos amigos de facebook que se decidiram por um ou pela outra. Não fico cavando espaço de discussão, sobretudo quando, ao invés de apontar os feitos de seu candidato, passa o dia falando mal da Dilma ou do Lula ou PT ou dos petralhas. Que coisa chata! Gosto de ser respeitada nas minhas escolhas. Acho uma pena ver tanta gente querida optando por Aécio ou por Marina, mas não me sinto no direito de rebater tudo todo o tempo. Por isso, gostaria de ser minimamente respeitada na minha escolha. E não tirei meu voto do suvaco.

Agora vamos lá:

Voto na Dilma porque estudo em uma Universidade pública e vejo muitas pessoas beneficiadas através das cotas. Elas não ficam nada aquém dxs brancxs e ricxs, mas não estariam ali não fosse o sistema de cotas.

Voto na Dilma porque o Ciências Sem Fronteiras tá aí, esfregando na nossa cara o quanto somos rasos julgando Bolsa Família (e todas as outras bolsas) ao mesmo tempo em que nos apossamos de um programa que nos permite viver e estudar em outro país, enquanto as bolsas duramente criticadas permitem que as pessoas garantam suas necessidades básicas (pfv, sem mimimi de dar o peixe ou ensinar a pescar).

Voto na Dilma porque pude trabalhar por três anos numa ONG que me inseriu no contexto rural, e nesse meio tempo pude ver a alegria das pessoas que puderam, finalmente, ter sua casa própria através do Minha Casa Minha Vida.

Voto na Dilma porque o que compõe nosso cenário hoje é o recorde de geração de emprego. Em oito anos de Lula, são mais de 155mil servidores contratados através de concursos, três vezes mais do que no período FHC. Com Dilma, mais de 66 mil em três anos.

Também voto na Dilma porque, como já é sabido, a ONU divulgou nesse mês que tiramos, no governo Dilma, 36 milhões de pessoas da miséria e nos tornamos referência no combate à pobreza e desnutrição.

Dilma já me decepcionou mais de uma vez, ainda estamos longe de ser um país ideal. Temos passos largos a serem dados. Mas, honestamente, acho que o que incomoda é ver que as pessoas hoje podem. Podem comer, podem morar, podem transformar aeroporto em rodoviária e podem ter seus direitos assegurados (cutuco aqui as patroas revoltadas com os direitos de suas empregadas domésticas, por exemplo).

As pessoas perderam a memória coletiva e se incomodam porque deixaram de ganhar (tanto) para que outras fossem visibilizadas e ganhassem (um pouco). Pra alguém ganhar, alguém tem que perder. E, na boa, não me incomodo em passar a vez.

13 bjs

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