quarta-feira, dezembro 7, 2022
InícioQuestão RacialCasos de RacismoPolícia Civil investiga denúncia de injúria racial em Salvador após casal acusar...

Polícia Civil investiga denúncia de injúria racial em Salvador após casal acusar homem por ameaças e ofensas racistas

Além da denúncia de racismo o casal prestou queixa de ameaça e invasão.

Fonte: Do G1

A Polícia Civil investiga uma denúncia de injúria racial em Salvador após um casal de empresários acusar o dono de um ponto comercial por ameaças e ofensas racistas em um aplicativo de mensagens.

Max e Josy Lima trabalham com revenda de carros e depois da pandemia da Covid-19, decidiram abrir uma loja física. O casal pesquisou pontos comerciais e escolheu o imóvel na Avenida ACM, na Rua da Polêmica.

Josy Lima conta que os problemas começaram na hora de fechar o contrato. “Quando eu peguei o contrato para ler, vi que tinha clausulas que a gente não tinha acordado. Eu questionei, ele não gostou. A gente tinha combinado uma coisa, eu já vi que ele não tinha palavra”, disse.

Mesmo sem definir como ficariam as divergências do contrato, Max e Josy disseram que fizeram o pagamento de R$ 15 mil relativos a três meses de aluguel. No entanto, o desentendimento entre eles e o proprietário, aumentou.

Segundo o casal, entre as mensagens de celular começaram as ofensas.

“Sua ‘nigrinha’, preta, nojenta, graxeira. Você me respeite. Só estou discutindo com você porque você está no que é meu. Você é pobre. Pobre coitado, um João ninguém e ela é um secretária, graxeira, secretaria doméstica”, diz o proprietário.

Josy Lima e Max foram à delegacia e prestaram queixa de racismo contra o dono do imóvel.

“Primeiro teve ameaça de morte. Demos uma queixa. Quando eu estava saindo da delegacia, pedindo que ele fosse na loja conversar com a gente foi quando ele começou a me chamar de ‘nigrinha’, preta e tudo que todo mundo já ouviu. De lá para cá, a gente não teve mais paz”, contou a mulher.

“Ele fala o tempo todo, cadê que eu fui preso? Nada vai dar”, conta Max.

Além da denúncia de racismo o casal prestou queixa de ameaça e invasão. De acordo com a lei do inquilinato, o dono do imóvel depois de alugar só pode entrar com autorização e não foi isso que teria acontecido.

As câmeras de segurança instaladas pelo casal mostram que o dono do imóvel mostram no estabelecimento à noite, em um momento de confraternização, com outros convidados. E depois disso ele ainda foi flagrado ao entrar outra vez no imóvel.

A TV Bahia tentou entrar em contato com o dono do imóvel, mas não conseguiu até a última atualização dessa reportagem.

Além da queixa na delegacia, o casal também acionou o Ministério Público da Bahia (MP-BA), que disse que um promotor vai avaliar o caso para tomar as medidas cabíveis.

Max e Josy fecharam a loja porque dizem que não se sentem seguros para continuar a trabalhar no local. Segundo eles, o desejo é por justiça.

“Eu quero voltar a acreditar que ainda existe justiça. Quero andar sem medo de ser assassinado”, diz Max.

“Ele precisa que alguém para ele. Ele é uma pessoa extremamente racista. Fazendo mal a pessoas. Eu não sou a primeira nem a última que ele vai fazer isso”, fala Josy.

A Polícia Civil informou que testemunhas vão prestar depoimentos e o suspeito de cometer os crimes foi intimado e será ouvido na 6ª Delegacia Territorial (DT) de Brotas.

Artigos Relacionados
-+=
PortugueseEnglishSpanishGermanFrench