Porque vemos homens como pessoas e mulheres como partes de corpo – Por: Guilherme de Souza

Já sabemos que mulheres seminuas são consideradas objetos pelos homens e fato de que percebemos as pessoas de modo diferente dependendo de seu gênero não é segredo. Contudo, a diferença pode ser ainda maior do que imaginávamos: segundo estudo recente, nosso cérebro (incluindo o das mulheres) tende a perceber homens como “inteiros” e mulheres como “uma soma de partes do corpo”.

Essas duas formas de percepção são chamadas de “processamento global” e “processamento local”, respectivamente. “Processamento local é a base da forma como pensamos em objetos, tais como casas ou carros”, explica a professora de psicologia Sarah Gervais, coordenadora da equipe responsável pela pesquisa. “Já o processamento global evita que façamos isso com seres humanos. Não ‘dividimos’ pessoas em partes – exceto quando se trata de mulheres, o que é impressionante. Elas são percebidas da mesma maneira que objetos”.

No estudo, os participantes viam fotos de corpo inteiro de homens e mulheres de aparência e trajes comuns. Depois, eram mostradas duas imagens: a foto original e uma versão com pequenas modificações. Em seguida, os participantes tinham que dizer qual era a imagem original.

No caso das imagens de mulheres, as diferenças eram percebidas mais facilmente quando as regiões eram mostradas isoladamente. Quando se tratava de homens, os participantes tiveram mais facilidade em diferenciar as imagens mostradas por inteiro.

Fato curioso: esse fenômeno ocorreu independentemente do gênero dos participantes. Em outras palavras, a percepção das mulheres como uma “soma de partes” não era exclusividade masculina. Os pesquisadores não souberam explicar exatamente o que havia por trás do fenômeno. “Os homens talvez façam isso porque estão interessadas em companheiras em potencial, enquanto as mulheres podem fazê-lo para se comparar com as outras”, sugere Gervais.

A equipe pretende investigar mais o fenômeno para encontrar uma possível forma de atenuá-lo – e, quem sabe, combater a “objetificação” das mulheres.[Science Daily]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

 

 

 

Fonte: HypeScience

+ sobre o tema

Ações afirmativas para mulheres negras no Brasil

Existe um processo de humanização no qual podemos definir...

Luiza Bairros relembra o bairro predominantemente de brancos em que viveu em Porto Alegre

Lázaro Ramos entrevista Luiza Bairros, ministra-chefe da...

A quem serve transformar a falsa acusação de estupro em crime hediondo?

Sugestão chegou ao Senado via portal e-Cidadania. No Brasil...

para lembrar

Mulheres estão perdendo medo e vergonha de denunciar violência, diz secretária

Para Eleonora Menicucci, transformação do Ligue 180 em disque-denúncia...

Rosana Paulino: a mulher negra na arte

Longe de negar sua realidade e condicionar sua produção...

Misoginia na música: não é só uma violência de leve

Antes de expor ou iniciar qualquer análise sobre os...
spot_imgspot_img

CNJ pede explicações a juízas sobre decisões que negaram aborto legal

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu nesta sexta-feira (12) intimar duas magistradas do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) a prestarem esclarecimentos sobre...

Instituto Mãe Hilda anuncia o lançamento do livro sobre a vida de matriarca do Ilê Aiyê

O livro sobre a vida da Ialorixá Hilda Jitolu, matriarca do primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê, e fundadora do terreiro Acé...

Centenário de Tia Tita é marcado pela ancestralidade e louvado no quilombo

Tenho certeza que muitos aqui não conhecem dona Maria Gregória Ventura, também conhecida por Tia Tita. Não culpo ninguém por isso. Tia Tita é...
-+=