Quatro anos depois do assassinato de Marielle, MPRJ ainda não analisou parte de material da investigação

Arquivos apreendidos na casa de Ronnie Lessa, preso como executor do crime, chegaram ao Ministério Público apenas na última terça-feira (8). Crime completa 4 anos na segunda (14).

O Ministério Público do Rio de Janeiro ainda não analisou parte do material da investigação dos assassinatos da ex-vereadora do Rio Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Isso porque parte dos arquivos foi entregue aos promotores apenas na última terça-feira (8).

De acordo com informações divulgadas nesta sexta-feira (11) no RJ2, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) levou mais de três anos para encaminhar ao Ministério Público cerca de 1,3 mil arquivos de fotos e vídeos do caso, que completa 4 anos no próximo dia 14 de março.

São imagens de câmeras de segurança – da Prefeitura, de prédios e hotéis – da época do crime, que chegaram ao MP apenas no fim de dezembro passado. O material foi incorporado a outros 1,5 mil arquivos que já estavam com o Ministério Público desde 2018.

Além disso, a apreensão feita na casa de Ronnie Lessa, preso em 2019 acusado de ser o executor do crime, foi repassada aos promotores apenas na última terça-feira (8). São documentos, notebooks e cartões de memória.

O Ministério Público, no entanto, não sabe se esse material irá ajudar na elucidação do caso.

Antiga informação volta a ser investigada

O Ministério Público voltou a investigar uma antiga informação, descartada no início do caso. A possibilidade de um segundo carro ter dado apoio ao veículo modelo Cobalt usado no crime.

Existe a suspeita que os réus – Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz – tenham trocado de carro para dar sequência a fuga.

“A gente está chegando a quatro anos. Se fosse fácil, já teria sido solucionado, a verdade é essa. O profissionalismo dos executores eleva o grau de dificuldade na elucidação do crime. Se os executores fossem amadores, a gente certamente já teria chegado no mandante. (…) A gente continua otimista e eu acredito sinceramente que a gente vai conseguir elucidar”, afirmou o promotor responsável pelo caso e coordenador do Gaeco, Bruno Gangoni.

“Nós estamos trabalhando de forma ininterrupta até o total esclarecimento da verdade. O trabalho está sendo realizado por pessoas capacitadas e será assim até a completa elucidação do caso”, disse o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Henrique Damasceno.

Troca de investigadores

Marielle e Anderson (Foto: GloboNews)

Ao longo dos anos, houve troca-troca no comando das investigações. Três grupos de promotores diferentes ficaram à frente do caso no Ministério Público. Na Polícia Civil, o quinto delegado assumiu há pouco mais de um mês.

Atualmente, oito promotores integram a força-tarefa, criada pelo Ministério Público para solucionar o caso. O inquérito tem mais de 70 volumes. Ambos os órgãos investigadores afirmam que não há prazo para as investigações serem concluídas.

“Não há como negar que quando você tem uma alternância, você tem uma quebra. Porque precisa tomar pé do que foi produzido. Mas por outro lado, quando você tem uma oxigenação, você tem novas pessoas, você tem um novo olhar sobre aquilo o que já foi produzido, o que pode ser muito frutífero pra investigação”, afirmou o promotor Bruno Gangoni.

Houve motivação política?

Segundo os investigadores, nenhuma linha de investigação foi descartada. Alguns nomes citados durante a apuração, como Cristiano Girão e Domingos Brazão, ainda são analisados.

Cristiano Girão é ex-vereador, ex-chefe da milícia da Gardênia Azul e está preso. Ele foi acusado de ser o mandante de outro homicídio, que teria a participação de Ronnie Lessa.

Domingos Brazão é conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado. Em 2019, a Procuradoria Geral da República apresentou denúncia contra ele, que foi acusado de obstruir as investigações do Caso Marielle.

Quase um ano depois, o Superior Tribunal de Justiça mandou o processo para o Tribunal de Justiça do Rio, onde está sob sigilo.

“Na ótica da polícia, não se trata de questão política. É um crime sério. O que existe é um caso complexo”, afirmou Damasceno.

A defesa de Domingos Brazão disse que ele não responde a nenhuma ação ou inquérito sobre as mortes de Anderson e Marielle Franco, “por quem Brazão tinha carinho muito grande”. Disse ainda que tem todo interesse no esclarecimento do crime.

O RJ2 não conseguiu contato com a defesa de Girão.

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