Revista Paulo Freire aborda a situação da mulher negra no Brasil

 

Basta observarmos a situação das mulheres negras brasileiras para verificarmos que estamos muito distantes de qualquer nível de democracia étnico-racial. Negação da sua estética nos meios de comunicação, desigualdade salarial em comparação a homens que exercem a mesma função, tratamento vezes como escrava vezes como objeto sexual. São apenas algumas das marcas da profunda opressão que sofrem as mulheres negras em nosso país.

Nessa última edição de 2013, a Revista Paulo Freire escancara essa realidade de desigualdade e apresenta reflexões necessárias num país em que a cor da pele, dos olhos ou o tipo do cabelo ainda parecem determinantes na definição de papéis sociais.

O texto de abertura dessa edição, de autoria da educadora sexual e ativista dos Direitos Humanos, Jarid Arraes, demonstra como uma das maiores particularidades do racismo brasileiro é o modo como o preconceito se esconde sob a máscara de um país racialmente democrático. Jarid toma o exemplo de opressão que vivem as mulheres negras para mostrar que o racismo dos brasileiros está na vida cotidiana, muitas vezes em atitudes sutis e comentários aparentemente inofensivos.

Com o título “Mulheres negras: o desafio de construir a igualdade!”, as sindicalistas Rosane de Deus e Rosana Silva apresentam dados e argumentos que apontam para a necessidade de mudanças estruturais que alterem a vida das mulheres e da população negra e ressaltam a importância de pensarmos a discriminação de gênero e raça não apenas como uma manifestação cultural, mas também como consequência de uma estrutura patriarcal, machista e racista que tem consequências materiais na vida das mulheres.

Nas páginas 8 e 9, reproduzimos uma entrevista com Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do IPEA. Ele apresenta os dados e análises da mais recente pesquisa feita pelo instituto sobre a morte de jovens negros nas capitais brasileiras. O pesquisador não tem dúvidas: o motivo dos altos índices de mortes da população negra é o racismo.

Reproduzindo um artigo do site Blogueiras Negras, essa edição da Revista Paulo Freire mostra ainda como o racismo se manifesta também sobre os cabelos e penteados das mulheres negras no Brasil. Diz o texto: “o cabelo e seus penteados sempre possuíram uma grande importância para o povo africano, pois, através dele demonstram a ocupação de cada pessoa da nação, sua inserção em novos períodos de vida, dentre inúmeros significados que não chegaram a nós”.

Como sugestão para o trabalho de educadores e educadoras, apresentamos 10 filmes que tratam da discussão entre o racismo e a educação e que podem ser utilizados em sala de aula. São filmes nacionais e estrangeiros, acessíveis na internet, que revelam o poder da educação na superação das desigualdades.

Ainda nessa última edição de 2013 temos um artigo da articuladora do Movimento Nacional de Direitos Humanos em Sergipe, Lídia Anjos, e uma homenagem ao poeta sergipano Mário Jorge, na página do Coletivo Saber e Poesia.

Por fim, não poderíamos deixar também de, nessa edição, prestar a nossa homenagem ao líder político Nelson Mandela, um dos principais expoentes da luta por liberdade, cidadania, pelos direitos humanos e pela democracia em todo o mundo. Que a história de vida e de resistência de Mandela continue a nos inspirar na luta por uma sociedade sem opressões e por um mundo em que prevaleçam a justiça social e a igualdade.

Boa leitura!
Ângela Melo
Presidenta do Sintese

Promoção NAS ASSINATURAS

 

Fonte: Sintese

 

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