Revolta popular se alastra por países africanos e aumenta o número de mortos

Tropas marfinenses mataram nesta segunda-feira pelo menos quatro manifestantes da oposição que pediam a renúncia do presidente Laurent Gbagbo. A repressão ocorreu enquanto presidentes africanos chegavam à Costa do Marfim para nova tentativa de resolver a crise política. O conflito sobre a eleição de novembro paralisou a econômica do país, o maior produtor mundial de cacau, e causou a morte de cerca de 300 pessoas. A eleição, cujo objetivo era trazer estabilidade após uma década de estagnação, acabou agravando as divisões internas e a situação da economia.

O oposicionista Alassane Ouattara é reconhecido internacionalmente como o vencedor da eleição presidencial, mas Gbagbo se recusa a ceder o poder. Uma fonte com acesso às conversações preparatórias, realizadas no domingo, disse que a delegação africana iria insistir em que Gbagbo deixe o poder em troca de algumas garantias, o que permitiria a Ouattara assumir o poder. Ele venceu a eleição de 28 de novembro, de acordo com os resultados endossados pela ONU. Chegaram ao país os líderes da África do Sul, Mauritânia, Chad e Tanzânia.

No Marrocos

Cinco corpos foram encontrados dentro de um banco que havia sido incendiado na cidade de Al Hoceima, no Marrocos. De acordo com o ministro marroquino do Interior, Taib Cherkaoui, a agência bancária foi incendiada por manifestantes de oposição ao governo após protestos realizados na cidade no domingo. Cherkaoui disse que as manifestações deixaram pelo menos 128 pessoas feridas, em sua maioria agentes de segurança. Os protestos de domingo levaram cerca de 37 mil marroquinos às ruas em diferentes cidades do país.

Os manifestantes exigem a adoção de reformas democráticas e a imposição de limites aos poderes do rei Mohammed VI. Segundo relatos, as manifestações no Marrocos foram pacíficas de um modo geral, mas deixaram na rasteira alguns episódios de violência. Há informações de que os manifestantes atearam fogo a automóveis e arremessaram pedras contra sedes de instituições governamentais. Estabelecimentos comerciais foram saqueados. Uma testemunha disse à BBC ter visto jovens de fora da cidade vandalizar bancos, lojas e prédios do governo.

Efeito dominó

Os protestos no Marrocos têm caráter similar aos que têm sido vistos em outros países árabes e muçulmanos nas últimas semanas. Muitos ativistas vêm utilizando redes sociais, como Facebook e Twitter, para convocar os protestos. A onda de manifestações teve início na Tunísia, no final de dezembro, e seguiu para o Egito, em janeiro. A pressão popular provocou a queda dos governos de ambos os países. Foram vistos protestos ainda em outros países como Argélia, Iêmen, Bahrein e Irã.

Segundo analistas, as condições no Marrocos diferem ligeiramente das de outros vizinhos, já que o país conta com um parlamento eleito e um regime monárquico de caráter reformista – o que o torna menos propenso a revoltas como as vistas nas outras nações. Mas o país conta com uma população predominantemente jovem – de 26,5 anos de idade em média -, da qual grande parte é pobre ou desempregada. O rei Mohammed faz parte da dinastia Alawite, cujos integrantes se dizem descendentes diretos do profeta Maomé e governam o Marrocos há 350 anos.

 

Fonte: Correio do Brasil

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