RME investiga perfil e dificuldades da mulher empreendedora

Resultados da pesquisa “Empreendedoras e seus negócios” abrangem todo o Brasil com recorte étnico e econômico

A Rede Mulher Empreendedora – RME, em parceria com o Instituto Rede Mulher Empreendedora e com o patrocínio das empresas Avon, Sage e Facebook, realizou, pelo segundo ano consecutivo, uma pesquisa para levantamento e aprofundamento de dados sobre o empreendedorismo feminino no Brasil.

 

O estudo “Empreendedoras e Seus Negócios” – que buscou avaliar as barreiras de crescimento para os negócios criados e geridos por mulheres – foi realizado entre os meses de agosto e setembro de 2017 com cerca de 800 mulheres espalhadas por todo o território nacional, e seus resultados foram apresentados no VI Fórum Empreendedoras, evento promovido pela RME, em São Paulo. Para Ana Fontes, fundadora da RME, “a realização dessas duas pesquisas é muito importante, pois seus dados nos ajudam não só a promover ações internas que beneficiam as empreendedoras, mas também a buscar incentivo social e de políticas públicas junto ao governo”.

 

Em complemento à pesquisa “Quem São Elas?”, realizada em 2016, o objetivo do levantamento deste ano foi conhecer os problemas enfrentados pelas mulheres que empreendem no Brasil, incluindo-se temas como a relação entre maternidade e carreira, o momento financeiro das empresas e o acesso a crédito. Para Jorge Santos Carneiro, presidente da Sage Brasil e América Latina, “as mulheres possuem algumas características pessoais, como a sensibilidade e o comprometimento que, para além das suas competências técnicas, as posicionam muito bem para a gestão dos negócios. Por isso vamos vendo cada vez mais mulheres à frente de empresas e investindo em seus sonhos”.
Abordagem étnico racial
Um importante indicativo apresentado pela pesquisa é a diferença de percentual de empreendedoras não brancas presentes nas diferentes categorias de negócios. Em empresas informais e MEIs, elas representam 32% do total, ao passo que nas MEs e EPPs, este percentual cai para 20%, o que significa que a maioria das empresas maiores e mais bem estruturadas é gerida por mulheres brancas. Os dados reforçam e vão ao encontro dos resultados obtidos pela pesquisa realizada pelo Sebrae (Global Entrepreneurship Monitor – 2015), na qual é evidenciado que 51% dos empreendedores brasileiros (homens e mulheres) são negros, porém apenas 29% deles empregam ao menos uma pessoa. A análise demonstra um aspecto do racismo estrutural presente na sociedade, o que dificulta o acesso a serviços. Um exemplo é o acesso a crédito. Este ano, em evento promovido em maio pelo Instituto Feira Preta e Black Codes, Eugene Cornelius Junior, chefe do escritório de comércio internacional da SBA (Small Business Administration – agência do governo dos EUA semelhante ao Sebrae), afirmou que, no Brasil, o número de pedidos de crédito negados é três vezes maior para empresários negros do que para empresários brancos.

 

Informalidade 
Outro dado relevante do estudo trata da regularização dos empreendimentos. A pesquisa revela que 30% dos negócios com até três anos de funcionamento são informais e 64% das entrevistadas citam a falta de dinheiro como um dos principais motivos para essa situação. Além disso, 43% das mulheres empreendedoras alegam que mantêm o negócio na informalidade, porque julgam que pagar impostos poderia inviabilizar o seu empreendimento. Números que se opõem ao dado de que 73% delas fariam um empréstimo para investir no negócio. Existe também o problema de acesso a crédito, que as mulheres têm mais dificuldade de obter, o que atrapalha o planejamento, a regularização e muitas vezes a continuidade do negócio. Importante ressaltar que esse não é um problema exclusivo do Brasil, e que foi um dos assuntos mais comentados do evento G20, realizado em julho último, na Alemanha, ocasião em que a chanceler alemã Angela Merkel anunciou medidas para facilitar o acesso ao crédito entre mulheres e diminuir a desigualdade de gênero.

 

Perfil Empreendedor – alguns dados
 

  • 55% das empreendedoras brasileiras têm filhos e, dentre as que são mães, 75% decidiram empreender após a maternidade (Fonte: Pesquisa “Quem São Elas”, 2016);
  • 55% das empreendedoras buscam mais qualidade de vida, porém 39% delas trabalham 9h ou mais por dia;
  • 79% das empreendedoras entrevistadas possuem ensino superior completo;
  • A média de idade das empreendedoras brasileiras é de 39 anos, 61% delas são casadas e 44% são chefes de família (Fonte: Pesquisa “Quem São Elas”, 2016);
  • 35% das empreendedoras respondentes é MEI, e destas, 17% tem sócios e 39% conta com alguém trabalhando/ ajudando no negócio.

 

 

A pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios” permitiu chegar à conclusão de que as mulheres empreendem mais frequentemente por necessidade do que por terem identificado uma oportunidade – principalmente no caso de mulheres que criam negócios informais e empresas MEI, o que justifica o fato de não se arriscarem e optarem por abrir negócios relacionados a sua área de conhecimento e experiência. “O conhecimento é um dos principais ingredientes para o sucesso dos negócios das mulheres empreendedoras e, por isso, o Facebook reconhece e apoia a pesquisa “Empreendedoras e seus negócios”, como forma de empoderá-las e fortalecer o ambiente de empreendedorismo brasileiro”, comenta Camila Fusco, diretora de empreendedorismo do Facebook para a América Latina.
Ademais, como as empreendedoras envolvem-se tanto na gestão quanto na operação do negócio, realizando a maior parte das atividades da empresa (o que lhes exige grande dedicação de tempo e esforço de trabalho), é compreensível que escolham áreas que gostem e com as quais lidam com mais facilidade. “Para a Avon é importante entender qual é o cenário do empreendedorismo feminino no Brasil, já que somos a empresa que mais empodera a mulher no Brasil e mundo”, comenta David Legher, Presidente Avon Brasil & LATAM.

 

Informações técnicas
Pesquisa quantitativa online de abrangência nacional, o estudo “Empreendedoras e Seus Negócios” foi realizado a partir de questionário de autopreenchimento com 55 perguntas (algumas aplicadas exclusivamente para determinado tipo de negócio – informal, MEI ou ME/EPP). A coordenação geral da pesquisa foi feita por Camila Krohling Colnago, da consultoria Comunicação 027, a coleta de dados foi realizada pela OpinionBox e toda a inteligência de análise e estratégia do estudo ficou a cargo da especialista Patrícia Kouzmine. Em breve será lançado um e-book com as interpretações detalhadas dos indicadores colhidos.

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