Secretário de Serra prevê ações afirmativas em 500 anos

– Fonte: Afropress Data: 18/05/2009 –

Foto: Evaristo Sá/AFP

S. Paulo – A celebração dos 25 anos do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo, realizada nesta segunda-feira (18/05), no auditório Franco Montoro, da Secretaria da Justiça e Defesa de Cidadania, por pouco não se transforma em ato de protesto dos negros presentes depois que o Secretário de Relações Institucionais José Henrique Reis Lobo (foto) disse que “até simpatizava com a proposta de Ações Afirmativas”, porém, tinha consciência de que isso só aconteceria “quem sabe, nos próximos 500 anos”.

O mal estar provocado pelas declarações de Lobo – que também é presidente do PSDB no Estado – foi tão grande que alguns ativistas negros presentes se retiraram do auditório em protesto. Outros, filiados ao PSDB, comentavam entre si, a disposição de se desfiliarem do Partido.

A presidente do Conselho, professora Elisa Lucas Rodrigues, que presidia o ato, assistiu as demonstrações de desagrado e de indignação. Ela não quis falar à Afropress sobre o episódio. Na mesa, além do deputado tucano Nilton Flávio, o Secretário Adjunto da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, Elói Ferreira, representando o ministro chefe, deputado Edson Santos.

Saia justa

A saia justa do Governo do Estado começou mesmo antes do discurso de Lobo, quando o advogado e ex-presidente do Conselho, Antonio Carlos Arruda, protestou diante do que ele considerou declarações infelizes do governador José Serra. Recentemente, em artigo publicado no Jornal Folha de S. Paulo de 24 de abril, à pretexto de lembrar a tragédia do nazismo contra os judeus e do genocídio contra os armênios pelos turcos, Serra condenou os que “insistem em ressuscitar o conceito de raça e criar legislações baseadas na premissa de que elas merecem tratamento diferenciado pelo Estado”.

A declaração já havia provocado reações de negros próximos aos tucanos, como Hélio Santos – o primeiro presidente do Conselho e amigo de Serra e de Fernando Henrique – que contestou a posição do governador vista como um recado aos que defendem as cotas e ações afirmativas para negros e indígenas.

Arruda condenou as declarações do governador, disse que os negros não tem interesse em racializar o debate sobre cotas e ações afirmativas e defendeu reformas profundas no Conselho que ele considera que “precisa ser repaginado para dar conta das novas tarefas”.

Logo em seguida às declarações de Arruda, que já foi assessor do deputado José Aníbal e é visto como uma das lideranças tucanas mais conhecidas, o secretário Reis Lobo “fecharia com chave de ouro”, a série de declarações infelizes do Governo.

O que mais indignava algumas lideranças negras presentes é que Logo é o titular da Secretaria de Relações Institucionais – criada por Serra, justamente para reunir os Conselhos, entre os quais o da Comunidade Negra. Também lembraram que S. Paulo, sob o Governo de Geraldo Alckmin criou, por decreto, um Plano de Ações Afirmativas, que jamais saiu do papel.

O Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de S. Paulo é o mais antigo do Brasil. Criado, em 1.984, no Governo Monteiro, perdeu espaço e importância e está sucateado e sem recursos. As “comemorações” pelos 25 anos começaram com o ato seguido de palestra do escritor e compositor Nei Lopes e terminou com um show de Lopes e os Partideiros do Cacique no Auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina.

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