quarta-feira, agosto 17, 2022
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Senegal decreta feriado nacional para festejar título inédito da Copa Africana de Nações

O Senegal acordou nesta segunda-feira (7) em clima de euforia. É como se a comemoração, que entrou pela madrugada, não tivesse fim até que todos pudessem ver a taça da Copa Africana de Nações (CAN), conquistada pela primeira vez pelos Leões de Teranga, no domingo (6), após uma disputa nos pênaltis contra o Egito. Torcedores aguardavam desde cedo a chegada dos jogadores da seleção campeã do continente no Aeroporto Internacional de Yoff-Léopold Sédar Senghor, em Dakar.

Os atletas e membros da comissão técnica da seleção nacional serão condecorados, nesta terça-feira (8), pelo presidente senegalês Macky Sall, no palácio presidencial, na capital. A semana começa com um feriado nacional no país para comemorar o título inédito e sofrido.

O Senegal derrotou os “faraós” do Egito, de Mohamed Salah, no último momento. No final da prorrogação e após um empate sem gols, os senegaleses superaram os egípcios nos pênaltis com o placar de 4-2.

O Senegal dominou a maior parte do jogo no estádio Olembé de Yaoundé, em Camarões, e teve chances muito claras de gol, embora sem muita sorte nas finalizações. Já o Egito esteve perto de vencer nos momentos finais da prorrogação, mas não conseguiu superar o adversário.

Após ter perdido um pênalti aos sete minutos de jogo, Sadio Mané, estrela da equipe senegalesa, tinha a responsabilidade de converter o quinto chute decisivo das cobranças de pênalti. O tempo parou por um instante. Os corações dos senegaleses  pareciam bater junto com o do craque. O último artilheiro na disputa de pênaltis da final não decepcionou. Com um chute certeiro, Sadio Mané fez os torcedores explodirem de alegria.

O atacante do Liverpool e número 10 dos Leões foi eleito pela Confederação Africana de Futebol como o melhor jogador da 33ª edição da CAN. O goleiro senegalês Edouard Mendy, que defendeu uma das combranças de pênalti da final, foi eleito melhor goleiro da competição. 

“É uma emoção que não tem palavras. Torço para esta equipe desde pequeno. Nunca vi algo tão bonito. Estava com tanto medo, só rezava,” disse à AFP Waka N’Diaye, de 43 anos.

“É o dia mais feliz da minha vida. Nunca fui tão feliz. É como se tivesse nascido pela segunda vez”, celebrava Moussa N’Dao, 27.
Emoção, também, na “fan zone” instalada na esplanada do estádio Amadou Barry, em Guediawaye, no Senegal.

“Ganhamos nosso primeiro troféu. Estamos muito contentes, muito felizes mesmo. Obrigada a essa bela equipe”, disse à RFI um torcedor senegalês.
Torcedores do Senegal comemoram nas ruas de Dakar após a vitória dos Leões sobre o Egito, na final da Copa Africana de Nações. Em 6 de fevereiro de 2022. SEYLLOU AFP

Festa nas ruas

Assim que a partida terminou, motoristas saíram às ruas da capital Dakar buzinando em carros e motos, criando uma atmosfera esperada há muito tempo. “Fomos eliminados em 1992, perdemos em 2002, mas em 2022 nós levamos a melhor e ganhamos a Copa da África”, disse um torcedor à reportagem da RFI.

“Em 2002 choramos muito a derrota para Camarões. Mas hoje o mundo inteiro viu a força do Senegal”, disse outro torcedor. “Faz tempo que corremos atrás da Copa da África e é uma grande homenagem que fazemos à geração de 2002”, completou outro senegalês.

“Eu sou de Guiné, mas hoje vivo no Senegal e estou muito orgulhoso, é como se eu tivesse ganhado o troféu”, disse outro torcedor, contaminado pela exaltação.

 

Torcedores do Senegal comemoram nas ruas de Dakar após a vitória dos Leões sobre o Egito, na final da Copa Africana de Nações. Em 6 de fevereiro de 2022. SEYLLOU AFP

Cornetas, vuvuzelas e fogos de artifício foram ouvidos durante toda a noite neste pequeno país da África Ocidental, onde a população se vestiu de vermelho, amarelo e verde, as cores nacionais.

“Estamos muito orgulhosos, é histórico”, gritava Amadou Diallo, ziguezagueando com sua pequena motocicleta entre os carros para mostrar seu orgulho nas ruas de Dakar.

“Nós realmente merecemos, estamos aqui para festejar”, disse, à RFI Oumar Ly, sobre o capô de seu carro, elogiando o técnico do time, Aliou Cissé.

Uma segunda chance para o treinador Cissé

Os torcedores dificilmente esquecem. Há vinte anos, os senegaleses estiveram perto de conquistar o título inédito da Copa Africana de Nações. Na época, o então capitão do time, Aliou Cissé, desperdiçou o último pênalti e viu a seleção de Camarões comemorar seu quarto título. Desta vez, agora no comandando da equipe, Cissé conquistou a primeira vitória dos Leões de Teranga na competição.

Tomado pela emoção, ao fim da partida, o treinador do Senegal confessou que tirava um peso das costas. “Isso mostra que com trabalho, perseverança, sem nunca desanimar, você consegue o que quer. O povo senegalês desejava isso há mais de 60 anos”, declarou ele. Aos 45 anos, Aliou Cissé completa sete no comando de Senegal, em março.

Decepção no Egito

No Egito, a decepção domina após a derrota contra o Senegal na final da Copa da África. Os “faraós” não conseguiram vencer na prorrogação e na disputa de pênaltis.

Entre as centenas de pessoas que torceram para o time no clube Al-Nasr Sporting, no Cairo, um dos poucos lugares para assistir ao jogo, o torcedor Mohamed confessou à RFI que a derrota era merecida, poupando apenas o astro da equipe, o atacante Mo’ Salah.

“Nosso jogo foi um fracasso. Salah estava atacando sozinho, onde estavam os outros? Não havia ninguém atrás dele e ninguém para tabelar. Então, perdemos porque ninguém estava jogando com Salah e ninguém estava se ajudando. Eles estavam todos dispersos e com medo”, lamentou.

A revanche, porém, já está marcada. No dia 28 de março, o Egito enfrenta os Leões de Teranga numa partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo do Catar, ocasião em que poderá se vingar da derrota deste domingo.

“Se Deus quiser, teremos um bom jogo. Jogaremos contra eles e seremos melhores no próximo jogo, com a ajuda de Deus, nas eliminatórias para a Copa do Mundo”, espera um torcedor egípcio.

Para o goleiro do Egito, Mohamed Abou Gabal ‘Gabaski’, que substituiu o lesionado Mohamed El Shenawy, é uma questão de tempo. “Perdemos, o futebol é assim. Há um vencedor e um perdedor. Estamos tristes com esta derrota, mas já se sabe que quando nós egípcios caímos, voltamos a nos levantar”, disse.

(Com informações da RFI e AFP)

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