Serra aumenta as críticas a Dilma

Atrás nas últimas pesquisas de intenções de votos, o candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) resolveu engrossar o tom da campanha e das referências à opositora Dilma Rousseff (PT). Ontem, ao discursar no 20º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília, o tucano disse que a petista tem usado frequentemente a estrutura dos ministérios para amparar discursos e corrigir números que ela erra ao dar declarações, além de copiar dele as propostas para a área da saúde. “A estrutura ministerial é do governo. É pública. Não pode ficar a serviço de uma candidata. Se fornece informações para amparar uma candidatura, tem de fazer isso para todas”, disse.

Ao falar sobre suas propostas para a saúde, Serra disse que tem colecionado uma lista de ideias que ele divulga e depois as vê citadas pela adversária. “Eu, no geral, nesta campanha, tenho feito propostas, e dali a uns dois meses a candidata do PT vem e faz a mesma proposta. Já tem sete. Estou fazendo uma coleção. O importante não é a cópia. Eu só gostaria de ter o direito autoral. Se a gente bola um negócio, é bom ter o autoral”, provocou. O candidato citou como exemplo de “plágio” a criação dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) e o programa Mãe Paulista. Ambos projetos implementados por ele em São Paulo e que, com nomes diferentes, foram citados como propostas de Dilma Rousseff. “Ela faz isso para confundir a opinião pública. Porque sabemos que as pessoas ouvem a ideia e não vão procurar quem foi que a teve ou quem falou primeiro. O eleitor não vai pesquisar isso”, disse.

Serra provocou a adversária também quando o assunto foi investimento financeiro na saúde. Segundo ele, o governo mente para os brasileiros quando afirma que a dificuldade do setor é causada principalmente pelo fim da cobrança da CPMF. “O dinheiro desse imposto não era destinado para a saúde. Aí, eles ficam dizendo que a oposição acabou com a cobrança e dificultou os investimentos. Mas isso é tro-ló-ló, falsidade. É mentira que os problemas da saúde vêm do fim da CPMF”. O tucano foi além e disse que a votação da proposta que prorrogava a cobrança do imposto foi atrapalhada pela própria base aliada do governo, que na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara emperrou a votação porque o PMDB queria negociar a indicação da diretoria de Furnas. “É que este governo e seus aliados funcionam assim”, alfinetou.

Propostas
Ao responder a perguntas sobre os investimentos que pretende fazer na saúde, Serra disse que vai aplicar R$ 12 bilhões em quatro anos e reajustar os valores dos serviços remunerados pelo Sistema Único de Saúde aos hospitais. Para ele, a tabela de preços está defasada em pelo menos 100%. O candidato também prometeu criar 154 Ambulatórios Médicos de Especialidades pelo país. Essas unidades seriam distribuídas principalmente pelo interior do Brasil e seriam equipadas para realizar até pequenas cirurgias.

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Ao lado das mulheres

Daniela Almeida

São Paulo — A candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, reforçou ontem, na capital paulista, o viés feminino que vem dando à sua campanha. No mesmo dia em que estreou sua participação no programa eleitoral gratuito posicionando-se como uma mulher comum, mãe e esposa (o programa exibiu inclusive depoimento de seu ex-marido), Dilma falou para cerca de 1,5 mil sindicalistas mulheres das seis centrais sindicais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

“Eu vou ser de fato a primeira presidente deste país. Preciso de vocês para que possamos juntas mudar a situação de preconceito do Brasil. Eu conto com vocês. Vocês podem contar comigo”, disse a ex-ministra durante seu discurso. Na decoração do evento, organizado pelo comitê da campanha petista, imperou o já conhecido tom lilás usado para feminilizar debates e encontros. Para endossar o apoio à candidata, militantes ostentavam casacos e camisetas na mesma cor. Estavam presentes, segundo a organização, representantes da CUT, UGT, CTB, CGTB, Força Sindical e NCST.

47% a 39%
Segundo a última pesquisa do Ibope, Dilma ultrapassou o tucano José Serra nas intenções de votos entre o eleitorado feminino. Nos levantamentos feitos em julho e no início de agosto, ela mantinha empate técnico com o adversário. Mas na pesquisa divulgada segunda-feira, considerando apenas o sexo do eleitor, a candidata apareceu com 47% entre os homens e 39% entre as mulheres. Serra foi o candidato citado por 31% dos homens entrevistados, e entre as mulheres foi citado por 33%. Historicamente, o eleitorado feminino costuma votar em candidatos do sexo oposto.

“Nesta eleição as mulheres estão muito conscientes. O que acontece com as mulheres é que elas levam mais tempo para tomar uma posição, mas a gente sabe que, quando o mulherio toma uma posição, sai de baixo que não muda, não”, disse Dilma sobre o esforço que sua campanha vem fazendo pela conquista do voto feminino.

Marina constrangida

São Paulo — A candidata do PV ao Planalto, Marina Silva, fez corpo a corpo em uma área de ocupação irregular na periferia da capital paulista. Foi abraçada por moradores e questionada se suas prioridades políticas vão além da questão do meio ambiente. A candidata chegou a ficar constrangida quando foi perguntada se a região do Jardim Mata Virgem, onde fazia campanha, deveria ser urbanizada, já que está localizada às margens da represa de Guarapiranga. “Na minha proposta de governo, tanto o meio ambiente quanto a população são prioridades”, afirmou.

Marina disse que, se eleita, vetará novas ocupações. Ela também ressaltou que ficou chocada de ver no estado mais rico do país uma favela idêntica às encontradas em Pernambuco. “A mesma coisa que eu vi lá na Favela do Coque (PE), eu vejo no estado mais rico da Federação. Isso é falta de política pública”, observou a candidata.

Fonte: Correio Brasiliense

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