“Somos africanos e temos que entender isso”, afirma ex-ministro de Lula

Franklin Martins lançou nesta terça-feira, em São Paulo, série de entrevistas com presidentes de países da África

Em evento organizado nesta terça-feira (29/10) pelo Instituto Lula para exibir o primeiro documentário da série “Presidentes Africanos”, o jornalista e ex-ministro Franklin Martins enfatizou a falta de informação que os brasileiros têm sobre a África e a importância de se conhecer melhor o continente porque “somos todos africanos e temos que entender isso”.

“Em termos de comunicação, o Brasil está mais perto do Japão do que da África. Os brasileiros sabem mais dos japoneses que dos africanos”, disse Martins, antes de completar que “isso está mudando nos últimos anos”. “Existe um vazio em relação ao conhecimento sobre o continente africano que acho que a série tenta ajudar a diminuir”, acrescentou.

“Presidentes Africanos” tem 15 episódios, que já estão sendo exibidos nos canais Discovery Civilization e Band. No primeiro, Martins apresenta o panorama atual da África, que, como ele afirma, não é só um continente, mas “vários”. Fatores como o crescimento econômico consistente da região e o processo de construção de democracias são destacados.

Martins conta como, dos 15 países que mais cresceram na última década, 10 são africanos, com desenvolvimento percentual maior que o da União Europeia e o dos Estados Unidos. Para uma população de pouco mais de um bilhão de pessoas, são 700 milhões de aparelhos celulares em funcionamento. Só no Quênia, 18 milhões utilizam o celular para fazer transações bancárias.

“Agora, no Brasil, a África é desconhecida para a maior parte da elite e isso é marcado pelo preconceito, não é à toa. Nossa elite quer dizer que somos brancos, católicos e não temos sangue negro. Eles acham que somos europeus. E ainda dizem que não existe racismo aqui”, criticou Martins, para quem é importante que os brasileiros descubram a África para descobrirem suas próprias raízes.

O ex-ministro também comparou a ação chinesa com a brasileira no continente africano. “A China é um furacão na África”, afirmou. “O investimento deles é pesado, principalmente em áreas de mineração e construção civil.

Isso não tem nada de mais. Por um lado, é bom, permite infraestrutura, mas, por outro, em vez de fazer parceria e se integrar, eles só fazem o negócio deles”.

O embaixador da Etiópia no Brasil, Wuletaw Hailemariam Nigussie, que estava presente no evento, chamou a série de Martins de “contribuição maravilhosa” para as relações entre Brasil e África, mas lembrou que a presença de brasileiros no continente ainda é “muito baixa” e que o país tem que aproveitar a oportunidade de integração.

“Nesse momento, a China, a Índia, a Turquia, a Europa e os Estados Unidos estão correndo para investir na África. Vocês podem acreditar que essa é a nossa era, a nossa renascença, porque a África é a terra de todos. Tudo começou na África”, disse o embaixador. “A África está de alma aberta esperando pelo Brasil”, resumiu.

Fonte: Opera Mundi

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