sexta-feira, janeiro 27, 2023
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Souto Soares: Semana da Consciência Negra

Fonte: Pedro Moraes –

 

O distrito de Segredo, no município de Souto Soares, terá na próxima semana (16/11 a 20/11) uma vasta agenda de atividades em homenagem ao Dia da Consciência Negra, realizando palestras, jogos, shows, apresentações teatrais e diversas manifestações da cultura popular, como terno de reis e reisado.

O evento organizado pela prefeitura, em parceria com a comunidade local e a Associação  dos Povos Remanescentes de Quilombos de Segredo, será iniciado com dois debates relevantes, investindo na formação do público e na conscientização. O primeiro, ministrado pela professora Marlene Araújo, irá discutir a importância e os impactos da lei federal 10.639, sancionada pelo presidente Lula em 2003, que estabelece a inclusão da temática “história e cultura afro-brasileira” no currículo escolar nas áreas de educação artística, literatura e história do Brasil. No segundo momento, Gildeci Nascimento, irá apresentar e debater com o público  a trajetória e a formação das comunidades quilombolas no estado.

“A comemoração do dia 20 de novembro é uma homenagem a Zumbi dos Palmares, um ícone nacional, que se tornou uma referência por sua resistência e perseverança na luta contra a escravatura no Brasil. A criação desta homenagem em âmbito nacional, que já se tornou uma tradição no distrito de Segredo, é uma reverência justa e plausível para que sejam realizados momentos permanentes de reflexão sobre a importância e valorização da cultura africana e povo negro em nosso país”. salienta a secretária de cultura e turismo de Souto soares, Marly Araújo.

 

Líder da liberdade, traído e morto

 

Zumbi nasceu no mocambo de Cerca do Macaco, uma aldeia de Palmares, que na época ficava em território baiano(hoje, Alagoas). Quando criança, foi raptado por soldados portugueses e oferecido como forma de presente para um padre da ordem dos jesuítas. O garoto, batizado com o nome de Francisco, aprendeu latim e português e se tornou um coroinha, porém, a vida “engaiolada” não combinava com esse herói e aos 15 anos fugiu retornando à Palmares, onde ficou conhecido por suas técnicas de combate e estratégias de guerrilhas nos conflitos contra tropas portuguesas.

O quilombo ficava à margem do Rio São Francisco, com mais de 200km de extensão,  aglomerando onze mocambos, protegido por aglomerados de soldados e um conjunto de estacas de madeira. Os refugiados viviam da agricultura, com o plantio de grãos, legumes e raízes e da confecção artesanal de vassouras, esteiras e chapéus produzidos com palha de palmeira para serem comercializados em comunidades de pardos que existiam nas proximidades.

Após inúmeros ataques e muitos anos de guerrilha contra Palmares, o governador da capitania hereditária de Pernambuco se cansou da luta que parecia não ter fim e percebeu que o quilombo estava crescendo economicamente, não sendo rentável destruí-lo. Foi então que ele convocou Ganga Zumba, líder dos Palmares, para uma trégua, oferecendo liberdade para os negros do quilombo. Apesar de Zumba aceitar, Zumbi, queria a liberdade para todos e não para um grupo seleto, por isso, não apoiou o acordo. Dois anos depois Zumbi assumiu a liderança do grupo quando, Ganga Zumba morreu envenenado e durante 15 anos Zumbi comandou tropas de resistência que afugentaram os portugueses.

Em 1694, o mocambo do Macaco recebeu um ataque voraz, destruindo o principal ponto de resistência de Palmares ferindo Zumbi, que mesmo com poucas forças se refugiou em outro local. No ano seguinte,  no dia 20 de novembro de 1695, o grande líder foi traído e denunciado para o exército português, que prendeu e degolou Zumbi, salgando sua cabeça e expondo em praça pública para desmitificar a crendice que o herói era imortal. Porém, o que os portugueses não sabiam era que mesmo após mais de 300 anos, Zumbi dos Palmares permanecerá imortal em nosso imaginário, sendo uma referência constante de luta e resistência. Viva Zumbi!

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