quarta-feira, setembro 23, 2020

    Tag: Audre Lorde

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    Silêncios e rompimentos da mulher negra

    Sempre fui uma criança muito silenciosa. O meu “não dizer” representou e ainda representa um grande emaranhado de questões e conflitos internos profundos. Perceber-se na falta de discurso e dizer-se em voz alta é um ato de rompimento dificultoso, que acredito que ocupa a vida de muitas mulheres negras. Nos espaços de silêncios, em algum momento, todo o “não dito” vem, se arrasta conosco e é realmente devastador como o “calado” pode sufocar profundamente, afetar seu corpo, mente e existência.  O racismo opera em cada um de nós de formas distintas em cada espaço afetivo, interno e pessoal. A ótica racista se instala e, se o cuidado não for atento, começa a falar por nós: em nossos corpos, vozes e lugares sociais. Quando finalmente, após muita investigação, fui capaz de compreender do que se tratavam meus silêncios de mulher negra, me dei ao choro. O que é algo raro e caro para ...

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    Jackeline Romio (ONU)

    Precisa-se: Um coral de vozes de mulheres negras

    Tradução: “Need: A Choral Of Black Women´s Voices”- Audre Lorde, 1979.   Por Jackeline Romio (2020),  enviado para o Portal Geledés  Audre Lorde /Foto: Jack Mitchell/Getty Images para Patricia Cowan e Bobbie Jean Graham  e as Centenas de Outras Mulheres Negras Mutiladas cujos Pesadelos Informam Minhas Palavras   Faladeira linguaruda  sua língua será cortada e cada garotinho da cidade ganhará um pedacinho  – cantiga de ninar    I EU: Esta mulher é Negra então seu sangue é derramado em silêncio esta mulher é Negra então sua morte cai na terra como as gotas dos pássaros  para ser lavada com silêncio e chuva.   P.C.: Por um longo tempo depois do bebê nascer  Eu não saia por nada  e isso ficou realmente solitário. Então Bubba começou a perguntar sobre seu pai  Eu desejei me conectar com o sangue novamente  pensei talvez pudesse encontrar alguém e nós poderíamos ...

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    A poesia de Audre Lorde

    Audre Lorde foi uma escritora americana de descendência caribenha, feminista lésbica e ativista na luta pelos direitos humanos. Escreveu romances que abordam temáticas como feminismo e opressão, além de direitos humanos. Sua obra poética foi publicada a partir da década de 60. Os temas mais abordados em sua obra são amor, traição, nascimento, classe social, idade, raça, sexualidade, gênero e saúde, haja vista que veio a falecer devido a um câncer de mama. Sua poesia é um espaço também em que ela se afirma como lésbica e feminista negra. Por Patricia Anunciada, do Blogueiras Negras  Lorde desafiou feministas brancas, questionando seu ponto de vista sobre questões raciais, e se tornou uma voz lésbica negra isolada dentro do movimento feminista, apontando as opressões a que as mulheres brancas submetiam as mulheres negras. Ela se descreve assim: “Eu sou definida como a outra em todos os grupos de que participo. A forasteira, tanto ...

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    Não existe hierarquia de opressão

    Eu nasci negra e uma mulher. Estou tentando me tornar a pessoa mais forte que consigo para viver a vida que me foi dada e ajudar a efetivar mudanças em direção a um futuro aceitável para o planeta e para minhas crianças. Como negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças — incluindo um menino — e membro de um casal interracial, com frequência me vejo parte de algum grupo no qual a maioria me define como devassa, difícil, inferior ou apenas “errada”. Por Audre Lorde (tradução e comentários de Renata), no Rizoma Da minha participação em todos esses grupos, aprendi que opressão e intolerância de diferenças aparecem em todas as formas e sexos e cores e sexualidades — e que entre aquelxs de nós que compartilham objetivos de libertação e um futuro viável para nossas crianças, não pode existir hierarquia de opressão. Eu aprendi que sexismo e heterossexismo surgem ...

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    A Transformação do silêncio em linguagem e ação

    *Comunicação de Audre Lorde no painel "Lésbicas e literatura" da Associação de Línguas Modernas em 1977 e publicado em vários livros da autora no Minhateca Muitas vezes penso que preciso dizer as coisas que me parecem mais importantes, verbalizá-las, compartilhá-las, mesmo correndo o risco de que sejam rejeitadas ou mal-entendidas. Mais além do que qualquer outro efeito, o fato de dizê-las me faz bem. Eu estou aqui como poeta Negra lésbica e sobre o significado de tudo isso repousa o fato de ainda estar viva, coisa que poderia não ter sido. Há menos de dois meses, dois médicos –um homem e uma mulher- me disseram que devia fazer uma operação de mama e que as chances de que o tumor fosse maligno estavam entre 60 e 80 por cento. Entre essas palavras e a operação, passaram três semanas de agonia em que precisei reorganizar involuntariamente toda minha vida. A operação já passou e o tumor ...

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    As ferramentas do mestre nunca irão desmantelar a casa do mestre

    Este texto foi lido pela autora numa conferência realizada em 1979. Por Audre Lorde (tradução de Renata) Eu concordei em fazer parte da conferência do New York University Institute for the Humanities um ano atrás, com o entendimento de que eu iria comentar sobre trabalhos que lidam com o papel da diferença dentro das vidas de mulheres americanas: diferença de raça, sexualidade, classe e idade. A ausência destas considerações enfraquece qualquer discussão feminista do pessoal e do político. É uma arrogância acadêmica particular supor qualquer discussão sobre teoria feminista sem examinar nossas muitas diferenças, e sem uma contribuição significante das mulheres pobres, negras e do terceiro mundo, e lésbicas. E, ainda assim, estou aqui como uma feminista negra e lésbica, tendo sido convidada a comentar no único painel nesta conferência no qual dados sobre feministas negras e lésbicas são representados. O que isto diz sobre a visão desta conferência é ...

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    questoes plurais racismo

    Os usos da raiva: mulheres respondendo ao racismo

    Por Audre Lorde (tradução de Renata) Nota da tradutora Este texto foi escrito em 1981, faz parte do livro Sister Outsider e pode ser lido na íntegra, em inglês, aqui (pdf). A tradução foi dividida em três partes e amanhã e quarta será publicada a continuação. Alguns trechos foram cortados, mesmo com os questionamentos bem específicos à identidade da Audre (cis, negra, lésbica e mãe, por exemplo), por serem particulares demais a determinadas ocasiões. * Racismo. A crença na superioridade inerente de uma raça sobre todas as outras e, deste modo, o direito de dominância — manifestado ou subentendido. Mulheres respondendo ao racismo. Minha resposta ao racismo é raiva. Eu vivi com raiva, a ignorando, me alimentado dela, aprendendo a usá-la antes de ela destruir minhas visões, durante a maior parte da minha vida. Uma vez respondi em silêncio, com medo do peso. Meu medo da raiva me ensinou nada. Seu medo da raiva irá ...

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