‘Tenho orgulho em falar que fui lixeiro’, afirma campeão da maratona

Brasileiro ex-catador de lixo domina as ruas de Guadalajara e vence com autoridade prova mais longa do atletismo, nos Jogos Pan-Americanos

Quando Solonei Rocha cruzou a linha de chegada da maratona dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em primeiro lugar, milhares de catadores de lixo do Brasil se sentiram conquistando com ele a medalha de ouro. Pelo menos é assim que o ex-companheiro de profissão, e agora campeão, quer que seus amigos se sintam neste domingo.

– Todo mundo sabe de onde eu vim. Tenho orgulho em falar que fui lixeiro. E, hoje, estou aqui representando o Brasil e conquistando essa medalha de ouro. Tenho muito orgulho de ter sido catador de lixo. Quero mandar um recado para a coleta do Brasil: “Vocês valem ouro. Hoje, vocês ganharam esse ouro. Estamos juntos” – disse Solonei.

Solonei Silva conquistou na maratona a última medalha de ouro do Brasil neste Pan (Foto: Agência Reuters)

A história de Solonei foge do habitual. Com talento, determinação e uma pitada de sorte, conseguiu deixar a rotina dura na coleta de lixo há dois anos para se dedicar integralmente ao atletismo. A inexperiência como atleta e o início tardio no esporte, apenas aos 27, foram compensados pela resistência adquirida com sua antiga profissão. Para quem estava acostumado a percorrer 20km por dia catando lixo, correr 42,195km em busca da medalha de ouro não foi tão difícil assim.

– Ele é um cara privilegiado geneticamente. Isso permitiu que fizesse bons resultados com tempo pequeno de treino. Mas a vida pregressa dele possibilitou que a gente fizesse isso também. Ele tem algumas caracterírticas que são muito importantes. É muito determinado. O empenho e a dedicação são fundamentais – disse, orgulhoso, o técnico Clodoaldo Moura.

A prova de Guadalajara foi apenas a quarta maratona da carreira de Solonei. O suficiente, porém, para mostrar o talento do atleta e transformar sua vida também fora das pistas.

– Surgiu uma visão diferente. Minha mente está bem ampla. Há três anos, eu estava acomodado, não tinha completado o Ensino Médio. Agora, me formei, pretendo prestar vestibular e fazer faculdade de educação física. Espero correr até os 40 anos e, depois, trabalhar no atletismo, nas categorias de base.

Fonte: Globo Esporte

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