Tereza Ferraz: Simone de Beauvoir – Drop 2

Capitulo I   –   INFÂNCIA

 

NINGUÉM nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psiquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um individuo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferenciada. Entre meninas e meninos, o corpo é, principalmente, a irradiação de uma subjetividade, o instrumento que efetua a compreensão do mundo: é através dos olhos, das mãos e não das partes sexuais que aprendem o universo. O drama do nascimento, o da desmama desenvolve-se da mesma maneira para as crianças dos dois sexos; têm elas os mesmos interesses, os mesmos prazeres; a sucção é inicialmente, a fonte de suas sensações mais agradáveis; passam depois por uma fase anal em que tiram, das funções excretórias que lhe são comuns, as maiores satisfações; seu desenvolvimento genital é análogo: exploram o corpo com a mesma curiosidade e a mesma indiferença; do clitóris e do pênis tiram o mesmo prazer incerto; na medida em que já se subjetiva sua sensibilidade, voltando-se para a mãe: é a carne feminina, suave, lisa, elástica que suscinta desejos sexuais e esses desejos são preensívos; é de uma maneira agressiva que a menina, como o menino, beija a mãe, acaricia-a, apalpa-a; têm ciume se nasce outra criança; manifestando-no da mesma maneira: cólera, emburramento, distúurbios urinários;  recorrem aos mesmos ardis para captar o amor dos adultos.

Fonte: Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

+ sobre o tema

Seminário reúne mulheres para discutir economia e política no Rio de Janeiro

Quando o sol nasce, a mulher negra desce morro...

Após polêmica em Brasília, Letícia Sabatella participa de ‘deitaço’ no asfalto

Depois de noitada com amigos, atriz deitou no asfalto...

A tragédia anunciada durante uma década

Era fim de ano, tempo de comemorar a chegada...

para lembrar

Quadrinista Tailor: “As pessoas têm problemas em rever privilégios”

Artista quer desistir do curso de Jornalismo para usar...

Uma em cada cinco mulheres já fizeram aborto no Brasil

Jornalistas percorreram capitais brasileiras...

Subcelebridades do ódio atacaram aborto de menina para se promoverem

Insanidade não explica o que leva um grupo de...
spot_imgspot_img

Mãe Hilda de Jitolú, a matriarca do Ilê Aiyê

Em 1988, quando uma educação afrocentrada ou antirracista ainda não estava no imaginário brasileiro, uma mulher preta que nunca frequentou a escola abriu sua casa, em Salvador (BA)...

Aos 80 anos, Zezé Motta celebra uma carreira de grandes feitos e garante: “Eu não paro!”

É com um sorriso solto e uma presença indescritível que Zezé Motta conversa comigo no camarim do estúdio onde fotografamos as imagens e a capa que...

Justiça nega aborto legal de adolescente de 13 anos após seu pai pedir manutenção da gravidez

Uma adolescente de 13 anos que vive em Goiás teve o aborto legal negado pelo TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), após o pai da jovem...
-+=