Tom Morello: “o racismo é tão americano quanto a torta de maçã e o beisebol”

O guitarrista Tom Morello falou sobre racismo e sua relação com os fãs, a polícia e os Estados Unidos.

Numa conversa com Dan Reynolds do Imagine DragonsBloody Beetroots e Shea Diamond nesta quinta-feira, dia 9, para divulgar a faixa “Stand Up”, que eles lançaram em parceria recentemente, o artista relembrou de alguns momentos de sua vida.

Em determinado momento, ele contou sobre quando no auge do sucesso e fortuna do Rage Against The Machine, andava com seu carro velho em Beverly Hills e era parado pela polícia.

Por que há um negro de trinta e poucos anos neste bairro?

O artista revelou inclusive que já foi algemado nessa época, apenas por estar saindo de um bar e voltando para casa vestindo preto.

Tom Morello

Sobre a relação com os fãs, ele diz que pelo menos uma vez por mês recebe mensagens em suas redes sociais de gente o dizendo que ele não é negro, ainda mais quando posta conteúdo ativista sobre racismo.

Garanto-lhe que a Ku Klux Klan do norte de Illinois pensa que eu sou negro.

Morello diz que entende a visão dessas pessoas por ele ser um cara que tinha suas músicas tocando em rádios de rock com artistas predominantemente brancos, por ele não falar as gírias que as pessoas negras americanas normalmente falam e porque raça em si é uma coisa difícil de se discutir nos Estados Unidos.

O racismo neste país é tão americano quanto a torta de maçã e o beisebol.

Para ele, o problema está entrelaçado no DNA das pessoas, que enxergam a crítica ao racismo como uma crítica ao país.

Tom Morello cita como exemplo a questão dos monumentos históricos espalhados pelas cidades exaltando pessoas racistas e diz que o acerto de contas será muito difícil, por causa dos mitos dos supremacistas brancos que foram tecidos na história do país.

George Washington uma vez trocou um homem negro por um barril de melaço. Thomas Jefferson tinha como propriedade e estuprou Sally Hemings, de 14 anos, com quem teve vários filhos.

Ele finaliza sua fala dizendo que as pessoas sentem que os Estados Unidos foram ensinados a acreditar que seus corações estão sendo ameaçados pela verdade.

 

 

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