Ufba sedia terceira edição do Fórum Negro de Arte e Cultura

Programação homenageia o Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento

Por Marília Moreira, do Correio 24 Horas

Abdias Nascimento (Foto:  Luiz Paulo Lima)

Explorar a multiplicidade de saberes dos povos negros em diversas perspectivas, tanto nas artes, quanto na filosofia e outras linguagens. É esse o propósito do Fórum Negro de Artes e Cultura (FNAC), que acontece de segunda a sexta (18 a 22 de março), na Ufba.

Em sua terceira edição, o evento segue ampliando as conexões e o diálogo entre universidade e sociedade com a participação de representantes da cultura popular, acadêmicos, quilombolas e artistas das mais variadas áreas (dança, teatro, belas artes e música).

“Nossa primeira edição foi restrita à Escola de Teatro, atendendo a uma reivindicação que começou lá. No segundo ano, já incluímos a dança. Hoje, o “A” e o “C” do FNAC integra arte e cultura, e não só mais as artes cênicas”, explica Alexandra Dumas, coordenadora do evento.

Ela lembra que a primeira edição ocorreu em 2017, fruto de uma insatisfação coletiva – dos estudantes da graduação, estudantes da pós-graduação e alguns professores engajados – referente ao recalcamento dos conhecimentos afro-referenciados na universidade.

“Eu fui aluna da escola nos anos 90 e , como aluna, eu posso avaliar o período em que estudei e o agora, no qual sou professora. É muito perceptível a mudança, inclusive visualmente. A diversidade que vemos hoje na Escola de Teatro é resultado de ações públicas. Isso começa a reverberar como ação, como presença, e a gente passa também a discutir o papel da universidade frente ao racismo estrutural”, avalia.

O tema escolhido para a edição sintetiza essa abertura: Xirê dos Saberes: (Re) Conhecer, Existir. O 3º FNAC homenageia o Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento (1914- 2011). Por isso, diversas ações lembram o legado do intelectual paulista. “Vamos pôr em prática o que Abdias chamava de quilombismo, conceito que celebra os saberes tradicionais como força da mobilização política dos negros nas Américas, a partir dessa alegria de estar junto”, comenta Dumas.

No último dia de evento, o performer Milsoul Santos, artista representante do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros, do Rio de Janeiro, apresentará o poema Padê de Exu Libertador, de Abdias. No mesmo dia, ocorrerá o lançamento do livro O Quilombismo, de Abdias Nascimento (Editora Perspectiva / IPEAFRO) e exibição de dois filmes sobre a vida e obra deste intelectual  brasileiro.

Espetáculos, oficinas, conferências, ciclos de leituras dramáticas, feira afro, exposição de trabalhos acadêmicos, mesas de discussão, painéis de artes, exibição de filme e lançamento de livros compõem a programação.

Dentre os nomes de destaque, estão Emanuel Aráujo, artista plástico baiano e diretor do Museu AfroBrasil (SP), que participará da Conferência de Abertura, ao lado da antropóloga Ana Lúcia Lopes e do psicólogo Márcio Farias; o filósofo Renato Noguera, que na terça, às 10h, apresentará o conceito de afroperspectividade; e os baianos Antônio Olavo, Jaime Sodré, Lindinalva Barbosa (CEAO, Pós- Afro) e Iraildes Nascimento (diretora da Escola Ilê Axé Opô Afonjá).

Para participar, é preciso se inscrever no site oficial do evento (onde também está disponível a programação completa) e fazer o credenciamento no dia 18 de março, das 8h às 16h, no Foyer do Teatro Martim Gonçalves, mediante a doação de 1kg de alimento.

A diversidade que vemos hoje  é resultado de ações públicas. Isso começa a reverberar como ação, como presença, e a gente passa também a discutir o papel da universidade frente ao racismo estrutural – Alexandre Dumas, professora da Escola de Teatro e coordenadora do 3º FNAC

Serviço
O QUÊ: 3º FNAC – Fórum Negro de Cultura e Artes
QUANDO: De 18 a 22 de março (segunda a sexta)
Inscrições: No site oficial do evento; credenciamento no dia 18, no Foyer do Martim Gonçalves
ONDE: Ufba (PAFs 4 e 5; Escola de Teatro, Escola de Dança e Escola de Belas Artes); Goethe Institut, Sede do Ilê Aiyê, Casa Rosada

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