Violência na Guiné-Conacri após vitória histórica de Alpha Condé

Líder da oposição alcançou 52,5% dos votos, o que significa o fim de 52 anos de regimes ditatoriais ou autoritários.

A festa de celebração da vitória de Alpha Condé nas presidenciais da Guiné-Conacri ficou marcada pelos confrontos entre os apoiantes do candidato derrotado, Cellou Dalein Diallo, e as autoridades. Segundo a AFP, que cita várias fontes, há pelo menos quatro mortos.

Nas primeiras eleições livres desde a declaração da independência de França, em 1958, o histórico líder da oposição alcançou 52,5% dos votos na segunda volta. Na primeira, tinha ficado em segundo lugar, não indo além dos 18% dos votos. Diallo, um antigo primeiro-ministro que obteve 47,5% (44% na primeira volta, em Junho), já anunciou que pretende apresentar uma queixa por fraude na Comissão Eleitoral.

“Lancei um apelo à calma na segunda-feira para indicar que a paz e a segurança das pessoas não tinham preço. Mas as forças de segurança continuam a assassinar e a reprimir com uma brutalidade selvagem”, denunciou Diallo, aos jornalistas da AFP e da RFI. O candidato derrotado acusou as autoridades de atacarem a sua etnia, os fulas. Condé é mandinga.

Uma testemunha que vive num dos bairros de Conacri que apoiaram Diallo disse à agência francesa que, apesar de ontem os muçulmanos celebrarem o Eid al-Adha, poucos arriscavam sair à rua para as orações. Outros falavam de “confrontos entre mandingas e fulas e acusavam as autoridades de atirar sobre as pessoas, insultá-las e agredi-las.

“Dedico esta vitória a todos os guineenses sem distinção, a todos os que votaram em mim e a todos os que fizeram uma escolha diferente”, afirmou o presidente eleito. “Chegou a hora de trabalharmos juntos num espírito de concordância e fraternidade. Serei o presidente da mudança. Serei o presidente da reconciliação nacional e do progresso”, acrescentou Condé.

O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Ocidental, Said Djinnit, indicou que a situação estava calma no país, apesar de “incidentes isolados”.

A Guiné-Conacri é governada desde Janeiro por um Governo interino, liderado pelo general Sekouba Konate. Os militares assumiram o poder em 2008, após a morte de Lansana Conté, que esteve à frente dos destinos do país durante 24 anos. Apesar de ser o maior exportador mundial de bauxite, a principal matéria prima no fabrico de alumínio, a Guiné-Conacri é um dos países mais pobres de África.

O sector das minas é um dos que poderá beneficiar com uma transição pacífica do poder militar para o civil. Tal poderá abrir as portas ao investimento externo. Mas o futuro líder também já disse que vai rever os actuais contratos, de forma a garantir uma maior parcela de lucros para o Estado.

 

Fonte: DN GLOBO

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