sexta-feira, janeiro 14, 2022
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Você conhece Antonieta de Barros?

Provavelmente caro leitor você nunca deve ter ouvido falar dessa importante figura catarinense e nacional. Antonieta nasceu em Florianópolis no começo do século XX um período marcado por um intenso racismo e exclusão. Por isso Antonieta teve que enfrentar um triplo preconceito, por ser mulher, por ser negra e ainda por ser pobre. Essas barreiras não impediram de Antonieta se formar na Escola Normal Catarinense em 1921, em Português e Literatura. Mais Antonieta foi além e um ano após sua formatura fundou “Curso Particular Antonieta de Barros”, que tinha como objetivo alfabetizar a população carente, pois Antonieta entendia que o analfabetismo impedia “gente de ser gente”. Nos seus textos para o Jornal “A semana” periódico fundado e dirigido por ela, é possível ver a sua grandeza intelectual como pode ser visto neste trecho: “As criaturas (…) necessitam para viver, no sentido humano da palavra, de cultura. (…) Sem cultura não se consegue a independência moral, apanágio de todos que são genuinamente livres, senhores da sua consciência, conhecedores do seu valor, integralizados na sua individualidade”. A palavra cultura estava relacionada com a educação para Antonieta.

Enviado por Rafael Jose Nogueira via Guest Post para o Portal Geledés 

No ano de 1934, se destaca na defesa do direito ao voto das mulheres. É eleita pelo Partido Liberal Catarinense como a primeira deputada estadual negra do país e de Santa Catarina e a primeira deputada mulher do nosso estado. Antonieta tinha clareza que a invisibilidade da mulher no campo político não era natural, mas sim fruto de questões culturais como o machismo presente na sociedade. Portanto Antonieta mulher, negra e pobre veio para romper com vários estereótipos existentes na época. E principalmente destruir a “ordem natural” das coisas. Sempre questionadora ao discutir sobre a constitucionalidade do voto feminino em seus textos questiona: “Que seremos nós, as mulheres? Irracionais ou domesticadas? É isto que está agonizante e querem reviver […]. Inferior aos próprios irracionais, doméstica e domesticada, se contentará, eternamente em constituir a mais sacrificada metade do gênero humano?”. Durante sua campanha eleitoral em 1934 o jornal “Correio de amanhã” coloca Antonieta como o símbolo das lutas das mulheres catarinenses: “Eleitora. Tens em Antonieta de Barros a nossa candidata, o símbolo das mulheres catarinenses, queiram ou não os aristocratas de ontem”. Antonieta vivendo em uma sociedade machista, racista e burguesa que não via as mulheres como sujeitas de sua História foi além junto com outras mulheres destacadas dando inicio a uma mudança que abriu caminho para a mulher brasileira ser protagonista de sua vida e ter mais voz nacionalmente.

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