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Zumbi vive!

Eu voltava da Federal quando vi escrito em um viaduto recém-construído na Avenida Caxangá, uma das mais movimentadas do Recife, a frase “Zumbi vive”. Aquilo me ecoou na alma. Toda a história do líder que lutou contra a escravidão me foi rememorada. No mesmo viaduto também estava escrita a mensagem “Levante contra o extermínio da juventude negra”. Essas palavras me sacudiram da mesmice, me fizeram esquecer por alguns minutos as músicas que escutava no smartphone para refletir sobre um assunto que é sempre polêmico mas é sempre necessário.

Envidado por Jaqueline Fraga via Guest Post para o Portal Geledés

“Zumbi vive”. “Levante contra o extermínio da juventude negra”. Eu vi novamente essas mensagens em outro viaduto mais adiante. As vi também em algumas paredes da mesma Avenida Caxangá. Pensei comigo que elas talvez fizessem parte da ação de grupos militantes – acabei descobrindo após algumas pesquisas que é verdade – e tenho pra mim que cumpriram o objetivo inicial: nos lembrar da necessidade diária do combate ao preconceito. Zumbi vive porque continuamos a lutar contra o racismo. Zumbi vive porque o Brasil se autodeclara um país sem preconceitos, mas não é. A cada dia um novo episódio envolvendo crime racial aprece.

Comentei uma vez no Facebook que quando os casos envolvem pessoas públicas os agressores tendem a sofrer punição. Mas e os tantos anônimos que são ofendidos no seu dia a dia? Foi com esse pensamento que fui em busca dos dados sobre o “extermínio da juventude negra” e, como era de se esperar, não são nem um pouco agradáveis.

De acordo com o Mapa da Violência publicado em 2013 pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americano (Cebela), a cada três assassinatos cometidos no Brasil, dois são de jovens negros entre 15 e 24 anos. Esses dados são reforçados pela pesquisa Participação, Democracia e Racismo, divulgada no mesmo ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A análise publicada pelo instituto aponta que a população negra é duplamente discriminada no Brasil: pela cor de sua pele e por sua condição social. Essa conclusão me fez lembrar de uma conversa que tive na época de colégio com colegas do meu 3º ano do Ensino Médio.

Se não me falha a memória, nós discutíamos sobre a política de cotas que estava se formando e, ao ser questionada sobre o porquê de a reserva de vagas ter foco na pele e não na classe social, indaguei: “Vai ver é porque a maior parte da população pobre é negra”.

Os anos passaram mas a realidade não mudou tanto. Talvez ainda sejam necessários muitos anos para que a igualdade de fato aconteça. Mas Zumbi está aí para nos lembrar da importância da luta e nós estamos aqui para continuar em busca desse ideal. Zumbi Vive!, em mim, em você e em todos que querem um país mais justo.

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