11ª Marcha de Mulheres Negras de São Paulo reafirma luta por justiça por Luana Barbosa 

27/07/26
Por Beatriz de Oliveira
Com cortejo, apresentações artísticas e discursos de ativistas, o ato teve como mote a luta por reparação, Bem Viver e participação política

Neste sábado (25), centenas de marchantes se reuniram na Praça Franklin Roosevelt, no centro de São Paulo (SP), para reivindicar Bem Viver, reparação, democracia e presença de mulheres negras nos espaços de decisão e poder. A 11ª Marcha de Mulheres Negras de São Paulo pautou ainda os 10 anos do assassinato de Luana Barbosa, mulher negra, lésbica, periférica e mãe. 

“Estamos aqui na 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, um ato que busca reparação e Bem Viver para as mulheres negras. Estamos aqui também para lembrar Luana Barbosa e destacar: nenhuma mulher negra a menos, queremos reparação, justiça e, principalmente, Bem Viver para as mulheres negras de São Paulo e de todo Brasil”, afirmou Suelaine Carneiro, coordenadora de Educação e Pesquisa de Geledés – Instituto da Mulher Negra. 

A ação celebrou o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. Sob o mote “Há 10 anos por Luana Barbosa e por todas nós! Por direitos, reparação e Bem Viver! Mulheres negras nas ruas e nas urnas!”, a programação contou com o tradicional cortejo pelas ruas, intervenções culturais e artísticas, falas de parlamentares, candidatas, ativistas e representantes de movimentos sociais. Houve ainda uma aula pública com as intelectuais Cida Bento, Lenny Blue e Astrogilda.

10 anos de Marcha e de luta por justiça para Luana Barbosa 

“Faz 10 anos que nós estamos lutando por justiça, para que a minha irmã tenha direito a um júri popular, para que os policiais sejam condenados e paguem pelo crime bárbaro que eles cometeram”, disse Roseli Barbosa, irmã da vítima. Relatou também o apoio que recebeu de Geledés para a busca por justiça no caso. 

Em abril de 2016, na cidade de Ribeirão Preto (SP), Luana Barbosa e seu filho foram abordados por três policiais militares. Durante a ação, Luana explicitou seu direito de ser revistada por uma policial mulher. Entretanto, foi brutalmente espancada.Três dias depois, faleceu em decorrência de lesões cerebrais causadas pelas agressões. 

“Foi a luta por justiça para Luana que levou milhares de mulheres negras às ruas naquele primeiro 25 de Julho de 2016. Dez anos depois, nenhum dos assassinos foi preso. Não há justiça para Luana nem para sua família. Permaneceremos nas ruas até que ela exista, assim como jamais abandonamos as ruas até que os mandantes do assassinato de Marielle Franco fossem condenados. Não vão nos parar”, diz um trecho do manifesto da Marcha. 

Dessa forma, o ato de 2026 também demarcou os 10 anos de mobilizações da Marcha de São Paulo. Por isso, os discursos e intervenções do encontro buscaram recuperar a trajetória construída ao longo desse período, além de analisar os desafios do presente e projetar os próximos anos da organização política das mulheres negras.

“Esse ano de 2026 estamos aqui de novo ocupando o centro da cidade para reivindicar direitos para as mulheres negras, para a população negra. Esse ano é muito especial, a 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo. Há 10 anos estamos marchando, caminhando, lutando”, destacou a socióloga Fernanda Chagas. 

Neon Cunha, ativista dos movimentos de mulheres negras e LGBTQIAPN+, pontuou que: “celebrar a Marcha, celebrar a vida das nossas griôs e, especialmente, o que uma mulher negra provoca com a sua vida ou mesmo com a sua morte, como Luana Barbosa que faz a gente refletir o lugar das mulheres negras, suas identidades de gênero, sua orientação sexual”.

Fotos: Beatriz de Oliveira e Tatiana Pereira/Geledés – Instituto da Mulher Negra

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