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5 vozes negras da Flip 2017 que você precisa conhecer

5 vozes negras da Flip 2017 que você precisa conhecer

Destaques na programação oficial, escritores prometem alargar pontos de vista sobre questões de identidade e raça.

Por Amauri Terto, do  HuffPost Brasil

Cinco grandes escritores do Brasil e do exterior estão em destaque na 15ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que começou na quarta-feira (26) e vai até domingo (30).

Paul Beatty, Marlon James, Edimilson de Almeida Pereira, Ricardo Aleixo e Lázaro Ramos participam da programação oficial do maior evento literário do País em mesas que prometem alargar pontos de reflexões sobre identidade e raça.

Professor na Universidade Columbia e uma das grandes vozes da literatura norte-americana na atualidade, Paul Beatty foi o primeiro negro a ganhar o Man Booker Prize na categoria ficção com a sátira racial O Vendido, recém-publicada no Brasil pela editora Todavia.

“Meu trabalho é descrever da mesma maneira um tiroteio e um beijo”, afirmou o Marlon James sobre sua literatura em entrevista ao El País. Também professor EUA, o jamaicano é autor do Breve História de Sete Assassinatos, romance premiado que explora com riqueza de detalhes e alta performance um período conturbado da história da Jamaica.

Poeta e intelectual brasileiro, Edimilson de Almeida Pereira publica poesias e ensaios desde a década de 80. Admirado pela crítica especializada, tem uma escrita considerada densa e cerebral sobre questões que permeiam cultura popular, religiosidade e tempo.

“Gosto de trabalhar dois ou três textos ao mesmo tempo. Lido assim com a poesia, procurando arquitetar os textos a partir de perspectivas estéticas e temáticas diferenciadas”, revelou o autor à Folha de S. Paulo. Ele acaba de lançar um novo livro, Qvasi, pela editora Editora 34.

Outro autor negro brasileiro reverenciado no mundo da poesia que está sob os holofotes da Flip este ano é o mineiro Ricardo Aleixo, cuja estreia na poesia ocorreu em nos anos 90. Autodidata, o autor se tornou curador de festivais e eventos ligados à literatura, sem deixar publicar uma poesia tida como direta, de viés social e, por vezes, irônica.

Provavelmente a voz negra mais popular do evento, Lázaro Ramos é hoje uma importante voz da militância pela igualdade racial no País.

Dessa condição nasceu seu novo livro, Na Minha Pele, publicado pela editora Objetiva, que traz histórias pessoas em torno da questão racial. “A questão da discriminação não deve ser um problema apenas dos negros”, disse o ator e escritor em entrevista ao HuffPost Brasil.

A seguir, o HuffPost Brasil destaca as principais obras dessas vozes negras que compõem uma Flip inédita no que diz respeito ao número de escritoras e escritores negros convidados.

1. O Vendido, de Paul Beatty

MONTAGEM/DIVULGAÇÃO

Nascido em Dickens, no subúrbio de Los Angeles, Eu, o narrador de O VENDIDO, passou a maior parte da juventude como cobaia para estudos raciais realizados por seu pai, um polêmico sociólogo. Quando o pai é morto em um tiroteio com a polícia e Dickens desaparece do mapa da Califórnia por motivos políticos e econômicos, Eu se junta a Hominy Jenkins, o mais famoso morador local e o último ator vivo da série “Os Batutinhas”, para tentar salvar a cidade através de um controverso experimento social: reinstaurar a segregação racial em Dickens, marginalizando brancos e negros em um plano que o levará a ser julgado pela Suprema Corte dos Estado Unidos.

Editora: Todavia

Páginas: 318

Preço: R$ 54,90

2. Breve História de Sete Assassinatos, de Marlon James

Em 3 de dezembro de 1976, às vésperas das eleições na Jamaica e dois dias antes de Bob Marley realizar o show Smile Jamaica para aliviar as tensões políticas em Kingston, sete homens não identificados invadiram a casa do cantor com metralhadoras em punho. O ataque feriu Marley, a esposa e o empresário, entre várias outras pessoas. Poucas informações oficiais foram divulgadas sobre os atiradores. No entanto, muitos boatos circularam a respeito do destino deles. ‘Breve História de Sete Assassinatos’ é uma obra de ficção que explora esse período instável na história da Jamaica e vai muito além.

Editora: Intrínseca

Páginas: 736

Preço: R$ 74,90

3. Qvasi, de Edimilson de Almeida Pereira

O livro ‘Qvasi’ (do latim “como se”, de onde vem o português “quase”) reúne as principais vertentes da pesquisa poética e intelectual de Edimilson de Almeida Pereira: literatura, antropologia, cultura popular e religiosidade. A partir de suas andanças e estudos pelo interior mineiro, o ouvido do poeta recolhe falas e falares para dar voz a seres e coisas que nem sempre têm vez nas folhas dos livros: seja um morcego, um morro ou um andarilho. Sagrado e profano, passado e presente, dito e ouvido se condensam em poemas tão cortantes quanto precisos, cuja secura é fruto da mais fina maturação. ‘NÃO, pedra ang/ ular dos sem PALAVRA’.

4. Modelos Vivos, Ricardo Aleixo

Modelos Vivos’ é o sétimo livro de poemas de Ricardo Aleixo, considerado um dos mais inventivos poetas brasileiros contemporâneos. São 75 poemas criados com técnicas diversas e dedicados ao seu amplo universo artístico, no qual linguagens e gêneros dialogam. A seleção captura a tensão entre as fronteiras de gêneros artísticos: todos os poemas representam alguma técnica artística, como a da caligrafia, a apropriação de frames de uma videoperformance, a pirogravura, a letra de canção, epigramas e peças sem palavras.

Editora: Crisálida

Páginas: 155

Preço: R$ 35

5. Na Minha Pele, de Lázaro Ramos

Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em ‘Na Minha Pele’ Lázaro compartilha episódios íntimos e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.

Editora: Objetiva

Páginas: 152

Preço: R$ 34,90

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