Além de odiar as mulheres, atirador de Santa Bárbara era racista, diz jornal americano

“Como pode garoto negro conquistar uma menina e não eu?”, dizia manifesto de Elliot Rodger

O ódio de Elliot Rodger pelas mulheres certamente foi um dos fatores que motivaram o jovem a matar seis pessoas na Califórnia, Estados Unidos, na última sexta-feira (23). Mas especialistas ouvidos pelo jornal americano New York Daily News apontam outro fator para o crime: o racismo.

Segundo um extenso manifesto escrito pelo jovem, seus inimigos não eram apenas as belas meninas que se recusavam a sair ou namorar com ele. Elliot também sentia raiva dos colegas negros que, segundo o manifesto, recebiam muito mais atenção das meninas do que ele.

“E então este garoto negro chamado Chance disse que perdeu a virgindade quando ele tinha apenas 13 anos! Ele disse ainda que a garota com quem ele perdeu a virgindade era uma branca e loira. Eu fiquei tão indignado que quase joguei meu suco de laranja nele (…) como pode um inferior garoto negro feio ser capaz de conquistar uma menina branca e não eu? Eu sou bonito e sou descendente de aristocracia britânica. Ele é descendente de escravos. Eu mereço muito mais”, escreveu o jovem.

Filho do assistente de direção dos filmes Jogos Vorazes, Peter Rodger, Elliot esfaqueou até a morte três companheiros de quarto da Universidade de Santa Bárbara e depois atirou aleatoriamente em pessoas na vizinhança, matando outras três.

Depois de trocar tiros com a polícia, ele foi achado morto dentro de uma BMW preta com um ferimento à bala na cabeça.

Apesar de ter se tratado de problemas mentais durante anos, o atirador de 22 anos possuía três armas compradas ilegalmente e mais de 400 balas de munição ainda não utilizadas.

O xerife de Santa Bárbara County, Bill Brown, disse que Elliot foi visitado por seus assistentes em abril, mas não ofereceu indicações de que ele era “um perigo para si mesmo ou qualquer outra pessoa”, segundo informações do jornal The New York Times.

— Ele foi capaz de inventar uma história muito convincente de que não havia nenhum problema, que ele não ia se machucar ou qualquer outra pessoa.

Em um vídeo publicado no YouTube na véspera do ataque, Elliot afirma que desde a puberdade foi ignorado pelas mulheres e por isso iria se “vingar da humanidade”.

Na gravação, aparece Elliot, que se filma no carro, e fala por sete minutos sobre sua solidão e seu ódio do mundo.

Ele também se revolta contra as mulheres que o rejeitaram e ignoraram-no nos últimos anos e promete: “Vou castigar todas vocês por isso”.

“Vou massacrar cada vagabunda loira, mimada e metida que via lá dentro, e todas essas garotas que eu tanto desejei e que me rejeitaram e me olharam com desprezo, como se eu fosse um homem inferior”, declara o jovem, no vídeo.

Fonte: R7

+ sobre o tema

Esperança de justiça une mães de vítimas da violência policial no Rio

A longa espera por justiça é uma realidade presente...

Primeira mulher trans a liderar bancada no Congresso, Erika Hilton diz que vai negociar ‘de igual para igual’

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi aclamada nesta quarta-feira como...

Estrela do Carnaval, ex-passista Maria Lata D’Água morre aos 90 anos em Cachoeira Paulista, SP

A ex-passista Maria Mercedes Chaves Roy – a ‘Maria...

para lembrar

Vereadora alvo de ofensa racista: ‘Disseram que era liberdade de expressão’

Em entrevista ao UOL News, a vereadora Paolla Miguel (PT-SP)...

Não queremos mais Marielles

Às vésperas do Dia Internacional dos Direitos Humanos, vereadores negros...

Supervisor acusa vereador de Embu das Artes de racismo: “Todo preto fede”

O supervisor Izac Gomes, de 57 anos, acusou hoje...

Cotas no ensino superior: uma política bem-sucedida

Para um país que historicamente se pensava como uma...
spot_imgspot_img

Por que ser antirracista é tão importante na luta contra a opressão racial?

O Laboratório de Estudos de Gênero e História, da Universidade Federal de Santa Catarina, lança nesta quarta-feira (21) o quinto vídeo de sua campanha de divulgação...

Moção de solidariedade da UNEGRO ao Vai Vai 

A União de Negras e Negros Pela Igualdade (UNEGRO), entidade fundada em 1988, com  longa trajetória na luta contra o racismo e suas múltiplas...

Perfeição do racismo brasileiro transforma algoz em vítima

O racismo é um crime perfeito. É com essa frase que o antropólogo Kabanguele Munanga, uma das maiores autoridades do Brasil em estudos raciais, define...
-+=