Guest Post »

Allahu Akbar

E a islamofobia se agiganta, na medida que a direita avança na Europa.

Reprodução/ Twitter

Por Lelê Teles Enviado para o Portal Geledés

veja como se formata um discurso, como se constrói uma narrativa: o cara mata, em seguida matam o cara e assim ninguém fica sabendo o real motivo de sua fúria.

embora todo mundo afirme tratar-se de um atentado terrorista de matriz islâmica.

uma semana depois seguem noticiando: “até agora nenhum grupo assumiu a autoria do crime.”

até agora, anotem essa.

os governantes e os jornalistas seguem afirmando que foi terrorismo, que o cabra se chamava morraméde e que foi um duro golpe no coração da civilização: “justamente no dia da bastilha, e em um momento de festa, para mostrar que o Daesh detesta os valores ocidentais e abominam o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

um clichezão.

sem falar que para qualquer cidadão francês pobre e descendente de pais que viveram em ex-colônias francesas, não importa a religião, esse lema é uma afronta.

mas sigamos com a narrativa do “até agora…”

os caras do Daesh falam assim um pro outro: “mano Morraméde, se ninguém diz que fez, vamos botar na nossa conta, é bom pá nóis”.

aí volta a histeria por mais duas semanas: Estado islâmico (a mídia velha prefere chamá-los assim) assume autoria do atentado mais cruel já ocorrido em solo francês, o mundo está em alerta>

amigão, se o Daesh adora marketing, por que diabos esses caras não aparecem na cena do crime com uma bandeira, uma camiseta ou qualquer símbolo que associe diretamente o ato terrorista ao grupo vaidoso?

porque trataa-se de fuleiragem.

já chegaram a encontrar passaportes nos bolsos de homens bombas, mas nunca uma carteirinha do clube.

agora, começa mais uma temporada de histeria.

no Rdjanêro já estudam medidas a serem adotadas durante os jogos olímpicos, acho que vão impedir camibnhões de sairem das garagens.

é uma intoxicação típica do midiotismo.

tudo um sensacionalismo barato e desinformado.

vejam essa imagem que curiosa: o G1 falou logo depois que o caminhão desligou os motores em Nice: “os terroristas…”, assim, no plural.

aliás, todo mundo falou no plural, terroristas.

o diabo é que metralharam o caminhão e mataram o cabra.

era um cara só.

falei, bom deve ser um Cavalo de Tróia com tração nas quatro rodas, daqui a pouco sai um monte de barbudo ali de dentro abrindo fogo: allahu akbar, allahu akbar…

nada. era só um cara mesmo.

mas para alimentarem a narrativa de um grupo, um bando, uma célula do terror, insistem: “autoridades ainda não sabem se haviam outros envolvidos; polícia francesa procura possíveis cúmplices…”

os midiotas, envenenados pela narrativa que vem desde 11/9, dizem: “malditos muçulmanos, loucos, incivilizados e incivilizáveis, ódio religioso, alá é o cacete, morte ao islam…”

ódio sobre ódio.

aí eu te pergunto.

porque sempre ressaltar a religião de um assassino somente quando ele é muçulmano?

Breivik, o tarado que abriu fogo em um acampamento na Noruega, em julho de 2011, matando 76 jovens, era branco, cristão fundamentalista e de extrema-direita.

a religião não foi o tema desse massacre, ninguém saiu ofendendo cristãos nas ruas, nem mandando-os de volta às catacumbas de Roma.

o cara que abriu fogo em uma igreja na Carolina do Sul, nos Esteites, em junho de 2015, matando uma dezena, não foi chamado de terrorista.

porque é cristão, branco, e matou pretos.

Thimothy McVeigh, esse sim, bigodudo, branco, hater, e cristão fundamentalista, deixou uma van carregada com duas toneladas de dinamite no estacionamento de um prédio em Oklahoma City, em abril de 1995, matando 168 cabeças.

foi chamado de terrorista, mas ninguém acusou Jesus Cristo de ser o responsável, o autor intelectual do massacre.

só Allah é o responsável.

o diabo é que os caras que jogaram duas bombas atômicas no Japão não eram seguidores de Allah, Hitler parece também não ter se convertido ao islã, os caras que trouxeram negros em navios, debaixo de chibata, eram brancos e andavam com cruzes no pescoço…

por que, Zeus, por que criminalizarem esses morenões barbudos.

há um bilhão deles na terra, se eles fossem tão cruéis como os cristãos o mundo já teria acabado.

tentaram associar o cara que metralhou 50 na boite Pulse, em Orlando, ao terrorismo islâmico. lembram-se?

é um terrorismo midiático/militar, um simulacro ideológico, um discurso político perigoso.

e o pior, um discurso de ódio.

palavras sapienciais.

 

 

** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

Related posts