Doreen Pechey éuma bailarina da Royal Academy aos 71 anos

Doreen Pechey passou no exame de admissão dois anos depois de implantar uma prótese no joelho

Por PATRICIA TUBELLA, do El Pais 

Antes tarde do que nunca, reza o ditado que levou uma aposentada do sudeste da Inglaterra às manchetes da imprensa nacional, onde aparece vestindo o bodye o tutu da dança clássica. Aos 71 anos, Doreen Pechey acaba de se tornar a bailarina mais velha do Reino Unido, depois de ser admitida na Royal Academy of Dance.

O ideal de prima ballerina pode não estar ao alcance de Pechey, mas, com seu ingresso no prestigioso centro de formação, ela realizou um sonho de infância que as dificuldades econômicas de sua família haviam impossibilitado. E isso apenas dois anos depois de implantar uma prótese no joelho. Ela prestou o exame da academia centenária em julho e, nesta semana, recebeu a aprovação que a própria instituição divulgou no Facebookcom uma mensagem de felicitação.

A engenheira elétrica aposentada concorreu ao exame de sexto grau em uma área cujo programa se concentra na fruição da dança e na interpretação, mais que na técnica. Para conseguir luz verde, no entanto, dedicou a última década a aprender, primeiro em aulas com alunos de idade avançada (entre os quais o balé se revelou crescentemente popular) e depois em sessões particulares, três vezes por semana.

Criada em Sothend-on-Sea e hoje residente em Goring-on-Times, também do sudeste da Inglaterra, Pechey não tinha recursos para se matricular numa escola de dança na juventude. E, quando o dinheiro já não era um impedimento, estava mergulhada nos estudos de engenharia elétrica com a intenção de exercer uma profissão que era, naquele tempo, território majoritariamente masculino. Aos 61 anos, e a um passo da aposentadoria depois de uma carreira produtiva, a visita a uma sobrinha residente no Canadá, professora de balé, a convenceu de que nunca é tarde para a dança.

“Quero que os idosos se deem conta de que podem fazer muitas coisas… Como aprender a dançar, que é muito bom”, declarou a aposentada sobre a mudança física e mental que experimentou com a prática. Quando resolveu enfrentar o desafio, usava manequim 48 (europeu), mas agora diminuiu para 40 e se sente mais flexível e em forma. O balé também contribuiu para a recuperação da cirurgia no joelho, além de lhe dar mais autoconfiança.

Continue lendo aqui

+ sobre o tema

A soprano negra que desafiou as regras sobre quem podia cantar ópera no século 19

Americana e ex-escrava, Elizabeth Greenfield abriu caminho para várias...

Por 8 a 3, Supremo aprova a criminalização da LGBTfobia

Crimes de ódio contra a população LGBT serão punidos na...

No Dia Laranja, ONU Brasil aborda violência de gênero contra mulheres trans e travestis

Para marcar este 25 de janeiro, #DiaLaranja pelo Fim...

Jovens portugueses acham “natural” agressões no namoro

O número é enorme e preocupante: 27% dos jovens...

para lembrar

Capital, pandemia e os papéis do feminismo

Ultraliberais querem decidir quem vive ou morre. A maioria...

Homem mata ex-esposa e é capturado caminhando tranquilamente na rua

Homem que matou ex-esposa é capturado por parentes da...

Confissões de uma mulher em crise

Acredito que muitas pessoas passem por crises existenciais em...

Arany Santana é anunciada como nova secretária da Cultura da Bahia

Ela substitui o professor Jorge Portugal, que pediu demissão...
spot_imgspot_img

O que está em jogo com projeto que torna homicídio aborto após 22 semanas de gestação

Um projeto de lei assinado por 32 deputados pretende equiparar qualquer aborto realizado no Brasil após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio. A regra valeria inclusive para os...

Justiça brasileira não contabiliza casos de homotransfobia, cinco anos após criminalização

O STF (Supremo Tribunal Federal) criminalizou a homotransfobia há cinco anos, enquadrando o delito na lei do racismo —com pena de 2 a 5 anos de reclusão— até que...

Maria da Conceição Tavares: quem foi a economista e professora que morreu aos 94 anos

Uma das mais importantes economistas do Brasil, Maria da Conceição Tavares morreu aos 94 anos, neste sábado (8), em Nova Friburgo, na região serrana do Rio...
-+=