Câncer de Mama: Pesquisa mostra preconceito dos homens

Dos 400 homens ouvidos pela pesquisa do Data Popular, 38% consideram que o diagnóstico de câncer de mama pode acabar com um relacionamento e 75% acham que a doença acaba com a vaidade de qualquer mulher.

por MARIANA LENHARO,

A psicóloga Camila Araújo, que atende pacientes com câncer de mama no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, conta que já viu muitos casos de maridos que acabam se separando de suas mulheres quando elas chegam ao fim do tratamento. ‘Para algumas pacientes, o baque é muito forte e a autoestima acaba afundando mesmo depois de uma separação’, diz.

As mulheres, por outro lado, elegem o companheiro como a primeira pessoa para quem contariam sobre a doença, caso fossem diagnosticadas: 42% assim o fariam, antes da mãe (24%) e dos filhos (20%).

O levantamento também põe em xeque a participação do homem no estímulo à prevenção do câncer de mama: 36% não citam a mamografia ou o raio X de mama como exames importantes a serem realizados pela mulher com regularidade. Outro achado é que 45% nunca estimularam ir com elas ao ginecologista ou fazer exames ginecológicos). Dos que têm contato com a mãe, 55% também não desempenharam esse papel em relação a ela.

Para a mastologista Rita Dardes, a pesquisa mostra que o homem deve estar mais presente na prevenção do câncer de mama.O homem tem um papel superimportante como disseminador de informação para a mulher. Se a mulher tiver um parceiro ponta firme, que a lembre de fazer os exames, é um estímulo. Ela aponta que esse papel deveria ser estimulado em campanhas. ‘Os homens, no Brasil, não estão ligados nem com a saúde deles, o que dirá da esposa. Há de ter um trabalho para estimular essa comunicação.’

A mastologista Maira Caleffi, da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), conta que a maioria dos homens tem muita dificuldade de comparecer às consultas com a companheira no início. ‘Depois a gente explica que é importante o companheiro ficar junto e eles começam a aderir. Alguns fogem e nunca mais aparecem. Mas a maioria adere. Tem de haver uma sensibilização do patologista, que deve convencer o casal da importância da presença do companheiro.’

 

Fonte: DM

 

+ sobre o tema

Alyne morreu e o Estado continua omisso

Em 16 novembro de 2002, morreu Alyne da Silva...

Beyoncé e o feminismo machista

Feminismo soa, ainda hoje, como algo moderno. Sociedade igualitária,...

Machismo e violência

Atrás do balcão de uma locadora de filmes, uma...

Filho adotivo de pastores gays é registrado com nomes dos dois pais na certidão

Uma vitória contra o preconceito. Assim o casal de...

para lembrar

Sobre nome social e desinformação

dois parlamentares do cerrado querem anular o decreto da...

Jurada do MasterChef Brasil conta como sofreu violência sexual

Paola Carosella aderiu à campanha #primeiroassédio, por meio do...

Condenação de Daniel Alves é medida exemplar contra o machismo, diz vice-presidente da Espanha

A segunda vice-presidente da Espanha, Yolanda Días, afirmou que a condenação...
spot_imgspot_img

O mapa da LGBTfobia em São Paulo

970%: este foi o aumento da violência contra pessoas LGBTQIA+ na cidade de São Paulo entre 2015 e 2023, segundo os registros dos serviços de saúde. Trata-se de...

Grupos LGBT do Peru criticam decreto que classifica transexualidade como doença

A comunidade LGBTQIA+ no Peru criticou um decreto do Ministério da Saúde do país sul-americano que qualifica a transexualidade e outras categorias de identidade de gênero...

TSE realiza primeira sessão na história com duas ministras negras

O TSE realizou nesta quinta (9) a primeira sessão de sua história com participação de duas ministras negras e a quarta com mais ministras...
-+=