Chacina do Jacarezinho: pelo fim da violência policial nas favelas 

Enviado por / FonteDa Comissão Arns

Nota Pública # 34 – A Comissão Arns vem a público manifestar seu mais veemente repúdio pela operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta madrugada, na comunidade do Jacarezinho, zona norte da cidade. Trata-se da investida policial de maior letalidade no Estado desde 1989, com pelo menos 25 mortos já confirmados e tiroteios que prosseguiram, sem trégua, ao longo do dia.

É inaceitável que esta chacina aconteça em meio à pandemia que castiga o país há mais de um ano, com cerca de 415 mil mortos. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer o risco aumentado de violência no período, acolheu a ADPF 635, proposta pelo Partido Socialista Brasileiro com o apoio de organizações da sociedade civil. Assim, ficam suspensas operações policiais nos morros e favelas do Rio, pelo tempo em que a pandemia perdurar, salvo em casos de alta excepcionalidade, mediante informação prévia e com o acompanhamento do Ministério Público Estadual.

O que se está vendo no Rio – uma ação desastrosa contra centenas de pessoas, autorizada pelo atual governador, Claudio Castro, sob o pretexto difuso de investigar o aliciamento de crianças e jovens pelo tráfico de drogas – configura claramente uma situação de violência do Estado, inspirada por instintos sádicos e executada com grande brutalidade. Corpos ensanguentados estão nas ruas e becos do Jacarezinho, casas foram invadidas, celulares, confiscados, moradores vivem horas de desespero.

É preciso reagir à matança! Que o governador do Rio, empossado há apenas cinco dias, assuma responsabilidades nesta malfadada operação. Que as autoridades competentes garantam a preservação dos locais onde as mortes se deram. Que o trabalho de perícia do IML seja feito dentro dos critérios técnicos exigidos, sob o olhar vigilante de toda a sociedade. E que a decisão do STF, suspendendo essas operações, seja plenamente respeitada.

+ sobre o tema

O Caçador Cibernético da Rua 13

Baseado na mitologia de Odé Oxossi, O Caçador Cibernético...

Racismo, colonialismo e falta de ar

“Quando eu ouço o que George Floyd morreu dizendo,...

Enquanto Queiroz e a mulher vão para domiciliar, jovem preso com 10 g de maconha morre na prisão de covid-19

Enquanto a Justiça soltava Queiroz e concedia prisão domiciliar...

Nosso racismo define a cor da pele dos pobres, por Mário Lima Jr.

“Se a miséria dos pobres é causada não pelas...

para lembrar

Diversidade nas empresas

Foi-se o tempo em que uma organização no momento...

Massacre de Paraisópolis: policiais militares têm segunda audiência

O Tribunal de Justiça de São Paulo retoma, no...

Triste com atos racistas na Europa, Betão cria campanha na Ucrânia

Por Felippe Costa Mais maduro pela chegada do pequeno...

Manifestação reúne mil jovens contra o governo Alckmin

Marcha pela Jornada Nacional de Lutas da Juventude...
spot_imgspot_img

Universidade, excelência e compromisso social

Em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, no dia 15 de junho, o professor de literatura geral e comparada da Unicamp, Marcos...

Mobilizações apontam caminho para enfrentar extremismo

As grandes mobilizações que tomaram as ruas das principais capitais do país e obrigaram ao recuo dos parlamentares que pretendiam permitir a condenação de...

Uma pessoa negra foi morta a cada 12 minutos ao longo de 11 anos no Brasil

Uma pessoa negra foi vítima de homicídio a cada 12 minutos no Brasil, do início de janeiro de 2012 até o fim de 2022....
-+=