Conheça a história de Shirley Chisholm, primeira mulher a ingressar na política americana

Tentativas de assassinato e preconceito marcaram a carreira da primeira mulher a concorrer à presidência dos Estados Unidos.

Por  Artur Zingano Do Blasting News

Apesar de Hillary Clinton ser a primeira mulher com chances de ocupar a cadeira presidencial do país mais influente do mundo, há 40 anos, uma representante do sexo feminino quebrou paradigmas, ao disputar à presidência dos Estados Unidos.

Shirley Chisholm (1924-2005), afrodescendente, moradora do bairro Brooklyn, em Nova Iorque, nasceu numa sociedade lapidada pelo preconceito e pela segregação. Naquela época, embora a maioria dos negros estivessem fadados a trabalhos secundários, Shirley conseguiu superar obstáculos e se eleger a primeira mulher a ocupar a Câmara dos Deputados, onde, posteriormente, fundou a bancada feminina do Congresso.

Embora as conquistas de Chisholm tenham representado uma enorme mudança na política estadunidense, sua maior ‘vitória’ veio anos depois, quando se tornou a primeira mulher negra a concorrer ao mais alto cargo do país.

Segundo informações do Smithsonian, quando ela entrou para o Congresso, em 1968, deixou claro que não teria uma posição submissa. Shirley pretendia mudar o ‘status quo’ dominante à época.

“Não tenho intenção de ficar sentada em silêncio observando. Eu pretendo me concentrar nos problemas da nação (preconceito)”, disse a nova iorquina, a todos os políticos do Congresso

E foi o que ela fez. No segundo ano como deputada, criticou a Guerra do Vietnã, prometendo votar contra qualquer despesa militar. Também atuou a favor dos diretos dos imigrantes, para que eles tivessem acesso à educação de qualidade, além de compor a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo.

Quatro anos após ingressar no Congresso, ela concorreu à presidência dos Estados Unidos, pelo partido Democrata, em 1972. Chisholm sabia que dificilmente conquistaria o maior cargo político da nação.

Seu primeiro discurso como pretensa chefe do Executivo, avaliou o preconceito de uma sociedade moralmente doente.

“Estou diante de vocês hoje, repudiando a ridícula noção de que o povo americano não vota em candidato que não seja branco, ou porque é mulher. Não acredito que em 1972, a grande maioria dos americanos continue com esse preconceito mesquinho e obtuso”, discursou.

A mulher, símbolo de mudanças, agradava a poucos e somava antipatia de muitos indivíduos poderosos, que fizeram de tudo para silenciá-la.

Campanha ‘mortífera’

Shirley Chisholm concorria com mais dois candidatos pela preferência do partido Democrata. Durante as primárias, foi alvo de diversas tentativas de assassinato. Sobreviveu a todas. Foi processada (motivo não divulgado) para ficar impedida de aparecer nos debates televisivos, apesar de ter levado suas propostas a 12 estados.

Mesmo que ela não tenha derrotado os adversários de partido, obteve 10% dos votos totais na Convenção Nacional Democrata, abrindo caminho para candidatos de outras etnias e sexo.

Numa época em que os negros eram obrigados a sentarem nos bancos de trás dos ônibus, ou usarem sanitários separados dos ‘brancos’, Shirley Chisholm conseguiu expor suas ideias no ambiente mais poderoso dos Estados Unidos, o Congresso.

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