Curso orienta professores sobre relações étnico-raciais em Macaé

Profissionais de ensino da rede municipal recebem orientações para aplicarem em sala de aula conteúdos referentes à África, à afrodescendência e a questões indígenas, ou seja, assuntos étnico-raciais. É que parceria entre a Coordenadoria Extraordinária de Igualdade Racial (Cepir) e a secretaria de Educação coloca em prática curso na sede da secretaria, que promove um novo olhar em relação ao outro. Na aula de quinta-feira (9), na sede da secretaria de Educação, os estudos sobre respeito e valorização da diversidade cultural foram abordados. As aulas seguem até o mês de junho.

por Alexandre Bordalo no Macaé

Capacitação para professores, curso de cultura afro/brasileira e indígena – Auditório SEMED. Macaé/RJ. Data: 09/04/2015. Foto: Moisés Bruno/Prefeitura de Macaé

As profissionais da Cepir Sandra Brandão e Yaisa Carolina falaram para 20 professores sobre a importância de o profissional de educação ter um modo de olhar renovado, no qual prevaleça o entendimento de que antes da diáspora africana – o deslocamento de milhões de negros para as Américas, incluindo aí o Brasil – havia civilização e contato com o mundo por parte das tribos daquele continente.

Segundo Sandra Brandão, o principal objetivo do curso, intitulado “A inserção da temática das relações étnico-raciais no currículo da Educação Básica”, é propiciar aos educadores os conhecimentos mais amplos sobre os novos conteúdos abordados na temática da História e da Cultura da África.

– Discutimos com eles a respeito da importância do olhar que valorize a cultura do negro, quando desconstruímos os estereótipos negativos em relação aos afrodescendentes – disse Sandra Brandão.

Uma política educacional imprescindível

A coordenadora da Cepir, Zoraia Braz, assinalou que a iniciativa de efetivar esse curso de formação é reforçar a determinação do Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. “Entendemos que a Cepir é o órgão facilitador da implementação dessas leis”, explica.

De acordo com a subsecretária de Educação na Saúde, Cultura e Esporte, Cláudia Campos, esse curso faz parte da intenção da secretaria de Educação de aparelhar o profissional de ensino a desenvolver seus trabalhos de modo eficaz.

– A principal proposta é instrumentalizar os educadores do município com as novas metodologias e informações para trabalhar com a temática das relações raciais, inserindo o indígena (Lei 11645/08). Esta é uma lei complementar à Lei 10.639/03, que institui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas – explica, acrescentando que grupos de trabalho dão suporte aos professores para continuarem desenvolvendo trabalhos relativos a essas leis.

O que dizem os professores

Para a professora de artes Natália Cândido (29), o curso é importante por melhorar a autoestima do aluno negro ao conhecer melhor a história mundial. Ela pensa em utilizar a história da África e os contos daquele continente, além de disseminar para os alunos assuntos como as personalidades negras em destaque na mídia. Natália dá aulas semanalmente no Colégio Maria Izabel e tem cerca de 120 alunos e alunas com idades entre 12 e 15 anos.

Já a coordenadora de ensino religioso da rede municipal de ensino, Cristiane Klein (43), comenta que faz oficinas em seis escolas da cidade sobre valores, ética e cidadania. “Esse curso sobre as questões étnico-raciais mostra a importância do outro, valoriza o ser humano como uma criatura sagrada. Nós somos diferentes, mas iguais perante nosso criador”, enfatiza.

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