“Descarregar a arma”, disse PM ao levar jovem encontrado morto no Rio

Um dos dois policiais presos sob suspeita de envolvimento na morte de um adolescente cujo corpo foi encontrado em um matagal próximo à estrada do Sumaré, no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, em junho, afirmou, minutos antes de levar o jovem para o local, que iria “descarregar a arma um pouquinho”.

A afirmação foi gravada pela câmera do carro onde os cabos identificados como Lima e Magalhães trabalhavam no dia da morte do adolescente. As imagens foram divulgadas no domingo (20) pelo “Fantástico”, da TV Globo.

O vídeo mostra a perseguição a dois adolescentes suspeitos de furto no centro do Rio de Janeiro, seguida da captura dos dois e de mais um jovem que, segundo o cabo Lima afirma, “ficou de longe assim, olhando” a perseguição.

Em seguida, com os três no carro, os PMs combinam de “ir lá pra cima” –em referência ao Morro do Sumaré—”descarregar a arma um pouquinho”. Ao chegar ao morro, que fica dentro da Floresta da Tijuca, eles fazem três paradas. Na última delas, as imagens gravadas pela câmera do veículo são interrompidas.

O vídeo recomeça com os dois PMs dentro do carro, sem nenhum dos três adolescentes dentro. O terceiro dos jovens a ser detido pode ser visto descendo o morro, após ter sido liberado pelos policiais. Eles ainda dão carona para o rapaz até a Lapa, recomendando que ele não comente o ocorrido: “Se tiver alguma fofoca ali na Uruguaiana de que tu veio aqui em cima com a gente, a gente vai atrás de tu. Escutou? Vai fingir que nada aconteceu”, diz o cabo Magalhães.

Após o corpo do adolescente ter sido encontrado, cinco dias depois, a Polícia Civil começou a investigação e descobriu que ele havia sido detido pelos PMs. A partir de então, as investigações focaram nos dados fornecidos pela câmera e GPS do carro.

Os dois policiais foram presos no dia 17 de junho, e a investigação está a cargo da Polícia Civil. O outro adolescente disse que sobreviveu aos tiros se fingindo de morto e chegou a participar da reconstituição do caso.

Fonte:  UOL

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