Espetáculo Xabisa une cultura afro-brasileira e à arte do palhaço

Espetáculo Xabisa, que une a cultura afro-brasileira à linguagem do palhaço (FOTO: Aristeo Serra Negra)

 

Inspirados no trabalho de cômicos brasileiros e internacionais e na cultura afro-brasileira, os atores Alexandre de Sena e Michelle Sá apresentam XABISA. O espetáculo propõe um encontro entre o humor dos jogos de palhaço e os elementos ancestrais da cultura afro-brasileira. Xabisa é uma palavra da língua Xhosa, de origem bantu (África Subsaariana) que, em português, significa Valorize.

Por Jussara Vieira enviado para o Portal Geledés 

Na peça de mesmo nome, duas pessoas que estão em uma caverna onde, separadas, buscam por riquezas. Nessa procura, entre obstáculos físicos e socioculturais, os personagens encontram a si mesmos. Durante o percurso vão saudar seus ancestrais por meio da fala, da música e da dança.

Na pesquisa das técnicas de jogos de palhaço, a dupla contou com a colaboração de Esio Magalhães, integrante do grupo Barracão Teatro (SP), por sua expertise na arte da palhaçaria. A equipe criativa se completa com Josi Lopes (preparação vocal), Nath Rodrigues (preparação corporal) e Stanley Levi (direção musical). A direção é coletiva, realizada pelos atores, Alexandre de Sena e Michelle Sá, e Esio Magalhães.

Espetáculo Xabisa, que une a cultura afro-brasileira à linguagem do palhaço (FOTO: Aristeo Serra Negra)
A peça XABISA será apresentada nos dias 19/02 e 20/02 no Teatro Marília, nos dias 21/02 e 22/02 na Casa do Beco, 23/02 e 24/02 no espaço cultural ZAP 18, no dia 4/03 no Teatro Espanca e nos dias 10/03 e 11/03 na Casa de Candongas.Dramaturgia

O palhaço é uma figura tão popular quanto antiga, se fazendo presente em, praticamente, todas as culturas. Ao buscar formas de abordar os temas relacionados à diáspora negra no Brasil, Alexandre de Sena e Michelle Sá encontraram um caminho na linguagem da palhaçaria. “Somos de cursos tradicionais de teatro e, por muitas vezes, recebemos referências teatrais eurocêntricas. Muito do que sabemos e praticamos em cena, foi adquirido por meio de pesquisas empíricas. Somos artistas negros participantes de aglomerados de coletivos que atuam na cidade de Belo Horizonte, que refletem o teatro feito hoje. Procuramos desestabilizar e trilhar caminhos que não nos foram apresentados nos locais de conhecimento”, comenta Michelle Sá, atriz que também atua no coletivo As Bacurinhas, e nos espetáculos “PassAarão” e “REAL” do Grupo Espanca.

Ambos os atores não são palhaços de formação, mas trabalharam em cena, com o apoio de Esio Magalhaes, os arquétipos de palhaço Branco e Augusto, e uniram essa linguagem a elementos da cultura afro-brasileira. Uma forma de explorar novos lugares na arte do palhaço e prestar uma homenagem aos cômicos negros nacionais e internacionais.

Espetáculo Xabisa, que une a cultura afro-brasileira à linguagem do palhaço (FOTO: Aristeo Serra Negra)

Ancestralidade africana

As roupas brancas e as guias (adereços) do Candomblé, o som dos berimbaus da capoeira, dos tambores, as palavras da língua Xhosa e a dança Gumboot são algumas das referências afro-brasileiras trazidas para a cena em Xabisa. A língua Xhosa, por exemplo, é de origem bantu nguni, um dos idiomas da África do Sul, falada por, aproximadamente, 19 milhões de pessoas, somando os que falam enquanto língua materna e segundo idioma.

A dança Gumboot também nasceu na África do Sul, no final do século XIX. Nessa época, os colonizadores britânicos exploravam as riquezas do país, a mão de obra barata e escrava. Os trabalhadores mineiros eram obrigados a permanecer em locais insalubres, além de serem amarrados uns aos outros e impedidos de conversar entre si. Para enfrentar a umidade e poças de água no chão, usavam botas de borracha. Foi então que, a movimentação do corpo, os gritos, as palmas e o som das botas encostando umas nas outras, foram percebidos como ferramenta de diálogo sem a necessidade de usar seus idiomas. Assim nasceu o Gumboot, que de estratégia de sobrevivência foi aperfeiçoado e se transformou em dança e diversão. Durante sua execução, os dançarinos permanecem com a coluna curvada, as pernas dobradas, e a mão aberta batendo na bota, provocando o som alto ao executar os passos.

“A utilização do gesto e do som, presentes na língua ancestral, na dança e na linguagem do palhaço, como formas de questionamento, são um terreno fértil para construção de discursos, e foram matérias-primas para a criação da peça”, afirma Alexandre de Sena, ator e integrante do Grupo Espanca!

Oficina

Para compartilhar o processo de pesquisa da peça com o público, a atriz Michelle Sá vai ministrar a oficina gratuita Outra História nos dias 12 e 13 de março, das 18h às 22h, no Teatro Espanca. Na atividade os participantes aprenderão referências e exercícios práticos utilizados no processo de criação do espetáculo Xabisa. Serão propostas de trabalho durante a oficina: jogos baseados no universo da palhaçaria; treinamento físico com a utilização da capoeira (orientação Nath Rodrigues); Gumboot, dança da África do Sul (orientada por Michelle Sá); e treinamento rítmico e vocal (orientação Josi Lopes). Para se inscrever os interessados precisam encaminhar uma carta de intenção para o e-mail: [email protected]. Há 25 vagas disponíveis.

Sinopse/Resumo:
Xabisa é uma palavra da língua Xhosa, dialeto de origem sul-africana, que, em português, significa “Valorize”. No espetáculo de mesmo nome, duas pessoas estão em uma caverna onde, separadas, buscam por riquezas. A caverna remete ao Mito de Platão, à escravidão negra e, também, à exploração de ouro no Brasil. Ao procurar por preciosidades, entre obstáculos físicos e socioculturais, os personagens encontram a si mesmos. O trabalho propõe um encontro cultural afro-brasileiro, trazendo referências da cultura bantu, da dança Gumboot – ambas originárias da África subsaariana – e da arte do palhaço, utilizando uma linguagem teatral negra contemporânea e cômica.

Ficha técnica:

Elenco: Michelle Sá e Alexandre de Sena.

Direção Coletiva: Esio Magalhães, Michelle Sá e Alexandre De Sena.

Roteiro dramatúrgico: Michelle Sá e Alexandre de Sena

Preparação Vocal: Josi Lopes.

Preparação Corporal: Nath Rodrigues

Direção Musical: Stanley Levi

Produção executiva: Aristeo Serra Negra.

Assessoria de Imprensa: Jussara Vieira

Serviço:

XABISA

Direção coletiva: Esio Magalhães, Michelle Sá e Alexandre De Sena.
Classificação livre | Duração: 50 minutos

19 e 20 de fevereiro

Segunda e terça às 20h

Local: Teatro Marília, Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia

Entrada gratuita

21 e 22 de fevereiro

Quarta e quinta às 10h

Local: Casa do Beco, Av. Arthur Bernardes, 3876 – Santa Lucia

Entrada gratuita

23 e 24 de fevereiro

Sexta às 15h e sábado às 20h

Local: Zap 18, R. João Donada, 18 – Serrano

Entrada gratuita

4 de março

Domingo às 16h

Local: Teatro Espanca, R. Aarão Réis, 542 – Centro

Entrada gratuita

10 e 11 de março

sábado às 20h e domingo às 19h

Local: Casa de Candongas, Av. Cachoeirinha, 2221 – Santa Cruz

Entrada gratuita

Oficina Outra história

Ministrada por Michelle Sá

12 e 13 de Março

Segunda e terça das 18h às 22h

Local: Teatro Espanca, R. Aarão Reis, 542, Centro

Inscrições: enviar e-mail com carta de intenção para [email protected]

Vagas: 25 | Inscrição gratuita

 

** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

+ sobre o tema

Elizeth Cardoso

Elizeth Moreira Cardoso (Rio de Janeiro,...

IX Circuito de Teatro em Português

01 a 21 de Novembro de 2014 Em São Paulo...

Flip terá maior número de autoras mulheres do que homens pela primeira vez em sua história

Número de autores negros chega a 30%; curadora Joselia...

para lembrar

Domingo tem dança afro contemporânea na Pinacoteca de São Paulo

A Verve, companhia de arte negra criada e coordenada...

Filme brasileiro ‘Besouro’ será exibido em Los Angeles

Eleito melhor filme no PAFF de 2011, o longa...

Ava DuVernay divulga primeira imagem oficial de sua nova série; Confira!

Em seu Twitter oficial, a produtora, diretora e roteirista...

Karol Conka e Xênia França explicam a importância da diversidade na música brasileira

Cantoras se apresentam nesta sexta (26) no Circo Voador,...
spot_imgspot_img

Aos 105, Ogã mais velho do Brasil, que ajudou a fundar 50 terreiros só no Rio, ganha filme e exposição sobre sua vida

Luiz Angelo da Silva é vascaíno e salgueirense. No mês passado, ele esteve pela primeira vez no estádio de São Januário, em São Cristóvão,...

A esperança de Martinho em “Violões e cavaquinhos”

Martinho da Vila já brincou mais de uma vez que estava cansado de cantar que a vida ia melhorar, em referência ao refrão do clássico...

Djonga fará turnê pelos Estados Unidos em julho de 2024

Um dos maiores nome do hip hop nacional, Djonga fará sua segunda turnê nos Estados Unidos. O mineiro leva a turnê "INOCENTE 'Demotape'” para Connecticut, Filadélfia...
-+=