sexta-feira, novembro 26, 2021
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‘Estávamos juntando dinheiro para construir nossa casa’, diz companheira de jovem morto em ação da PM, em Salvador

Maurício Martins da Silva tinha 20 anos e morreu após ser baleado nas costas e na barriga. Familiares denunciam também que PMs levaram documentação do jovem.

Fonte: G1

O jovem de 20 anos, morto em uma operação da Polícia Militar no bairro de Fazenda Coutos, em Salvador, tinha planos de construir a casa própria com a companheira, com quem morava de aluguel. O casal estava junto há dois anos.

A morte de Maurício Martins da Silva causou revolta nos moradores da região. A vítima trabalhava como feirante e foi baleada ao voltar do serviço no último domingo (31). Jainara Maciel, esposa do jovem, conta que os sonhos ficaram para trás, com a morte dele.

“Estávamos planejando ter nosso filho, nossa casa. Estávamos juntando nossas economias para construir nossa casa, porque a gente morava de aluguel. A gente queria nossa casa para construir nossa família. Tínhamos muitos planos pela frente, mas infelizmente esse plano se encerrou por aqui”.

A família de Maurício detalhou que os policiais já chegaram atirando na Rua Priscílio Guimarães. Segundo a irmã da vítima, os documentos do jovem foram levados pelos policiais. Agora, a família tenta tirar a segunda via, para conseguir liberar o corpo e fazer o sepultamento.

“Minha mãe tem que ir amanhã ainda no cartório, para tirar outra certidão, sem condições de dinheiro e transporte. Eles quiseram o que? Que meu irmão fosse enterrado como indigente?”, questionou Vanessa Martins.

Além de Maurício, um outro jovem também foi baleado e está internado no Hospital do Subúrbio. Não há detalhes sobre o estado de saúde dele, nem a identificação. Uma prima de Maurício, a estudante Gisele Santana, relatou como a situação aconteceu.

“Eles deram um tiro e um menino correu. Como o menino correu, eles [PMs] pensaram que o menino era envolvido. Eles atiraram em Maurício. Aí o policial que estava escondido disse: ‘Dá tiro’. E eles dando tiro. Ele gritou: ‘Eu não quero morrer, não’”, disse ela.

Revoltados, os moradores atearam fogo em pedaços de madeira e lixo, fechando parte da Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Avenida Suburbana, na altura do bairro de Paripe, no final da tarde de terça-feira (2).

“Eles já chegam atirando, oprimindo, batendo nos outros, cercando as ruas todas, parecendo que aqui só tem gente ruim”, relatou uma jovem, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Um dos amigos de infância de Maurício, que também não quis ter identidade divulgada por medo, contou que o jovem sonhava em ser pugilista, para dar um futuro melhor para a família.

“O sonho do menino era lutar, entendeu? Correr atrás de um sonho, de um objetivo. Tiraram o sonho de um menino legal, que todo mundo ama”, disse ele.

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