quinta-feira, outubro 29, 2020

    Tag: #paremdenosmatar!

    Movimentação na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, em abril (Foto: DANIEL CASTELO BRANCO/ESTADÃO CONTEÚDO)

    Proibição de ações policiais teria poupado vida de João Pedro

    "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci." Os versos dos MCs Cidinho e Doca ironicamente tornaram-se realidade num contexto de isolamento social e de uma das mais graves crises de saúde do mundo. A decisão cautelar do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender as operações policiais nas favelas do estado do Rio de Janeiro durante a pandemia teve impactos importantes na vida de milhares de brasileiras e brasileiros que vivem nas favelas e periferias do estado do Rio de Janeiro. Uma análise dos primeiros 14 dias dessa medida em vigor (5 a 19 de junho) revelou que houve uma redução de 68,3% das operações realizadas em 2020 em relação à média dos anos anteriores, considerando um período de 12 anos, ou seja, de 2007 a 2019. Os dados são do GENI (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal ...

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    Manifestação a favor da democracia e contra o racismo na Avenida Paulista no domingo, 14 (Foto: Taba Benedicto/Estadão)

    Racismo é um impedimento ao desenvolvimento econômico brasileiro

    Durante muito tempo a “branquitude” – o privilégio que a sociedade colonial e europeia adquiriu e conservou no Brasil – reinou como se fosse verdade e realidade “natural”: inquestionável e, por isso, invisível. Foi assim que nos acostumamos a achar “normal” não encontrar negros e negras nos bancos das nossas melhores escolas, nas redações dos jornais, nos ambientes corporativos, na direção de instituições e até mesmo nas áreas de lazer dos bairros considerados mais nobres. Também defendemos uma suposta “meritocracia” sem atentarmos para os cortes de classe e raça que esse conceito traz; como falar em “mérito”, de uma forma geral, quando o ponto de largada é profundamente desigual? Nos habituamos, ainda, a chamar de “universal”, e sem pejas, uma história que é só europeia, e a uma arte que é eminentemente masculina e ocidental. Se a “nossa” arte e a “nossa” história carecem de adjetivação, já as demais precisam ...

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    Profissionais da saúde participam do ato 'Black Lives Matter' em frente a um hospital Bellevue, em Nova York (Foto: Johannes Elisele/ AFP)

    Primavera americana

    Os edifícios da democracia liberal norte-americana, assim como de nossa incompleta República, foram construídos sobre o holocausto indígena e da população negra, arrastada em grilhões a este continente. O fim da escravidão não foi capaz de colocar termo ao racismo e à discriminação, assegurar a igualdade formal, criar condições mínimas de igualdade no plano político e econômico entre os que compõem essas nações, muito menos de reparar todo o mal que lhes foi infligido ao longo dos séculos. Os avanços promovidos pela democracia têm se mostrado lentos e insuficientes, como apontam os mais diversos indicadores sociais e econômicos. Lá e cá, negros recebem menos educação, têm menos acesso a serviços e bens públicos. Consequentemente, suas oportunidades, remuneração, expectativa de vida e bem-estar ficam abaixo da dos brancos. A manutenção dessa subordinação econômica e social não são acidentais, mas sim constitutivas do “bom” funcionamento de sociedades hierárquicas e injustas e o ...

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    Pessoa segura um cartaz com os dizeres 'Black lives matter' ("vidas negras importam", em português) durante um protesto na sexta-feira (29) em Detroit, no Michigan, pela morte de George Floyd. (Foto: Seth Herald/AFP)

    Vidas negras importam! Mas por que precisamos afirmar o óbvio?

    Quando um homem branco, a serviço do Estado, assassina brutalmente um homem negro, sob os olhos do mundo inteiro; quando, mais uma vez, incontáveis tiros da polícia terminam com a vida de uma pessoa negra em uma favela; não é mais possível silenciar as vozes que gritam, no Brasil e no mundo: Vidas Negras Importam! Mas, por que é necessário afirmar que vidas negras importam, já que isso é óbvio? Porque, assustadoramente, não é tão óbvio para muitos brancos, nem para as estruturas racistas da nossa sociedade. A vida – e a morte – de pessoas negras é banalizada na sociedade ocidental, há mais de 500 anos. “A carne mais barata do mercado é a carne negra”, lembra-nos a artista brasileira Elza Soares. Vidas negras são banalizadas quando um agente do Estado mata uma pessoa negra, sem que ela esteja apresentando nenhuma ameaça. A isso chamamos Genocídio da População Negra ...

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    Manifestantes carregam faixa 'Vidas negras importam' em protesto (Foto: Reprodução/GloboNews)

    Pretos e pardos são 78% dos mortos em ações policiais no RJ em 2019: ‘É o negro que sofre essa insegurança’, diz mãe de Ágatha

    Pretos e pardos representam 78% dos mortos por intervenção policial no Rio de Janeiro em 2019. A informação consta em um levantamento do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), obtido pelo G1 através da Lei de Acesso a Informação (LAI). Das 1.814 pessoas mortas em ações da polícia no último ano, 1.423 foram pretas ou pardas. Entre elas, 43% tinham entre 14 e 30 anos de idade. O número de mortes por intervenção legal foi o maior número registrado desde 1998. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54% da população do estado se declara preta ou parda. Para especialistas ouvidos pelo G1, os números mostram traços de racismo estrutural na política de segurança pública do estado. A mãe da menina Ágatha Félix, morta aos 8 anos baleada durante operação no Complexo do Alemão, lamentou as vítimas deste tipo de ação e o preconceito com ...

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    Apoiadores do movimento Black Lives Matter protestam em frente ao Portão de Brandembrugo, em Berlim, após a morte de George Floyd em Minneapolis (EUA) no início da semana (Foto: Imagem: Michelle Tantussi/Efe)

    Caso George Floyd: Protestos antirracistas saem dos EUA e chegam a Berlim, Londres e Toronto

    Aos menos três países, além dos Estados Unidos, registraram manifestações antirracistas ontem. Os protestos ocorreram em Berlim (Alemanha), Londres (Inglaterra) e Toronto (Canadá). As manifestações começaram após de um homem norte-americano negro, George Floyd, 46, na última segunda-feira (25), em Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota. Floyd morreu após um policial branco imobilizá-lo com o joelho sobre seu pescoço. Nos EUA, os protestos já duram cinco dias, com atos violentos e três mortes registradas. Em Berlim, a concentração foi em frente à Embaixada dos Estados Unidos. A manifestação organizada por apoiadores do movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) reuniu milhares de pessoas, que gritaram frase contra o racismo. Thousands now chanting “black lives matter” in front of the US Embassy in Berlin #GeorgeFloyd pic.twitter.com/Jh65RKhTLo — Carl Nasman (@CarlNasman) May 30, 2020 Em Londres, milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Peckham, bairro que reúne grande número de negros e ...

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    Jurema Werneck (Foto: Acervo Geledés Instituto da Mulher Negra/ Alma Preta)

    Opinião: As vidas de George Floyd e João Pedro importam

    A cena chocante do segurança George Floyd, 46, sendo asfixiado pelo policial Derek Chauvin na cidade de Minneapolis, noroeste dos Estados Unidos, é uma grave violação de um direito humano fundamental: a vida. Mais grave ainda perceber que a história se repete e a vítima continua sendo negra. Não só na megapotência norte-americana, como também no Brasil. A cada 23 minutos, morre um jovem negro no nosso país, segundo levantamento feito pela Anistia Internacional na campanha Jovem Negro Vivo. A comoção pelo assassinato de George tomou as ruas em protestos nos estados Minnesota, Geórgia, Kentucky, Nova York, Califórnia, Ohio e Colorado. E ainda que sejam legítimas as manifestações e a indignação tenham razão de acontecer, vimos uso excessivo da força por agentes do Estado contra manifestantes. Jornalistas que praticam o direito à liberdade de expressão e reunião foram presos por simplesmente fazer seu trabalho e o presidente dos Estados Unidos, ...

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    Protesto perto do local da morte de George Floyd, em Minneapolis, com cartaz que diz “Eu não consigo respirar” (Foto: Kerem Yucel – 26.mai.2020/AFP)

    O direito de respirar em um mundo racista

    Não consigo respirar. Mais um homem negro foi assassinado por um policial branco nos EUA, na segunda-feira passada. Menos um homem negro no mundo. Sem ar, erro: escrevo “mais um homem negro foi assassinado…”. Está errado. É preciso dar nomes. Não normatizar genocídios. George Floyd, 46 anos, trabalhador, pagador de impostos, assassinado no último sábado, por um policial branco em Minneapolis, EUA. Suas últimas palavras enquanto era enforcado por seu assassino: – Não consigo respirar. Morreu em 5 minutos. Segundo a medicina forense, uma eternidade dividida em 4 fases. Primeiro, sente-se enjôo, vertigem, sensação de angústia, inconsciência. Dois minutos depois, a medula colapsa, causando convulsão, contrações na musculatura (tanto da face quanto a respiratória) e os relaxamentos dos esfíncteres. A vítima se urina e se defeca inteira. No terceiro minuto, a fase respiratória, o ar que falta. Lentidão e superficialidade dos movimentos respiratórios. Insuficiência ventricular esquerda. O último minuto de ...

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    (Foto: Geledés)

    Policiais investigados por homicídio de João Pedro mudaram versões sobre disparos

    Os três policiais civis investigados pelo homicídio do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, mudaram as versões que deram sobre a quantidade de tiros que dispararam no dia do crime. Os agentes, lotados na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), deram dois depoimentos sobre o caso. No primeiro, logo após o crime, afirmaram terem dado, juntos, 23 disparos. Uma semana depois, no último dia 25, eles voltaram à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) e afirmaram que atiraram um total de 64 vezes no dia do homicídio. Os novos depoimentos foram prestados após a polícia concluir e divulgar que o menino havia sido morto por um tiro disparado por um fuzil calibre 556 — o projétil ficou alojado no corpo do menino, foi apreendido e periciado. Um dos agentes — justamente o que ia à frente dos demais na incursão e fez mais disparos — ...

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    (Foto: Getty Images/iStockphoto)

    Ficar em casa nem sempre é seguro para um jovem negro

    No momento, muitos órgãos, empresas e autoridades se unem para mandar um recado para o mundo: “Fique em casa, é o lugar mais seguro. Precisamos salvar vidas”. Ficar em casa é sinônimo de segurança para quais vidas? A pandemia do coronavírus paralisou grandes setores do mundo inteiro, mas não foi o suficiente para impedir o Estado de continuar assassinando jovens negros inocentes. A crise mundial em saúde acabou se tornando um somatório a todas as opressões sociais, que assolam, principalmente, a população negra e periférica, as mais vulnerabilizadas neste momento. Em casa, o jovem João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, assim como vários adolescentes pretos e moradores de periferia, não teve direito à segurança. Na noite desta segunda-feira, 18, ele foi baleado e morto durante uma ação conjunta da Polícia Federal (PF), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana ...

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    Genocídio do povo negro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

    Audiência na ALERJ debate as violações de Estado em favelas e o genocídio da juventude negra no Rio

    Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) debaterá na próxima quinta-feira, 17 de outubro, das 10h às 14h, a crescente onda de violações dos direito dos moradores das favelas e periferias do Estado e o genocídio da juventude pobre e negra. A audiência "Mães e Mulheres Moradoras de Favelas para debater a Política de Segurança Pública no RJ” reunirá as comissões da Mulher, Direitos Humanos, Discriminação, Educação, Trabalho e Habitação acontece no Plenário Barbosa Lima Sobrinho no Palácio Tiradentes. Além de mães e familiares de vítimas de estado estarão presentes representantes da FAF-Rio (Federação Municipal das Favelas do Rio), FAFERJ (Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), presidentes de diversas associações de moradores, integrantes do movimento Parem de Nos Matar e diversos outros movimentos sociais. Juntos exigem que os moradores de favelas tenham os mesmos direitos e liberdades civis constitucionais que os demais moradores ...

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    “A lógica racista naturaliza e romantiza a violência sofrida pela população negra”

    De uns tempos pra cá me pus a observar um pouco mais as facetas do comportamento humano e chego a conclusão óbvia de que vivemos numa dualidade. O ano era 2012 quando fui apresentada à obra coreográfica de Marcela Levi e Lucía Russo, chamada Natureza Monstruosa. Com micronarrativas, a animalidade humana é exposta na sua forma mais pura e terrível e fala sobre o quanto nosso lado monstruoso nos assombra e é ativado em momentos comuns do cotidiano. Mas até que ponto essa monstruosidade é algo inconsciente? Ou será que damos lugar a ela quando invisibilizamos algo que não é inerente ao interesse pessoal? Pois bem, acho que primeiro vale uma ilustração bem básica, uma comparação que até certo ponto faz sentido. Por exemplo, o comportamento de um cachorro: animal sem racionalidade considerada que é capaz de ver outro da mesma espécie morto, putrificado e não ser impactado por isso. ...

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    Protesto contra mortes de Ágatha e de outras crianças ocorreu em frente à Alerj, no centro do Rio / Eduardo Miranda/Brasil de Fato

    “Parem de nos matar”, pedem moradores em ato no Rio contra morte de Ágatha, de 8 anos

    Movimentos populares, civis, lideranças e moradores de favelas, estudantes e professores do ensino médio e universitário participaram de um grande protesto em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta segunda-feira (23), contra a morte de Agatha Vitória Sales Félix, de oito anos. A menina foi vítima de um tiro de fuzil da Polícia Militar, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, na última sexta-feira (20). “Exigimos justiça pela Ágatha, não vamos deixar que ela vire mais uma nas estatísticas”, afirmou Daniele Félix, tia da menina, sendo acompanhada por um coro de pessoas presentes no ato. A tia de Ágatha estava acompanhada de outros familiares e disse que os pais da menina, que não foram ao ato, “estão destruídos”. “Somos vítimas da violência do Estado do Rio de Janeiro. Repudiamos essa situação de insegurança e terrorismo do governador contra as comunidades. Ele está nos forçando a ...

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    Geledés

    Morre criança de 8 anos baleada pela PM no Complexo do Alemão

    A política de segurança pública do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fez mais uma vítima: Agatha Félix, criança de 8 anos que foi baleada na favela Fazendinha, do Complexo do Alemão, morreu na madrugada deste sábado (21). De acordo com relatos de testemunhas, Agatha estava dentro de uma Kombi, indo para casa, quando foi atingida por um tiro que teria sido disparado por um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O agente teria desconfiado de um motociclista e disparou, acertando, porém, a criança dentro do veículo. Ela chegou a ser socorrida no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte de Rio de Janeiro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. “Quem tem que dar informações é quem deu o tiro nela. Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê o policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a ...

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    Essas e as outras 6.800 chicotadas

    Dentro de uma unidade da rede de supermercados Ricoy, na zona sul de São Paulo, um adolescente negro de 17 anos foi chicotado em vídeo produzido por seus próprios torturadores. Pause por um minuto. Pondere o que comunica a violência, e para quem. Pense no poder da imagem. Do corpo negro adolescente fazemos um palco para o espetáculo da violência: curtido, compartilhado, desumanizado. Não é apenas o corpo negro nu que os torturadores querem açoitar. Filmando-no, querem destituí-lo de sua própria humanidade. No estado de São Paulo, entre 2008 e 2017, 6.800 adolescentes entre 15 e 19 anos foram vítimas de homicídio, sendo que a probabilidade de um adolescente negro ser morto é 75% maior do que a de um adolescente branco. Apesar dos avanços em São Paulo na redução de homicídios da população em geral neste período (15,3 para 10,6/100 mil habitantes), adolescentes tem sido mortos a proporções ainda ...

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    Policiais militares fazem operação na Vila do João, uma das comunidades da Maré, no dia 6 de fevereiro. REDES DA MARÉ (FACEBOOK)

    Uma ação mais humana por outra Maré é possível

    O momento que vivemos chama atenção pela profusão de acontecimentos dramáticos que atravessam o nosso cotidiano. Mal conseguimos digeri-los e logo nos vemos diante de novos fatos a nos desafiar. Estamos, sem dúvida, diante de uma onda que nos exigirá intensa força e vigor para resistir a tempos que pensávamos já termos superado no Brasil. A maioria de nós certamente não imaginava que teríamos de nos articular para não perder o fio leve de democracia que se esboçava, neste país, desde o fim da ditadura, na década de 80. No Estado do Rio de Janeiro, numa perspectiva ainda mais peculiar, temos experimentado tempos nunca vividos em relação ao aumento de violências no que concerne ao seu quantitativo e à sua forma de se materializar. As favelas e as periferias são as áreas onde essas violências se manifestam de forma enfática, num processo que se aprofunda ao longo do tempo, independente de algumas experiências, como ...

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    (Foto: Ilustração Carlos Latuff)

    O país que mata seus Pelés

    O Brasil matou Pelé – não o Edson Arantes dos 1.281 gols, mas os novos, os do futuro, meninos pobres e pretos exterminados sistematicamente nas comunidades populares e periferias. O país que um dia foi do futebol consolida-se como o das mortes de negros e negras, incontáveis talentos potenciais sacrificados pela escolha do genocídio. Jovens que se vão aos milhares, na covardia dos tiros desferidos a esmo, no jogo sangrento e sem fim. O Brasil teima em sacrificar os que vêm das quebradas, ceifando vidas em escala industrial, jogando fora seu futuro, aprisionando-se num presente perpétuo de covardia e mediocridade. Morrem quase todos pretos e pobres, na indústria da brutalidade, referendada pelas urnas de 2018, como certificado do DNA homicida de toda uma sociedade. É ele que aperta o gatilho sem dó nem piedade. Nesta semana no Rio de Janeiro, foram-se dois potenciais craques de bola – Dyogo Costa (apelidado ...

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    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    Historiadora analisa livro #Paremdenosmatar!, de Cidinha da Silva

    Cidinha da Silva participa do que podemos chamar de uma tradição de escritoras e escritores negrxs que, por meio de seu árduo e elaborado trabalho intelectual, representam uma importante frente de resistência e superação do racismo, no Brasil e nas diásporas. Uma tradição que se desenvolve na história do país desde, pelo menos, o alvorecer do século XIX, por meio da ação de pessoas escravizadas ou livres “de cor” (libertas ou nascidas livres), que forjaram seu direito ao acesso às letras, consideradas distintivo privilégio das elites políticas e econômicas no Brasil, desde sempre. Estas pessoas – até onde a história nos “revelou”, majoritariamente homens negros, muitos dos quais literatos, que participaram do surgimento da imprensa entre nós, publicando também jornais (periódicos) voltados à causa “dos homens de cor”, durante o século XIX e no alvorecer do século XX e que fizeram desta ação e da literatura instrumentos fundamentais de organização ...

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    Livro ‘#Parem de nos matar!’ evidencia genocídio da população negra

    O livro #Parem de nos matar!, da pensadora e dramaturga Cidinha da Silva, publicada pela editora Ijumaa, em 2016, é uma obra que coloca o racismo para tremer e nos convoca para uma ação de justiça com graça, insubmissão e beleza. A autora, de maneira cuidadosa, nos mostra que o racismo nos golpeia em diversos âmbitos. É um livro de crônicas do “Pensamento do Tremor”, em alusão ao termo de Édouard Glissant, pois o racismo estrutura a vida: a política, a estética, a epistemologia. E assim, o livro trata de questões que nos reúnem num turbilhão de percepções, sensações e compreensões, tais como, o genocídio da juventude negra, a resistência das mulheres negras, o racismo nas mídias e futebol, intolerância religiosa, homofobia, ódio, dor, lembrança, morte, saudade, utopia, encontro, liberdade e beleza. O “grito aberto” de #Parem de nos matar! evidencia o problema crucial da obra, a morte física e simbólica da ...

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