Estudantes acusam professor da UFF de machismo e injúria racial

Duas alunas da Universidade Federal Fluminense (UFF) relatam ter sido vítimas de agressão verbal por parte do professor de Economia, André Guimarães Augusto, na última quarta-feira, no campus da reitoria, em Icaraí, Niterói.

por Elena Wesley no O São Gonçalo

As ofensas teriam ocorrido enquanto Gabrielle d’Almeida, que cursa Enfermagem, e Mel Gomes, estudante de Produção Cultural, tentavam se informar acerca de uma discussão de André com um outro aluno, referente à reunião do Conselho de Ensino e Pesquisa, da qual participavam.

Segundo Gabrielle, o professor lhe disse: “Vai se f*** você também, sua piranhazinha”. Surpresa, a universitária exigiu o nome do professor. Mel, de 26 anos, fez o mesmo questionamento e, rindo, André teria respondido: “Não vou dizer, você não é policial, sua preta!”.

“Parece bizarro, mas o preconceito na universidade é algo diário. Me lembro que no dia da minha matrícula gritaram ‘agora com esse Enem, qualquer macaco entra’. Às vezes, eu tenho que me convencer de que realmente tenho direito a estar aqui”, desabafou Mel.

“Ele acusava o nosso companheiro do DCE de fascista, mas quando se referiu a nós, fugiu da esfera política para nos ofender pelo gênero e pela raça. É triste ser ofendida por um educador que deveria estar defendendo a presença de mulheres e negros na universidade”, completou Gabrielle, de 25 anos. Ambas atuam no Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Em nota, o professor pediu desculpas pelas ofensas dirigidas à Gabrielle, “o que já fiz diretamente à mesma no momento do ocorrido e a todas às mulheres símbolos e inspiração de uma luta cotidiana, por palavras mal colocadas em uma situação adversa”. André, entretanto, negou as acusações de injúria racial. Ao telefone, a presidente da Associação dos Docentes da UFF (Aduff), Renata Vereza, afirmou que a entidade está disposta a colaborar com a apuração dos fatos. Em uma segunda nota, o Comando Local de Greve se desculpou e solidarizou “com a estudante atingida pela ofensa de gênero, ofensa à qual repudiamos veementemente”. Não houve menção à acusação de racismo.

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