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Feminismo, empoderamento negro e criação literária: veja os melhores momentos da Flica

Evento foi realizado entre os dias 11 e 14 de outubro, na cidade de Cachoeira

Por Isadora Sodré Do Ibahia

Quatro dias intensos de imersão literária, empoderamento, feminismo, política e sentimento: é assim que a oitava edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) pode ser definida. Durante os quatro dias do evento, realizado entre 11 e 14 de outubro em Cachoeira (BA), mais de 35 mil pessoas puderam aproveitar as palestras, eventos, atrações musicais e, é claro, o clima encantado da cidade cachoeira.

De acordo com o coordenador geral da Flica, Emmanuel Mirdad, a Flica 2018 foi além da expectativas. “Todos os espaços tomados, lotados, filas, gente querendo participar, o que nos faz perceber que a ampliação tem que vir com certeza para que a gente possa atender o maior número de pessoas”, disse.

Quanto à nova curadoria, já que este é o último ano de Tom Correia no cargo, Mirdad entregou uma novidade. “Já estamos sondando um novo nome e provavelmente será uma mulher”.

A Flica tem o patrocínio máster do BNDES e Governo do Estado, apoio da Prefeitura Municipal de Cachoeira e Caixa, e realização Cali, Icontent, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Conceição Evaristo: A homenageada da Flica 2018

Foto: Ricardo Prado/Divulgação

Uma escritora negra que não se silencia e traduz o sentimento feminino através dos seus livros: isso descreve (um pouco) a autora Conceição Evaristo, a homenageada da Flica nesta oitava edição. Ela assistiu a grande maioria das mesas e, no sábado (13 de outubro), contou ao público detalhes da sua vida pessoal e profissional, marcadas por enfrentamento, luta, sentimento e literatura.

A sensibilidade de Valter Hugo Mãe 

Foto: Ricardo Prado/Divulgação

A mesa de abertura da Flica 2018 foi marcada pela análise sensível do premiado escritor português, Valter Hugo Mãe, sobre o cotidiano e a situação política do Brasil. De casa cheia, Valter, o escritor Aleilton Santana e o mediador Zulu Araújo falaram da importância da literatura ser um agente transformador da sociedade.

Um sábado negro e feminista

Foto: Divulgação/Ricardo Prado

Djamila Ribeiro, Patrícia Hill Collins, Conceição Evaristo, Eliane Brum e Catarina Guedes: temas como empoderamento negro, feminismo e o lugar da mulher no mundo da literatura permearam as mesas destas autoras no terceiro dia do evento. Com filas que davam voltas ao redor do Convento do Carmo, o público, majoritariamente feminino, presenciou debates históricos e sensíveis ao lugar da mulher e, principalmente, da mulher negra.

Tradução das mesas em Libras e descrição para cegos

Esta foi a primeira vez, em oito edições, que a Flica oferece tradução simultânea das mesas em Linguagem Brasileiras de Sinais (Libras) e descrição para cegos. Roberta Brandão, uma das quatro integrantes da equipe da tradução do evento, contou que traduzir um conteúdo literário é complexo, mas é possível.

Foto: Divulgação/Ricardo Prado

“Traduzir conceitos literários abstratos e metáforas requer do tradutor um competência linguística, além de conhecimento cultural e de vocabulário. Nós também nos comunicamos visualmente, através da nossa expressão facial, e isso ajuda muito a compreensão”, explicou.

A representatividade e a voz altiva de Ryane Leão

Foto: Ricardo Prado/Divulgação

Poemas intensos publicados em uma página no Instagram mobilizam e transformam sentimentos e a presença de público jovem feminino e negro nesta mesa é o reflexo disso. Em uma mesa composta pelas escritoras Ryane Leão, autora da página ‘Onde Jazz Meu Coração’, e Margarita García, mediada por Vânia Abreu, o público pôde ouvir assuntos como feminismo negro, relacionamentos abusivos e criação literária. A altivez e a história da vida de Ryane mobilizaram e emocionaram o público que lotou o claustro do Convento do Carmo.

A despedida de Tom Correia

Foto: Ricardo Prado/Divulgação

Curador da Flica 2018 em dois anos, esta foi a última edição do escritor e jornalista Tom Correia no cargo. “Este ano fomos além das expectativas, pois quando pensamos uma mesa e convidamos autores estamos fazendo uma aposta que haja uma espécie de química entre autores, mediação e público. Este ano, vi o público encantado e emocionado em muitos momentos. O sentimento, neste momento, é de despedida, de aprendizado, pois a curadoria exige que você desenvolva atributos que você nem suspeita que seria é capaz”, disse.

O encantamento da Fliquinha

Foto: Diogo Andrade/Divulgação

Justamente no feriado em que é comemorado o Dia das Crianças, a cidade de Cachoeira recebeu a Fliquinha com um leque de atividades para a criançada. Com um cenário que encanta e com uma programação que vai de bate-papo com autores a atrações teatrais, o público infantil curtiu muito durante esses quatro dias de evento. Nesta edição, a Fliquinha contou pela primeira vez com a presença de uma atração internacional, o escritor argentino Gusti.

Literatura no Instagram

Foto: Ricardo Prado/Divulgação

Fenômenos no Instagram, os escritores Zack Magiezi e Edgard Abbehusen levaram uma grande quantidade de jovens fãs ao claustro do Convento do Carmo. Além da polêmica que ronda os escritores que produzem conteúdo para as redes sociais, os autores conversaram sobre inspiração, sentimentos e criação literária.

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