quinta-feira, abril 22, 2021

Tag: Literatura

Ilustração: Michael Morgenstern /The Chronicle

Que nossas palavras sejam máquina que faz fazer!

*Comunicação apresentada no II Simpósio Feminista da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em março 2021.¹ Antropóloga, dedicada às pesquisas sobre modos de saber e fazer indígenas e, atualmente, indigenista especializada, pensei em como abordaria e poderia colaborar com as discussões do tema proposto para essa mesa: “Desafios da epistemologia, Literatura e Feminismo em contextos de potencialização da truculência”. Uma mesa para falar sobre horizonte, esperança, utopia linguagem. Confesso que ainda tenho dificuldades com a linguagem, estou em dívida com a literatura (ainda não li Torto Arado²), mas de truculência e feminismo talvez possa falar um pouco aqui. As mulheres que me antecederam já me falavam muito sobre isso, ainda que não dessem nomes aos bois. Mas antes de tentar falar sobre linguagem, aquela falada ou escrita, falo do silêncio, daquilo que silenciei e daquilo que foi silenciado, do medo, do cansaço em dizer, e da ausência de ouvidos que ...

Leia mais
Seminário conta com participação de Lázaro Ramos, Rodrigo França e Bárbara Carine (Divulgação/Imagem enviada para o Portal Geledés)

Projeto Calu Brincante produz série de ações ligadas à tradição, ancestralidade e ludicidade para público infanto-juvenil

Trabalhar memória, tradição e representatividade em uma série de iniciativas lúdicas e criativas voltadas para o público infantil, pais e educadores, essa é a ideia do Projeto Calu Brincante, que entre os meses de março e abril promove o lançamento de um jogo virtual e de um cd com músicas autorais, uma série de apresentações online do espetáculo “Sarauzinho da Calu” e um seminário sobre a incorporação das brincadeiras antigas para o desenvolvimento cognitivo das crianças e melhor interação nas famílias. A história da menina negra que cria um universo alternativo carregado de símbolos afro-brasileiros nasceu no premiado livro “Calu, uma menina cheia de histórias” (2017), de autoria de Cássia Vale e Luciana Palmeira, com prefácio de Lázaro Ramos. Em seguida, virou o espetáculo “Sarauzinho da Calu” e foi vencedor do Prêmio Braskem de Teatro do 2020 como melhor espetáculo infantojuvenil. Agora a iniciativa expande também para canais digitais com ...

Leia mais
"Mesmo com toda a adversidade, é preciso que a gente tenha essa esperança engajada", diz Itamar Vieira Junior

“‘Torto Arado’ reflete passado escravagista mal resolvido”

Em 2018, o geógrafo Itamar Vieira Junior decidiu inscrever seu livro Torto Arado no prêmio LeYa, de Portugal. Venceu, e o livro foi publicado primeiro lá. No ano seguinte, a editora Todavia adquiriu os direitos e publicou o romance no Brasil. O sucesso, contudo, viria apenas no fim de 2020. Torto Arado venceu os dois principais prêmios literários brasileiros, o Jabuti e o Oceanos, no ano passado. E acabou conquistando as redes sociais. De acordo com informações fornecidas pela editora Todavia à DW Brasil, até agora já foram vendidos 100 mil exemplares. E isso transformou o até então desconhecido Vieira Junior em uma celebridade do mundo literário. "É difícil para mim, como autor, entender o que se passa com o livro", comenta o autor, que antes de Torto Arado tinha publicado dois livros de contos. "Acho que prêmios contribuíram bastante para dar um destaque, mas acho também que os leitores têm se conectado com a história." Os ...

Leia mais
Foto: Imagem enviada ao Portal Geledés

Livro infantil homenageia Mãe Beata de Iemanjá

Escrito por Elaine Marcelina e ilustrado por Anni Ganzala, o livro Beata, a menina das águas será lançado no dia 17 de abril pela Editora Malê. A obra infantil homenageia a Mãe Beata de Iemanjá, destaca sua vocação espiritual e narra a infância da Ialorixá na cidade de Cachoeira (BA). A autora acredita que o livro é um instrumento contra a intolerância religiosa que vem se agravando no país. Beata, a menina das águas tem texto de apresentação do filho biológico de Mãe Beata, o sociólogo Adailton Moreira Costa, babalorixá, herdeiro do Terreiro Ilé Omiojúàró. Uma das figuras de maior destaque da cultura afro-brasileira, Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata de Iemanjá, nasceu em 20 de janeiro de 1931. Foi ativista pelos direitos humanos, contra a intolerância religiosa, a homofobia e o racismo. Escreveu os livros: “Caroço de Dendê, Sabedoria dos Terreiros” (1997) e “As histórias que minha avó ...

Leia mais
Divulgação

Por um feminismo para os 99%

A partir de segunda-feira próxima (08/03) até o dia 12 de abril a Editora Boitempo realiza o curso Introdução ao pensamento feminista negro e o ciclo de debates internacional Por um feminismo para os 99%. Viabilizada pela Lei Aldir Blanc, a programação conta com 24 pensadoras e ativistas de cinco nacionalidades. Todas as atividades são gratuitas e sem necessidade de inscrição prévia, inserindo-se no histórico de eventos internacionais promovidos pela editora ao longo de seus mais de 25 anos. Introdução ao pensamento feminista negro conta com seis aulas semanais, tendo início na data que celebra o Dia Internacional da Mulher. As aulas são às segundas-feiras, às 11h. O ciclo de debates Por um feminismo para os 99% será este mês, dias 10, 17, 24 e 31, sempre às 14h. Todas as transmissões serão realizadas pela TV Boitempo, canal de editoras da América Latina no YouTube. A programação foi inspirada pelo manifesto Feminismo para os 99%: um manifesto, de autoria de Cinzia ...

Leia mais
(Foto por: Anna Maria Moura/ Coletivo Quariteré)

Biblioteca comunitária dedicada à cultura africana e afro-brasileira é inaugurada em Cuiabá

Foi inaugurada na manhã desta quarta-feira (03.03), a Afroteca Comunitária Carolina Maria de Jesus. A biblioteca fica localizada no Centro Cultural Casa das Pretas, Praça Conde de Azambuja, nº 25 (casarão em frente à Praça da Mandioca), no centro histórico de Cuiabá. O projeto foi contemplado pelo Edital MT Nascentes da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O projeto consiste em compor acervo bibliográfico temático, disponibilizado para a população cuiabana e mato-grossense, de diversas faixas etárias, que poderão realizar consultas no local para obter dados, acessarem pesquisas, conhecer e reconhecer as contribuições africanas e afrodescendentes nas diversas áreas do conhecimento. A biblioteca conta com 450 livros, nos gêneros: infantil, Infantojuvenil, adulto e pesquisa científica. Para Antonieta Luisa Costa, proponente do projeto, a palavra chave é representatividade. “A Afroteca é um lugar de conhecimento histórico e atual, de memórias e lutas do povo negro, onde autores e autoras ...

Leia mais
Ashanti: nossa pretinha/Malê Mirim

Literatura infantil para incentivar a autoestima em crianças negras

A escritora Taís Espírito Santo lança o livro infantil “Ashanti: nossa pretinha” pela Editora Malê. O evento ocorre no sábado, 06/03, às 19 horas, no canal do YouTube da editora, e contará com a presença da escritora e do ilustrador do livro, Cau Luis. A obra narra a história do nascimento de Ashanti, uma menina muito esperada e amada pelos seus familiares. Taís Espírito Santo conta que decidiu criar uma história sobre o nascimento de uma menina negra, destacando a atuação de um pai presente, carinhoso e atencioso como forma de homenagear o próprio pai, Francisco, assim como todos os pais que participam deste momento tão especial e tão surpreendente, “A família de Ashanti também é a minha, o livro é uma narrativa sobre amor e ancestralidade. É a representatividade de famílias pretas em comunhão, o que quase não vemos nos livros”. Cau Luís é cartunista, ilustrador, escritor e professor ...

Leia mais
Itamar Assumpção/Caio Guatalli

Itamar Assumpção para crianças

Entre as tantas linguagens artísticas que explorou ao longo da vida, o compositor, can tor e instrumentista Itamar Assumpção também escreveu livros para crianças. Os  textos, até agora inéditos, foram encontrados por sua filha, a também cantora e com positora Anelis Assumpção, nos cadernos que ele fazia. Falecido há 17 anos, o artista  ganha, a cada dia, maior reconhecimento e a notoriedade merecida.   Homem-Bicho, Bicho-Homem é o primeiro volume da coleção Itamar para  crianças, lançada pela Editora Caixote. Este e os próximos três livros – que serão pu blicados ao longo de 2021 e 2022 – têm em comum os animais como personagens (e  a valorização da natureza), o ritmo sempre presente e as imagens poéticas inusitadas.  Mais não é possível dizer, sem dar muito spoiler, a não ser que são textos divertidos e  ousados, como o próprio Itamar.  Foi convidado para ilustrar os livros Dalton Paula, artista goiano com ...

Leia mais
Dvulgação/Enviado para o Portal Geledés

Companhia distribui mil livros, que serão entregues gratuitamente

Pelas redes sociais a Companhia Ih, Contei, criada pelos artistas Leandro Pedro e Elton Pinheiro dá vida a contos infantis, através de trabalhos lúdicos, durante os meses de fevereiro e março. Quem quiser, ainda pode receber gratuitamente e em casa, o livro “Maria do Socorro”.  Escrita por Leandro, a história narra a vida de uma velha senhora cega que enxerga o mundo com seus olhos de vidro e por onde ela passa, diz ‘aproveite a vida antes de morrer’. Serão distribuídos 800 livros para escolas e 200 livros para o público em geral. Durante as lives realizadas no Instagram @ih_contei, entre fevereiro e março, o grupo cria ações de contação de histórias, oficinas de escrita criativa e de narrativas, distribuição de livros e intervenções poéticas tudo nas páginas sociais do da Ih, Contei. Oficinas gratuitas para escolas Entre as atividades a serem realizadas, a Ih, Contei irá disponibilizar 12 oficinas para escolas públicas, que abordarão ...

Leia mais
Foto: Divulgação/ Editora Griot

Orixás no terreiro sagrado do samba

O livro é uma narrativa sobre duas manifestações que sempre dialogaram: religiões afro-brasileiras e escolas de samba, segundo a jornalista e autora, Claudia Alexandre. A obra sugere um "olhar desfragmentado" sobre a presença das tradições de matrizes africanas em expressões culturais, que ajudaram a construir o que chamamos de identidade nacional. Vemos que, ao longo do tempo, o que era uma forma de perceber o mundo foi sofrendo rupturas provocadas por interpretações e ações hegemônicas. O que inclui o assombro da indústria cultural e as violências da intolerância religiosa. De qualquer forma, religar esses universos, tensionando o ambiente acadêmico e revisitando acervos das experiências negro- -africanas em diáspora, também nos revela novos caminhos para (re) escrever a História do Brasil a partir da história dos sambas e das escolas de samba. A autora, "devidamente" autorizada, adentrou a encruzilhada da Vai-Vai, um território negro paulistano onde reinam Exu, o orixá mensageiro, ...

Leia mais
(Foto: Divulgação/ Editora ContraCorrente) 

Por ela, por elas, por nós

Este livro, vencedor do Prêmio Marielle Franco de Ensaios Feministas de 2020, inaugura a Coleção Marielle Franco de Ensaios Feministas. A semente plantada por Marielle floresce em mulheres como Ana Paula Rodrigues dos Santos e Cintia Rodrigues dos Santos, autoras deste texto transformador. Por ela, por elas e por nós não é apenas um trabalho premiado, mas uma obra com potencial para mudar vidas. A partir do relato autobiográfico de duas irmãs que sofreram preconceitos de raça e gênero, o livro apresenta um riquíssimo conjunto de reflexões sobre o racismo e feminismo contemporâneos. “Sim, essa escrevivência é aqui legitimada e premiada em reconhecimento e apreço ao campo político e universo teórico forjado pelo feminismo, em seus diferentes matizes, em celebração ao protagonismo permanente que anima a nossa convicção de que um mundo liberto das opressões de gênero, raça e classe é uma utopia sobre a qual vale a pena refletir ...

Leia mais
O jamaicano Marlon James, em sua participação na Flip, em 2017 (Bruno Santos/Folhapress)

Marlon James mostra o que há de fantástico em reimaginar a África

No seu quarto romance, Marlon James, o premiado autor jamaicano radicado nos Estados Unidos, cria um mundo fundamentado em crenças e mitologias africanas, uma fantasia que se desprende dos referenciais imagéticos e modelos narrativos com os quais fomos educados no Ocidente. São necessárias quase 800 páginas para descortinar a cosmovisão africana na realidade fantástica de James. Ali, a relação animais-natureza-humanos, ainda que tenha certa hierarquia, pouco se distingue nas possibilidades de interferência na vida. Não é por acaso que a apresentação do mundo criado por James constrói uma narrativa centrada no confronto entre o que é real e o que é mito, sobre o que significa verdade e realidade. O narrador sugere que, como a história tem distorções e realidades tão distintas quanto os mitos que surgem dela, a vida também é atravessada por distorções, divergências e, sobretudo, mitos. Quase uma metáfora das noções ocidentais sobre a África. A hegemonia ...

Leia mais
Divulgação

Um crítico no front

Tão logo meu exemplar de “Estética e raça: ensaios sobre a literatura negra”, de Luiz Maurício Azevedo chegou da editora Sulina, reli “O homem mais azul” e “Tenório e o anúncio da guerra”. No primeiro ensaio, meu livro “O homem azul do deserto” foi analisado com acuidade, rigor teórico e vigor de linguagem (sem a preguiça dos clichês que costumam me devotar), entretanto, penso que a incursão analítica de gênero feita em “Como se mata uma ilha”, de Priscila Pasko, mereceu mergulho mais fundo e impressões mais consistentes do que a abordagem ao meu texto. Contudo, talvez minha crônica não apresente tantos elementos literários quanto o crítico exigente busque. Ainda perguntarei a ele. No segundo texto, lido sem observar o ordenamento do autor à obra, o filho de Xangô (assim o leio) se revelou em seu esplendor: “Há alguns anos, quando apontei Jeferson Tenório como acontecimento literário mais relevante da ...

Leia mais
Divulgação

Cine África e Sesc São Paulo lançam livro ‘Cinemas Africanos contemporâneos – abordagens críticas’

Última das ações vinculadas do cineclube durante o ano de 2020 em parceria com o Sesc São Paulo, o e-book inédito “Cinemas Africanos contemporâneos - abordagens críticas” tem lançamento dia 6 de fevereiro de 2021 (sábado), às 16h, no canal do Cine África no YouTube: youtube.com/cineafrica. O livro de 311 páginas é organizado pelas pesquisadoras Ana Camila Esteves e Jusciele Oliveira e conta com cerca de 40 colaboradores da África, Europa, EUA e Brasil. A publicação tem distribuição digital e gratuita através do portal do Sesc. O link de download será anunciado na live. Dividido em quatro partes, Contribuições Teóricas, Dossiê Crítica de Cinema na África, Críticas e Ensaios e Entrevista Coletiva: Programadores de Cinemas Africanos no Mundo. A primeira sessão traz escritos de especialistas como Lizelle Bisschoff (Reino Unido) e Jonathan Haynes (EUA), considerado o maior especialista em cinema nigeriano (Nollywood) do mundo. A segunda parte reúne textos de ...

Leia mais
Capa do primeiro volume da coleção gratuita da EdUFF.

Série de livros sobre personagens negras no pós-abolição tem download gratuito

A Editora da Universidade Federal Fluminense (EdUFF) acaba de disponibilizar gratuitamente sete e-books que examinam a trajetória e o contexto histórico de oito importantes personagens negros da história brasileira no pós-abolição. São elas: Monteiro Lopes, Eduardo das Neves, Luciana Lealdina de Araújo, Maria Helena Vargas da Silveira, Juliano Moreira, Paulo Silva, Maria de Lourdes Vale Nascimento e João Cândido. Clique aqui para baixar os volumes. Os e-books são acompanhado por um site que disponibiliza diversos materiais – oficinas, vídeos, planos de aula, banco de imagem, em torno de personagens negros biografados. A coleção faz parte do projeto coletivo “Personagens do pós-Abolição: trajetórias, e sentidos de liberdade no Brasil republicano”, contemplado com o Edital “Memórias Brasileiras: Biografias” (n° 13/2015 da Capes). A leitura é voltada para estudantes do Ensino Médio e adultos. “Apesar de grandes contribuições para a história republicana do Brasil, esses personagens tiveram suas vidas silenciadas, esquecidas ou não reconhecidas. Foram homens e ...

Leia mais
Bianca Santana - Foto: João Benz

Em livro, Preta Ferreira tira o sono e convoca à luta

A ansiedade para ler "Minha carne: diário de uma prisão" (Boitempo, 2021), de Preta Ferreira, começou há pouco mais de um ano, quando soube que o livro seria publicado. Nos mais de 100 dias de cárcere, a escrita, assim como a leitura, foi companheira, arma e cura de Preta, acusada de de associação criminosa e extorsão por ser liderança do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). "Eu sei que não sou nada disso que me acusam, mas, no momento, até provar que sou inocente, estou na condição de re-educanda e sou mais um número entre as presas injustamente do país, mais uma presa política", escreveu Preta no 52° dia de cárcere. Capa do livro "Minha Carne", de Preta FerreiraImagem: Divulgação Nas 223 páginas do livro, Preta Ferreira narra o dia a dia da Penitenciária Feminina de Sant'Anna e das outras celas por onde passou, conta histórias de ...

Leia mais
O escritor nigeriano Wole Soyinka, durante visita ao Brasil em 2015 - Bruno Poletti/Folhapress

‘Aké’ é oportunidade de ler Wole Soyinka, um dos maiores nomes da África

Muitos autores, como Liev Tolstói, Graciliano Ramos e J. M. Coetzee, se debruçaram sobre suas memórias de infância para construir grandes obras ficcionais e memorialísticas. Esse também é o caso de "Aké: Os Anos de Infância", de Wole Soyinka, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1986. Autor de ensaios, poemas, romances, peças teatrais e memórias, Soyinka tem uma carreira premiada por sua vasta obra que tem como centro e paisagem a sua Nigéria natal. Em "Aké", Soyinka nos conduz à Nigéria dos anos 1930 e 1940, o tempo de sua infância. Aos poucos somos convidados a adentrar a atmosfera prosaica de Abeokutá, no oeste do país, a partir da vida de um Soyinka inquieto, curioso e contestador. De imediato, conhecemos o seu universo familiar –o pai, um intelectual a quem “poucas pessoas chamavam pelo nome” é "batizado" pelo menino de Ensaio. Sua formalidade representava à criança “um daqueles meticulosos exercícios estilísticos de prosa que ...

Leia mais
Manifestantes protestam em memória de George Floyd em Mineápolis, nos Estados Unidos Foto: CHANDAN KHANNA / AFP

Keeanga-Yamahtta Taylor reflete sobre a força que vem do ativismo negro

As eleições que levaram a afro-americana Kamala Devi Harris a ocupar a vice-presidência dos EUA demarcam um passo importante na simbologia da resistência negra do país e é um ponto saliente na constante curva da luta pelos direitos civis na maior potência econômica do planeta. O Brasil, embora com papel destacado nas Américas, ainda patina no campo do combate às desigualdades sociais e raciais, com fulcro no racismo estrutural. Certamente a vitória de Joe Biden-Kamala, da mesma forma que foi sentida na maior parte do mundo, como sintoma de trégua dos diálogos bélicos, no caminho da esperança e da paz, é sentida aqui também. Além do desafio enfrentado pelas urnas municipais, que elegeram bom número de representantes, entre mulheres e homens negros, para nossos padrões, dez estados ainda vão contar com 59 legisladores de comunidades remanescentes de quilombos, segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). ...

Leia mais
Aleksandr Púchkin e Machado de Assis (wikimedia commons)

Púchkin e Machado, o ser negro, formas de ouvir o outro

Este estudo pretende, em leituras de Púchkin e aproximações de Machado, analisar, em perspectiva comparada, o lugar de visibilidade da herança afrodescendente em Aleksander Púchkin (1799-1837) na literatura russa e Machado de Assis (1839-1908) na literatura brasileira. Perceber, entre margem e centro, a voz plural e inovadora do autor russo, seus caminhos até o outro. Em Puchkin, a viagem. Fronteiras possíveis. O olhar para si que se deixa atravessar pela diferença. Em Machado, seu olhar para as máscaras sociais e para a escravidão. Nesses autores, marcas em sua literatura que formam a sua casa e o seu tempo, em diálogo com a modernidade. Na abertura para o outro, leituras onde o que estava no lugar do cânone também se modifica, escurecendo o imaginário nos novos contextos. Primeiras linhas Escurecer a folha. Uma escolha, um gesto. Penso na página feita de pedaços, vestígios. Machado em seu contexto afrodescendente. Nesse colar e ...

Leia mais
Divulgação

Quem deixou as meninas negras escreverem?

O Livro Infantojuvenil Quem deixou as meninas negras escreverem? é o Produto da Dissertação As meninas negras na literatura infantil sob a perspectiva de olhares plurais: o que dizem esses olhares? Um livro necessário, que se junta a tantos outros, reforçando a proposta de Literatura do Encantamento, conceito construído por Kiusam de Oliveira e tão importante para que essas crianças negras possam ter acesso a textos que despertem seu olhar para nossa Cultura, Ancestralidade e saberes outros. Um texto leve, vibrante e emocionante que conta a história de três meninas negras: Maria Rita, Maria Conceição e Maria Carolina.   Leia o livro completo : Quem deixou as meninas negras escreverem   ** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 

Leia mais
Página 1 de 36 1 2 36

Welcome Back!

Login to your account below

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Add New Playlist