Feministas indicam desafios para avanço das políticas para as mulheres

Em reunião com a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR), Eleonora Menicucci, as representantes de diferentes setores do movimento feminista traçaram um panorama da situação das mulheres brasileiras. O encontro aconteceu na quinta-feira (22/3), em Brasília, na sede da SPM.

A articuladora nacional da Liga Brasileira de Lésbicas, Lurdinha Rodrigues, recomendou mais investimentos para o atendimento ao plano de ação proposto pelo II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres para o enfrentamento ao racismo, ao sexismo e à lesbofobia. Integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Sílvia Camurça disse que as políticas devem ser o foco da gestão dos organismos de políticas para as mulheres e não apenas eventos. “O diálogo nacional pode ajudar inclusive os conselhos a saírem em defesa dos direitos das mulheres”, avaliou.

A representante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho, considerou que a “SPM é peça fundamental para pensar o País e as políticas de desenvolvimento”. Nesse sentido, avaliou que é preciso ir além da área social. “Queremos participar do Copom e ocupar os principais espaços”, completou Coelho.

Já a representante do Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MMA) Maria das Graças Costa falou sobre a dura realidade que as mulheres vivem na região Norte do país – da violência decorrente da disputa de territórios indígenas e quilombolas ao tráfico e exploração sexual. Falando pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultora (Contag), Leide Pedroso reiterou a posição da entidade pela implementação da plataforma política da Marcha das Margaridas e a discussão sobre a situação das trabalhadoras rurais na conferência Rio +20.

ENFRENTAMENTO AO RACISMO – Pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Maria das Dores Almeida apontou a exclusão das negras nas políticas públicas e questionou como se dará a construção da igualdade entre as mulheres na prática. “Minha luta como mulher negra se deu no feminismo. É preciso que haja o entendimento de que as políticas para as mulheres negras são políticas de direito e não compensatórias”, completou Nilza Iraci, da AMNB. Ubiraci Matildes, do Fórum Nacional de Mulheres Negras, destacou que o enfrentamento ao racismo só avançará se houver áreas responsáveis pelas políticas na SPM e na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) para tratar das questões das mulheres negras.

Representando a Via Campesina, Rosângela Cordeiro denunciou o crescimento do aliciamento de mulheres jovens nos assentamentos, a distribuição do chamado “cartão dos prazeres” para trabalhadores que atuam em grandes obras e a opressão das mulheres no campo. Michela Calança, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), chamou atenção para o “discurso tecnicista e despolitizante” que deixa vulneráveis as populações do campo, “como se a técnica não fosse política e não tivesse lado”, frisou.

Pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sônia Vasconcelos Silva colocou em destaque a autonomia econômica das mulheres, a ampliação de direitos das trabalhadoras domésticas e a construção de creches. A sustentação que o trabalho doméstico proporciona para a economia brasileira foi ressaltada por Luzia Feltes, da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Ela lembrou que a baixa qualificação é decorrente da falta de tempo e das longas jornadas de trabalho. “Tenho orgulho de ser uma trabalhadora doméstica. E só estou aqui hoje, porque trabalhei no domingo”, contou Luzia Feltes.

CONTROLE SOCIAL – Paula Viana, da organização Curumim, vinculada à AMB, relembrou o saber tradicional das mulheres parteiras, que está em processo de extinção, e as ações para preservar o conhecimento e salvaguardar o patrimônio imaterial. Viana trouxe demandas como o enfrentamento ao racismo institucional, violência e tráfico de mulheres, além da liberdade de manifestação dos movimentos sociais.

Comunicação Social SPM/PR

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