terça-feira, setembro 21, 2021
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Fragmentos de bala são encontrados no corpo de uma das primas mortas no RJ

A Polícia Civil encontrou fragmentos de bala no corpo de uma das meninas mortas na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O material vai ser encaminhado para perícia e, com ele, espera-se definir o tipo de projetil que atingiu a criança. As armas dos PMs, cinco fuzis e cinco pistolas, já haviam sido apreendidas para exame de confronto balístico.

As primas Emily e Rebeca, de 4 e 7 anos respectivamente, foram mortas na sexta-feira (4), na calçada de casa, na comunidade do Barro Vermelho, em Gramacho.

De acordo com o advogado da família, Rodrigo Mondego, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB /RJ, testemunhas e a posição dos policiais no momento que as duas meninas foram atingidas podem ajudar a esclarecer o caso.

“Com esse fragmento dá para saber qual tipo de arma usada. Pelo impacto na criança, há suspeita de que seja um tiro de fuzil. A posição dos policiais é uma pista importante para confirmar o caminho do tiro. Um problema é que não houve perícia de local. A polícia poderia ter encontrado outros fragmentos de bala, já que testemunhas ouviram de 4 a 6 tiros na região”, disse o advogado na manhã de hoje ao UOL.

De acordo com a Polícia Civil, os agentes que estavam no local já prestaram depoimento sobre o caso. Já a PM informou que a guarnição negou ter efetuado disparos.

A avó de Rebeca e tia de Emily, Lídia da Silva Moreira Santos, voltou a negar a versão da PM e afirmou que viu os policiais atirarem da viatura em direção à rua. Segundo ela, não houve confronto com criminosos na região.

“É revoltante ver a PM [Polícia Militar] falar que eles não atiraram. Se fosse bandido, eu afirmaria o que houve. A polícia parou e atirou. Quem tinha que proteger, matou. Eu sei o que eu vi. Geralmente na minha rua, que é principal, não acontece essas coisas. Se tivesse tiro, não deixariam elas na rua. Estamos ansiosos por Justiça”, reafirmou Lídia na manhã de hoje.

Caso será encaminhado à ONU

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), Renata Souza, afirmou que irá levar o caso das mortes para a ONU (Organização das Nações Unidas).

Parentes das crianças já se encontraram com a deputada e também com o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, que ouviu cobranças dos familiares.

De acordo com dados da ONG Rio de Paz, somente neste ano de 2020, 12 crianças morreram vítimas de balas perdidas. Desde 2007, são 79 crianças assassinadas no estado.

 

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