Guto vive em seu legado

Gutemberg dos Santos Cassimiro. Presente!

Para os amigos, familiares ou não, ele era o Guto. Guerreiro, irmão de batalha, um soldado de coragem na luta pela igualdade entre as pessoas. Que honrava a todos nós com seus trabalhos sociais, com o ‘Sururu é Arte’, que promovia a inclusão social de muitas crianças através de atividades como a capoeira. Guto fazia da cultura seu principal instrumento de inclusão. Como diz Cauê Peixoto, “Guto sua sintonia era com as crianças onde ele enxergava o futuro longe da criminalidade. Da própria música que ele perpetuava esse legado cultural há décadas. Como educador que era, e sempre será, apaixonado pelo coco de roda, figura heterogênia encantado por Juazeiro e radicado no Quilombo dos Palmares, em União/AL.

GRANDE saxofonista que é, que era sua arma. O som do sax calou-se e também foi interrompido o sonho de ir à França levar a cultura alagoana para o mundo. Deixou os ensinamentos da cultura no bairro, emocionou e deixou muitos pais de famílias aos prantos com lágrima e pedindo por justiça. Amigos de todas as classes foram dar o adeus para ele, o grande irmão, nosso querido GUTO BANDEIRA. A ARTE ESTÁ DE LUTO!”

A morte de Guto, assassinado com cinco tiros na cabeça, é uma clara demonstração de que estamos vivendo numa barbárie completa. Hoje foi ele. Amanhã quem será o próximo? Eu? Você?

Enquanto enterramos nossos amigos e parentes, pessoas que tanto amamos e que sentimos dificuldades em acreditar que eles, de fato, morreram, o Governo contabiliza os assassinatos e transforma nosso lamento em números frios, silenciados, que se forem usados da forma correta pode-se pensar em soluções.  Mas para eles servem, apenas,  como forma de manipular a opinião pública a seu favor.

Onde estão os resultados do faraônico Plano Brasil Mais Seguro? Já denunciamos suas fragilidades antes mesmo de ser executado e estão aí os resultados. Milhões de desperdícios para os incompetentes e inoperantes do Palácio de Cristal, do desgoverno de Alagoas, brindarem com sangue inocente os resultados das manipulações dos números. Enquanto eles brincam de governar, a violência se fortalece e se transforma num mostro indomável.

Onde está o Plano Juventude Viva do governo federal que destina mais de 80 milhões para efetivação de políticas públicas para os jovens negros de periferia, principais vítimas dos homicídios em Alagoas, de acordo com vários relatórios? Por que as ações do Plano ainda não foram iniciadas? Será mais uma ação faraônica? Ou será que mais uma vez o Governo de Alagoas está dificultando a vinda dos recursos?

Enquanto eles fingem que estão preocupados, os cemitérios vão ficando mais lotados de jovens negros. E é preciso dizer, sim, que a maioria das vítimas é de jovens negros e de periferias, “porque é assim que é”. E portanto, as políticas públicas (quando decidirem colocarem em pratica) devem ser destinadas ao público que mais precisa.

Governador de Alagoas Teotonio Vilela Filho pela morte de Gutemberg dos Santos Cassimiro, o nosso Guto, o senhor é o culpado. E nem pense em pedir desculpas à família porque já estamos cheios de seus pedidos. Sua política desastrosa de ausência de segurança matou nosso irmão e tem matado tantos outros cotidianamente e também pelas mortes desses outros o senhor é culpado. Sua culpabilidade não é simbólica, é real. Suas decisões ou ausência delas têm gerado uma situação de caos em Alagoas e proporcionado aumento nos crimes de homicídio, o que faz de suas ações crimes culposos.

Aos que ainda não foram assassinados por esse governo, têm a opção de continuar no campo de batalha.

Ao nosso irmão Guto, como dizia Renato Russo “é tão estranho, os bons morrem jovens assim parece ser, quando me lembro de você que acabou indo embora, cedo demais. Me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais”.

A morte de Gutemberg Cassimiro – Movimentos negros e culturais querem intervenção em Alagoas e mandam carta a Roberto Gurgel

 

Fonte: Correio de Alagoas

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