Hortas orgânicas ganham espaço em favelas cariocas

As produções orgânicas dos quintais e hortas dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, fruto do trabalho comunitário nas favelas do Leme, no Rio de Janeiro, há cinco anos são usadas para consumo próprio, compartilhadas entre vizinhos ou vendidas em restaurantes da região e bairros da zona sul. A iniciativa, que hoje é mantida pelos próprios moradores, foi impulsionada pelo projeto Rio Cidade Sustentável, promovido por 12 grandes empresas em paralelo com as atividades do Rio+20, em 2011

Por Mariana Pitasse Do Brasil247

Hortas orgânicas ganham espaço em favelas cariocas

Na Babilônia e no Chapéu Mangueira, as produções são compartilhadas entre vizinhos ou vendidas para restaurantes

Pelos quintais e canteiros dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, manjericão, tomate, maracujá, hortelãs e outras hortaliças ganham espaço. As produções orgânicas, que são fruto do trabalho comunitário nas favelas do Leme, no Rio de Janeiro (RJ), há cinco anos, são usadas para consumo próprio, compartilhadas entre vizinhos ou vendidas em restaurantes da região e bairros da zona sul.

A iniciativa, que hoje é mantida pelos próprios moradores, foi impulsionada pelo projeto Rio Cidade Sustentável, promovido por 12 grandes empresas em paralelo com as atividades do Rio+20, em 2011. A ideia foi criada para oferecer vários cursos de formação nas duas favelas, entre eles capacitação de instalação e manutenção de hortas orgânicas em quintais e lajes.

Entre os 16 moradores formados no curso estava Maria Helena da Conceição, 63 anos. Empregada doméstica aposentada, ela montou uma horta no próprio quintal como terapia.  “Sempre gostei de plantas, mas depois do curso consegui fazer minha horta, que virou meu delírio. Eu ocupei minha cabeça, estava entrando em depressão. Às vezes vendo para restaurantes, mas nem sempre vale a pena porque a produção é pequena, uso mais nas comidas que faço para vender para fora”, explica.

Sustentável

Cozinheira “de mão cheia”, Maria Helena tem como plano montar uma lanchonete, junto com sua vizinha, para servir quitutes com ingredientes plantados em casa. A ideia surgiu depois da consultoria oferecida pelo Sebrae no ano passado para os donos das hortas tornarem suas produções sustentáveis.

O ex-motorista de ônibus João Batista, 59 anos, também teve sua vida transformada após o curso. “É uma atividade que me ajudou a movimentar a vida. Conheci pessoas e lugares aqui na comunidade que nunca tinha visitado. Hoje tenho muitos pedidos de manjericão, capim limão, coentro e salsinha. Planto por encomenda, principalmente mudas. Nós aqui já vendemos para o Festival Gastronômico Quintais do Lido, além de muitos restaurantes da zona sul”, afirma João Batista.

Trocas

Outra compradora assídua das produções da Babilônia e Chapéu Mangueira é Regina Tchelly, 34 anos, idealizadora do projeto Favela Orgânica e também moradora local. A cozinheira trabalha em suas receitas com a ideia de aproveitamento total dos alimentos. Se sobra alguma coisa que não consegue utilizar vai para a composteira, que também abastece as hortas vizinhas.

“Nos tornamos parceiros, vamos trocando sementes, matéria orgânica, mudas e também conto com os vizinhos que têm horta para me fornecer hortaliças e temperos. A gente vai se ajudando”, acrescenta. Além disso, Regina também incentiva e investe nos canteiros produtivos, chamados por ela de “Laboratório da vida”, que são hortas orgânicas desenvolvidas nas ruas da Babilônia, cuidadas e consumidas de forma coletiva pelos vizinhos.

Laboratório da vida

Maiores que as hortas do “Laboratório da vida”, mas com perfil produtivo parecido, existem cerca de 30 espalhadas pela cidade. Fruto do projeto Hortas Cariocas, criado há oitos anos pela prefeitura, as plantações urbanas têm metade da produção doada para as escolas do bairro e às famílias mais pobres, indicadas pela Associação dos Moradores. A outra parte pode ser comercializada pelas equipes e o lucro é dividido entre os cuidadores.

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