sexta-feira, janeiro 27, 2023
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Imigrante senegalês socorre idosa em metrô no RS e caso viraliza na internet

Moussa vive há um ano e meio no Brasil e está empregado, atualmente, em uma fábrica de refrigerantes. Em seu país, foi enfermeiro durante quinze anos, mas não conseguiu ainda exercer a mesma função por aqui. Ulisses da Motta Costa, que divulgou a história pelo Facebook, pede ajuda para que Moussa volte a trabalhar com sua profissão de origem

Da Revista Fórum 

Na última sexta-feira (25), o produtor e diretor de filmes Ulisses da Motta Costa divulgou, em seu perfil no Facebook, a história de Moussa, um imigrante senegalês que há cerca de um ano meio vive no Brasil e está empregado, atualmente, em uma fábrica de refrigerantes. Em seu país, ele trabalhou durante quinze anos como enfermeiro, mas não conseguiu ainda exercer a mesma função por aqui. No entanto, os conhecimentos que sua profissão lhe deu foram fundamentais para ajudar uma idosa que passou mal em um trem da Trensurb na estação Rio de Sinos, em São Leopoldo (RS).

No post, Costa conta como Moussa prestou os primeiros socorros à senhora, que segundo ele mesmo, teve uma forte crise de pressão alta dentro do vagão. “Enquanto alguns chamam os imigrantes de escória [referência à declaração do deputado federal Jair Bolsonaro], um imigrante acaba de salvar uma vida aqui no Trensurb”, escreveu o produtor e diretor. Ele ainda se ofereceu para auxiliar o senegalês a encontrar um emprego como enfermeiro – quem souber de alguma oportunidade, deve contatar Costa por meio do Facebook.

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Confira abaixo o relato completo:

Essa é para quem tem medo de imigrantes e refugiados:

Aconteceu por volta das 17:30, no Trensurb, altura da estação Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Uma senhora já de certa idade passou mal e caiu no piso do vagão.

Alguém acionou o alarme, o trem parou, o condutor veio ver o que aconteceu e seguiu para a estação seguinte, onde ela seria atendida.

Eu estava a poucos metros, mas não pude acompanhar muito bem o que acontecia. Sei que ela permanecia deitada, até finalmente ser erguida e acomodada num dos bancos.

Só daí notei que ela recebia cuidados de um homem, certamente imigrante (alguém se referiu a ele como “haitiano”). Na verdade, era senegalês.

O seu nome é Moussa. Ele era enfermeiro no Senegal. Estava próximo e pôde dar à senhora o primeiro atendimento. Com as mãos, media os batimentos cardíacos da mulher.

Pediu água para que ela bebesse, no que foi atendido por um rapaz com um restinho de água mineral numa garrafa.

Quando paramos na estação Santo Afonso, um funcionário do trem veio com uma cadeira de rodas. Moussa ergueu-a no colo, com muito cuidado, e a pôs na cadeira. Ela e o marido saíram do trem, e torço para que tenham recebido o devido atendimento a partir daí.

Por que eu sei que o rapaz se chama Moussa, que é do Senegal e é enfermeiro? Porque depois que a senhora foi levada, eu conversei com ele.

Ele foi enfermeiro durante 15 anos na sua terra natal. Mora há um ano e meio no Brasil, trabalhando numa fábrica de refrigerante.

Moussa me contou que a senhora teve uma crise pressão alta muito violenta. Ele a manteve deitada no chão numa posição que aliviava a pressão das artérias, até ela melhorar. Ele achava que, se ela não tivesse recebido atendimento rápido, poderia morrer em dez minutos.

Está procurando por emprego na área de enfermagem. Perguntei se o seu diploma era válido no Brasil. Ele me disse que sim. Duas amigas que estavam com ele, brasileiras, confirmaram que ele gostaria de voltar a atender como enfermeiro.

Me deu o telefone, se eu souber de algo. Se alguém da área da saúde souber de alguma vaga para enfermeiro, por favor, me avise.

O que eu fiz? Eu fiz o que eu poderia fazer (vivo dizendo: como filho que sou de imigrantes, de escravos e de índios): disse para ele: “que bom que tu estava aqui” (e por “aqui” entenda: neste vagão, neste trem, nesta cidade, neste país). E disse: “seja muito bem-vindo”.

Enquanto alguns chamam os imigrantes de escória, um imigrante acaba de salvar uma vida aqui no Trensurb.

Enquanto alguns acham que eles “trazem doença” (sim, já li isso), que são terroristas, que são treinados para a guerra; um deles fez mais pela humanidade em cinco minutos do que este tipo de crápula fará sua vida inteira.

Não tenho dúvida nenhuma de que lado eu estou. Vocês, de que lado estão?

Bem-vindo, Moussa. Que bom que tu está aqui.

(Atualizado: escrevi inicialmente que ele media a pressão com os dedos, o que foi corrigido por alguns comentários – valeu, gente! -, já que não dá para se fazer isso. Estava era vendo os batimentos cardíacos. Desculpem, engano meu, não dá para confiar num cineasta nem para diagnóstico de gripe) Por Ulisses Da Motta Costa

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