Lellêzinha diz pedir as bênçãos de Michael para encarnar Jackson Five com Dream Team do Passinho

É “rabiscando no passinho e quebrando de ladinho” que Hiltinho, Rafael Mike, Lellêzinha, Diogo Breguete e Pablinho subirão ao palco do Festival PepsiTwist Land, hoje, na Marina da Glória, para fazer um tributo ao Jackson 5, grupo liderado por Michael Jackson, ícone da música black, nas décadas de 60 e 70.

Foram três meses de dedicação total ao projeto, com aulas de canto, preparação vocal e estudo de coreografias, “sem Natal, Ano Novo, feriado, nada!”, ressalta Mike. O quinteto carioca selecionou 13 clássicos dos meninos de Indiana (Estados Unidos), com uma pitada de ousadia.

— Claro que a gente não ia deixar de colocar a nossa cara, vai ser uma homenagem do nosso jeitinho, um show que só favelado pode fazer, mais ninguém — garante Lellêzinha, a única menina da trupe, o Michael Jackson de lantejoulas e argolas.

Pela magnitude do Rei do Pop no cenário mundial, não é difícil imaginar o grau de ansiedade e realização pessoal da artista em interpretá-lo.

— A mulher está cada vez mais entendendo qual é o lugar dela, o que ela pode fazer… E ser o Michael, sendo mulher, é ser eu mesma! É uma responsa do caramba. Já orei várias vezes e falei, ‘Michael, se eu fizer alguma coisa errada, por favor, me perdoa!’. Mas vai dar tudo certo — aposta Lellêzinha.

Em comum com os brothers, o time de ouro do Passinho tem, além da raça e da origem humilde, o gingado e criatividade artística, sem contar o colorido. Mas diferentemente do astro, que passou por um processo radical de transformação visual ao longo da vida, eles são um exemplo de autoestima elevada.

— A gente é preto! Não vou ficar procurando palavras porque é isso… Passamos por discriminação, racismo… A gente já nasce pensando que não pode, que é menos do que o outro, que tem que alisar o cabelo para parecer com a beleza padrão. Eu me encontrei na arte, cortei meu cabelo e parei de alisar. Isso, pra mim, era como estar presa a outra pessoa. Eu não existia até os 14 anos — constata a vocalista. Hoje, ao lado de seus parceiros, ela dita moda.

Comparações não assustam o grupo. “A gente sabe que tem crítica para tudo, mas temos uma cabeça muito boa pra isso”, destaca Diogo Breguete, que mesmo trilhando o caminho do sucesso, sabe valorizar o seu lugar:

— Somos uma família! Mudou muita coisa, mas a gente ainda mora e tem orgulho de representar a favela!

Para os meninos do Passinho, segundo Mike, o céu é o limite com essa turnê.

— Queremos entrar para a história e girar o mundo com esse projeto.

Dream Team quer fazer história (Foto: Roberto Moreyra)

O assédio triplicou!

“As mulheres dão mais em cima de mim do que deles!”, diverte-se Lellêzinha, levando na boa. Mas a quem interessar possa, todos estão comprometidos, com exceção de Hiltinho. “Eu estou na pista!”.

— Já eu estou namorando há quatro meses — entrega Lellêzinha, sim citar o nome.

No geral, eles sabem lidar com a fama dos companheiros e ciúme não atrapalha. “O meu parceiro é bem tranquilo! Se dá bem com os meninos”, deixa claro a cantora e dançarina.

Breguete interrompe. Com ele, o buraco é mais embaixo.

— A minha não é tranquila, não! Tem que ter muito jogo de cintura, mas a gente se entende — dispara aos risos.

Brincadeiras à parte, apesar de empoderada e de saber se cuidar muito bem sozinha, Lellêzinha é, sim, protegida e mimada pelo grupo.

— Quando dá para tirar foto a gente tira, é claro! Mas quando começa a abusar demais, eu me retiro. Só que a gente sabe que tudo isso faz parte — diz a também atriz.

— Nós tomamos conta dela. Estamos de olho. Um cuida do outro — frisa Breguete.

Já Mike manda avisar que vem disco novo por aí, e música inédita após o carnaval.

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