Mãe perde o bebê e carrega filho morto no ventre há 13 dias

Grávida de gêmeos, a auxiliar de cozinha Angélica Chaves, 29 anos, teme por sua vida e do outro filho.

por Raul Pujol, do A Razão

Com oito meses de gestação de gêmeos (36 semanas), uma mãe vive o drama de ter perdido um dos bebês e ainda ter que carregar o filho morto em seu ventre desde o dia 6 de janeiro, data em que fez o ultrassom no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) e foi diagnosticada a morte do neném. Na ocasião, a auxiliar de cozinha Angélica de Oliveira Chaves, 29 anos, disse que foi orientada por profissionais do hospital a retornar para casa, no Bairro Passo das Tropas, em Santa Maria, e que não havia leitos disponíveis para internação na instituição.

“Uma residente que me atendeu naquele dia falou que precisaria fazer uma cesariana. Já o médico responsável me mandou embora e disse que não havia leitos”, conta a gestante, que já é mãe de uma menina de 7 anos.

Segundo Angélica, que realizou todo o acompanhamento da gestação no HUSM, até o dia 30 de dezembro, os exames apontavam que os gêmeos estavam bem, com um desenvolvimento normal.

No dia 10 de janeiro, Angélica retornou ao hospital com fortes dores e ficou internada por dois dias. Na sexta-feira, dia 15, novamente a auxiliar de cozinha teve que voltar para o HUSM.

“Estava com dores por todo o corpo. Realizaram a coleta da minha urina e me deram dipirona e antibiótico para infecção urinária. No sábado, dia 16, retornei novamente e falaram para voltar somente se eu tivesse contrações fortes, febre ou perdesse muito líquido”, explica inconformada.

Há 13 dias carregando o feto morto, que se chamaria Luane, a gestante teme pela saúde do outro filho, que terá o nome de Luiz Felipe, e da sua própria vida. “Meu sentimento é de medo, eu não tenho paz”, ressaltou, enquanto chorava, ainda se recuperando da dor do luto.

Com a criança morta há vários dias, um dos riscos é de a mãe contrair uma infecção em razão da decomposição do cadáver. Ontem, Angélica se deslocou até o HUSM para fazer o pré-natal e realizar exames para saber está com infecção.

Juiz quer

esclarecimentos

 Diante dos fatos, o advogado da gestante, Claudenir Clemente Migliorin, ingressou na justiça para tentar conseguir a cesariana na segunda-feira. O juiz da 2ª Vara Federal de Santa Maria, Jorge Luiz Ledur Brito, notificou ontem à tarde o HUSM para que preste esclarecimento dentro de 24 horas sobre o caso de Angélica de Oliveira Chaves. Confira um trecho de decisão:

“Notifique-se o(a) Sr(a) Chefe do Setor de Ginecologia e Obstetrícia do HUSM, para que, no prazo de 1 (um) dia, sem prejuízo da oportunidade de defesa técnica da UFSM, preste informações preliminares a respeito do quadro clínico apresentado pela gestante ANGÉLICA DE OLIVEIRA CHAVES, especialmente a respeito da indicação e dos riscos de ser levada a gravidez a termo e/ou da imediata realização de cirurgia cesariana no caso de morte de um dos fetos em se tratando de gravidez de gêmeos”.

De acordo a assessoria de imprensa do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), o prontuário da paciente está sendo avaliado.

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