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Mãe Stella de Oxóssi morre aos 93 anos na Bahia

Morreu na tarde desta quinta-feira (27) a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi. Ela estava internada desde a sexta-feira (14) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Incar (INCAR) de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo. Ela tinha 93 anos. A informação foi confirmada ao CORREIO pela assessoria da unidade de saúde. Mãe Stella faleceu por volta de 16h.

no Correio24h

Mãe Stella morreu nesta quinta-feira aos 93 anos. — Foto- Alan Tiago Alves:G1

Ainda de acordo com o INCAR, o atestado de óbito com as causas da morte está sendo preenchido pela equipe médica responsável pelos cuidados ds ialorixá, que estava internada desde o dia 14 de dezembro.

A companheira dela, a psicóloga Graziela Domini Peixoto, disse à reportagem que Mãe Stella havia sido internada após apresentar um quadro de infecção. Um dia após dar entrada no hospital, ela chegou a sair da UTI, mas retornou após piora no quadro de saúde.

Mãe Stella era ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador, desde 1976.

“Elá já brincou comigo. A mesma Mãe Stella de sempre, brincalhona; pediu café, rezou pelas meninas que fizeram café para ela. Ela é supreendente. O organismo dela também”, disse Graziela, na época.

No ano passado, a  ialorixá recebeu o CORREIO em casa, na cidade de Nazaré, no Reconcâvo Baiano, para uma entrevista exclusiva.

Familiares e amigos de Mãe Stela já aguardam no hospital. Ainda não há informações sobre sepultamento e enterro da ialorixá.

De enfermeira a zeladora do axé
Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayodé, foi a quinta ialorixá a comandar o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá fundado em 1910 por Eugênia Anna dos Santos, Mãe Aninha. Ela nasceu Maria Stella de Azevedo Santos, em 02 de maio de 1925. Enfermeira de formação e também escritora, publicou seu primeiro livro em 1988. Chamado E daí Aconteceu o Encanto, o livro foi escrito em parceria com Cléo Martins e traz histórias sobre as origens do Opô Afonjá e das primeiras ialorixás que comandaram a casa.

Mãe Stella também é autora dos volumes Meu tempo é agora (1993); Òsósi – O caçador de alegrias (2006) que traz ìtans (narrativas míticas) de Oxóssi, sei orixá regente; Òwe-Provérbios (2007), uma coletânea de ditos em Iorubá e brasileiros acompanhados das interpretações da escritora; o infantil  Epé laiyé – terra viva(2009), que narra a história de uma árvore que ganha pernas; e Opinião(2012), reunião de crônicas selecionadas entre as que a ialorixá publicou na imprensa baiana.

Repercussão
O prefeito ACM Neto lamentou a morte de Mãe Stella e disse que vai organizar uma homenagem que “eternize o nome e obra” da ialorixá em Salvador.

“Lamento profundamente o falecimento de Mãe Stella. Sem dúvida alguma, um dos maiores nomes da fé e da religiosidade da Bahia. Eu tive uma particular relação com ela, aprendi com ela, foi uma pessoa que nos encantou sempre com sua sabedoria, com seu brilho, seu conhecimento, com a sua cultura. Mãe Stella deixa, portanto, uma marca nos corações dos baianos”, lamentou Neto.

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Leo Prates (DEM), também lamentou a morte da ialorixá: “O Brasil perdeu uma referência da religião de matriz africana. A sabedoria de Mãe Stella de Oxóssi, com suas ponderações e uma infinita tolerância religiosa é um legado que fica para todas as gerações diante da tristeza pelo desenlace da vida”, lamentou Leo Prates.

Pelo Facebook, o governador Rui Costa também manifestou condolências à família de Mãe Stella, a quem se referiu como ” as maiores personalidades da história da Bahia”.

“Fato que deixa todos nós imensamente entristecidos. Referência de respeito e sabedoria, a yalorixá sempre nos orgulhou pela atuação firme contra a intolerância religiosa e o racismo. À frente do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, manteve as portas abertas para aqueles que buscaram orientação espiritual e intelectual”, destacou o governador.

E lembrou: “Mulher forte e de resistência, Mãe Stella também deixou sua marca como escritora. Se tornou a primeira sacerdotisa da religião de matriz africana a ocupar uma cadeira na Academia de Letras da Bahia. Que seus ensinamentos e a paz que tanto pregou continuem sempre conosco. Sem nenhuma dúvida, vai fazer muita falta à Bahia. “.

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