Marcha denuncia mortes e racismo na periferia de São Paulo

 

A caminhada, realizada pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, Pobre e Periférica, denunciou o caráter racista e higienista da violência praticada nas periferias da região metropolitana de São Paulo. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, 1.539 pessoas foram mortas de junho a outubro deste ano. Na capital paulista, ocorreram 144 assassinatos em setembro, o que sugere um aumento de 96% em comparação com o mesmo período de 2011.

Por: André Cristi

São Paulo – Em resposta à política de segurança pública do governo estadual de São Paulo e por ocasião do Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, cerca de mil pessoas caminharam até a Assembleia Legislativa de São Paulo nesta segunda-feira, 10, o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A caminhada, realizada pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, Pobre e Periférica, denunciou o caráter racista e higienista da violência praticada nas periferias da região metropolitana de São Paulo. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, 1.539 pessoas foram mortas de junho a outubro deste ano. Na capital paulista, ocorreram 144 assassinatos em setembro, o que sugere um aumento de 96% em comparação com o mesmo período de 2011.

Segundo Joselício Júnior, o Juninho, da coordenação nacional do Círculo Palmarino, o problema da violência não será resolvido com mais presença policial. “A violência não será resolvida com mais violência, o Estado deveria usar serviços como o de inteligência para combater o tráfico de drogas na periferia. Hoje há um cenário de genocídio da juventude negra e a grande responsabilidade é do governador, com sua política de saturação e criminalização da pobreza”, afirmou Juninho, criticando operações policiais como a Saturação que, conforme informou a Polícia Militar, abordou 1071 pessoas no dia primeiro de novembro nos bairros de Campo Limpo e Capão Redondo, sendo que só 9 delas, ou seja, menos de 1%, foram presas.

Juninho também destacou a importância do Comitê Contra o Genocídio que, conforme disse, “está conseguindo estabelecer um diálogo com a sociedade em virtude da agenda de resistência que construiu”. O Comitê foi responsável pela ocupação da secretaria de Justiça de São Paulo e participou da Marcha da Consciência Negra, ambos em novembro.

Douglas Belchior, membro da Uneafro, disse “nosso Comitê reúne dezenas de organizações. Em picos de recrudescimento da violência contra o povo negro, que é histórica, a sociedade organizada têm um pico de sensibilidade e resistência”. Os mapas da violência publicados pela Unesco e pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) atestam que o número de jovens negros assassinados é duas vezes maior do que o dos jovens brancos em 2011 e, em 2010, 258% maior.

Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos
O Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos deu destaque às pessoas e organizações que lutam contra a violência cometida pelo Estado em São Paulo. Entre eles estavam a defensora pública Daniela Skromov, os jornalistas André Caramante (fora do país em razão das ameaças que recebeu por reportar a violência cometida pelas Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) e Leonardo Sakamoto, a Educafro e o rapper Mano Brown, objeto de muita ovação pelo público presente à Assembleia Legislativa, que inclusive reproduziu o clipe de ‘Mil Faces de um Homem Leal’, música do grupo Racionais MC’s sobre o guerrilheiro urbano Carlos Marighella.

Ao receber o prêmio, Mano Brown defendeu o impeachment do governador Geraldo Alckmin que, segundo ele, “já entrou para a história como o governador das chacinas”. Ainda, o rapper ironicamente afirmou que o genocídio que se desenvolve na periferia de São Paulo é produto de uma guerra de quadrilhas: “uma com permissão do governador, a outra desarmada e de costas, no beco”.

 

 

Fonte: Carta Maior

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