“Mercedes” retrata o valor da primeira bailarina negra do Theatro Municipal !

A estética negra como poética cênica do Grupo EMÚ com integradas como base para a formação dessa homenagem à precursora da dança afro-brasileira no mundo, agregando à apresentação manifestações artísticas como teatro, dança e música.

No  Dez Minutos de Arte

Mercedes Ignácia da Silva Krieger, bailarina, de formação erudita, uma das maiores representantes da cultura afro-brasileira no mundo, primeira bailarina negra do Theatro Municipal, precursora da dança moderna brasileira e principal responsável pela disseminação das alas coreografadas do Carnaval carioca, será homenageada em espetáculo teatral, intitulado por “Mercedes”, uma viagem pela vida da artista que só tem a contribuir para o resgate e preservação da cultura negra brasileira. A montagem, inédita, estreou no dia 6 de maio, na Arena do Espaço Sesc, em Copacabana, e fica somente até o dia 29 desse mês.

mercedes_credito_Daniel-Barboza-Cópia-950x631

“Mercedes” traz aos palcos uma linguagem cênica peculiar à estética negra como resultado da pesquisa dos movimentos coreográficos criados pela bailarina, utilizados como signo corporal-interpretativo. O espetáculo utiliza-se de Artes Integradas para denotar ao público variadas manifestações artísticas presentes na cultura popular brasileira, tais como o teatro, a dança, a música, expressões populares e elementos do patrimônio cultural brasileiro.  A montagem também marca a apresentação de um grupo formado por artistas interessados em investigar e aprofundar uma ótica negra no cenário artístico contemporâneo.

A artista foi responsável pela inserção da disciplina Danças Afro-Brasileiras ao componente curricular da escola de danças do Theatro Municipal, a Escola de Danças Maria Olenewa, além de ter suas criações coreográficas até hoje identificadas como repertório gestual de dança afro no Brasil, sendo considerada a criadora da dança moderna brasileira a partir de uma estética negra.

O universo da ficção submete um retorno às expressões afro-brasileiras, através da apresentação de uma narrativa em torno da construção da identidade negra na dança brasileira, relatada por fatos reais e fictícios da vida de Mercedes. A peça mergulha na história dessa personalidade, que atingiu lugar de prestígio no Brasil e no Mundo, a partir de uma visão poético-corporal das danças de matriz negra e folclóricas do Brasil.

A música terá papel essencial na obra, tornando-se ora personagem dentro da encenação, ora evidenciando os sentimentos surgidos e traduzidos pelos corpos dos intérpretes. A conexão entre corpo e música é tida como motor para evolução das personagens na trama, sendo seu condutor primordial, o elo responsável pela evolução e dinâmica de encenação. Também será a música o símbolo poético de representação da ligação entre a formação clássica e os conhecimentos das danças de matriz africana. Propõe-se uma junção entre os ritmos dos tambores afro-brasileiros e o violoncelo.

Durante o processo de construção da peça, os profissionais envolvidos tiveram aulas de canto, capoeira, dança afro, balé, dança moderna e de pesquisa musical. Na temporada, também serão oferecidas oficinas gratuitas de dança afro, com o professor Fábio Baptista, com o intuito de transmitir para os alunos uma vivência com a Dança Afro Brasileira a partir da técnica formatada por Mercedes Baptista, obtendo bases para entrada da Dança Contemporânea no processo de criação coreográfico.

No espetáculo, nomes de diferentes gerações fazem-se presentes dando credibilidade à obra. Compõem o elenco artistas como Iléa Ferraz e Sol Miranda, Ariane Hime e Reynaldo Machado. Além deles, estão presentes, na liderança artística, profissionais como Fabiano de Freitas (Dadado), integrante do núcleo de Rádiodramaturgia da EBC e coordenador do Tempo Festival; e Sérgio Pererê, um dos mais versáteis nomes da música popular brasileira, na direção musical.

O projeto tem patrocínio da Funarte.

Serviço – Espetáculo Mercedes

Datas: até 29 de maio (!!!)

Horário: Quinta a Sábado às 20h30, Domingo às 19h

Local: Arena do Espaço Sesc

Ingressos: R$ 5 (associado do Sesc), R$ 10 (meia), R$ 20 (inteira)

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Informações: (21) 2547-0156

Bilheteria: aberta de  terça a domingo, das 15h às 21h.

Classificação indicativa: 12 anos.

Duração: 1h30/Lotação: 250 lugares/Gênero: Drama Musicado

 

Leia Também: 

Bailarina carioca é primeira solista de balé em Nova York: ‘Me senti acolhida’

As bailarinas negras e o ballet clássico

+ sobre o tema

Arqueólogos encontram ossada humana em engenho do século 16, no Grande Recife

Engenho Jaguaribe, em Abreu e Lima, foi um dos...

A História africana pode resgatar a autoestima dos afrodescendentes

Em psicologia, autoestima é definida como a característica de...

: Lázaro Ramos entrevista Carlos Moore – programa ESPELHO

  Programa ESPELHO Canal Brasil AQUI para ver o canal em sua...

“O que é empoderamento”?

“O que é empoderamento”? escrito pelaArquiteta e Urbanista Joice...

para lembrar

Blogs e fanpages que mostram que valorizam a negritude

Blogs e fanpages que mostram que valorizam a negritude. De...

Confira as atrações da agenda cultural de RO para o fim de semana

Este fim de semana começa com muitas atrações, em...

Machado de Assis chega aos 180 anos, e jovens o descobrem negro e do morro

A aula acontece nas ladeiras do Morro do Livramento ,...

Dissidentes cubanos libertados embarcam para a Espanha

Sete presos políticos partiram de Havana com suas famílias;...
spot_imgspot_img

Violência contra territórios negros é tema de seminário com movimentos sociais em Salvador

Diante da escalada de violência que atinge comunidades negras e empobrecidas da capital e no interior da Bahia, movimentos sociais, entidades e territórios populares...

Flávia Souza, titular do Fórum de Mulheres do Hip Hop, estreia na direção de espetáculo infantil antirracista 

Após mais de vinte anos de carreira, com diversos prêmios e monções no teatro, dança e música, a multiartista e ativista cultural, Flávia Souza estreia na...

Segundo documentário sobre Luiz Melodia disseca com precisão o coração indomado, rebelde e livre do artista

Resenha de documentário musical da 16ª edição do festival In-Edit Brasil Título: Luiz Melodia – No coração do Brasil Direção: Alessandra Dorgan Roteiro: Alessandra Dorgan, Patricia Palumbo e Joaquim Castro (com colaboração de Raul Perez) a partir...
-+=