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‘Meu Professor Abusador’: ‘Página no Facebook recebe 600 relatos de assédio em três dias

Os assédios começaram cedo e na escola. Ainda no ensino fundamental, elas se lembram dos olhares constrangedores e comentários abusivos de professores. Na época, elas não entendiam que esse comportamento se configurava como assédio, mas já sentiam um grande desconforto. Foi lembrando dessas situações que três amigas universitárias de Porto Alegre criaram uma página no Facebook para que os alunos possam denunciar o assédio sexual e moral de professores.

no HUFFPOST BRASIL

A página Meu Professor Abusador recebeu em três dias mais de 600 relatos, a maioria de meninas, denunciando situações abusivas que passaram em sala de aula. Muitas das histórias aconteceram quando elas estavam no ensino fundamental ou médio – ou seja, ainda menores de idade. As denúncias são de assédio em escolas públicas e particulares.

“Meu professor de Biologia do ensino médio postou o seguinte comentário em uma foto minha do Facebook: ‘Gostosa, pena que é minha aluna’”, diz um dos relatos. Há casos de professores que teriam tocado partes íntimas das alunas e até proposto sexo em troca de notas.

#196 “Oi, como estão ? tenho 17 anos, estudo em uma escola estadual em Campos dos Goytacazes. Há alguns tempos atrás, final do ano eu fiquei com péssimas notas em História, porque eu usava muita droga e não conseguia me concentrar. Então esse professor começou a me jogar contra a parede, dizendo que se eu tivesse relações com ele, ele iria me passar e assim foi, ele assediava todas as meninas, mas elas não comentavam nada a ninguém. No dia que toquei nesse assunto na Diretoria foi uma grande polêmica, disseram que teria que provar, o nome dele é Carlos Eduardo! mas na verdade eles não queriam problemas pra escola, daí deixei pra lá, sem ajuda nenhuma … Conversei com a direção sobre drogas e eles colocaram 1 dia de reunião por semana com um psicólogo, doutor. Um daqueles bem sucedidos, de terno, casado e tals. Comecei a desabafar meus problemas que me matavam e etc. Esse doutor falava mais de sexo do que o assunto apropriado, e passava as mãos em minhas pernas, me perguntando sobre minhas relações sexuais, não me lembro bem o nome dele, só a face. Só me lembro que ele invadia minha privacidade. Daí em diante ia piorando a situação, até que um dia comuniquei aos diretores e eles simplesmente mandaram eu desistir e continuaram empregando esses dois caras! Eu não tomar nenhum tipo de providência sem provas e precisava de alguém pra provar comigo, só que ninguém teve a coragem. Continuo estudando na mesma escola, com os mesmos assédios de quem está ali para educar!”

‪#‎MeuProfessorAbusador‬

Todos eles são feitos de forma anônima e as criadoras da página pedem para que as meninas não divulguem o nome dos professores, apenas informações que permitam que as escolas e instituições possam identificá-los e apurar as denúncias.

Mesmo sem terem se identificado, as criadoras da página dizem que já estão recebendo ameaças e ataques. A não identificação dos professores é uma precaução para evitar processos jurídicos e ataques a elas e às alunas que fazem as denúncias.

“Por enquanto estamos divulgando os relatos para levar o debate a um maior número de pessoas e para que as meninas saibam que não estão sozinhas ao enfrentar esse tipo de situação”, disseram as mulheres. Elas também pretendem ter a colaboração de uma advogada para auxiliar as meninas que queiram denunciar formalmente os professores abusadores.

Além disso, pretendem elaborar um guia com orientações para as vítimas. “O principal é que a menina não se isole, que procure alguém de confiança e denuncie a situação para órgãos competentes, que não se cale.”

Pós-graduação

A Associação de Pós-Graduandos da Universidade Estadual de São Paulo (USP) lançou também no ano passado uma plataforma para que os alunos denunciem situações de assédio moral e sexual sofridos na universidade.

“É inadmissível e inaceitável a naturalização que ocorre tanto com os assédios morais, constantes e sistemáticos, como com o assédio sexual, muitas vezes silenciado e abafado dentro dos espaços institucionais da USP”, disse a associação. A ideia é futuramente traçar um “mapa do assédio” na universidade.

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