sexta-feira, maio 27, 2022
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Moçambique: É preciso capacitar jornalistas para não andarem “atrelados” a instituições

Sindicato Nacional de Jornalistas de Moçambique alerta que alguns profissionais continuam a ser perseguidos. Apesar de avanços na liberdade de imprensa, repórteres querem ferramentas para serem mais independentes.

Os jornalistas moçambicanos continuam a enfrentar intimidações, ameaças de morte e até correm o risco de rapto no exercício da profissão, alerta Eduardo Constantino, secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), no Dia do Jornalista Moçambicano, celebrado a 11 de abril.

“Não tenhamos medo. Temos de continuar a realizar o nosso trabalho, esse é o nosso desafio. E quando somos impedidos de realizar o nosso trabalho, temos de prontamente denunciar e queixar-nos à Procuradoria-Geral da República”, diz Eduardo Constantino.

O secretário-geral do SNJ lembra que as intimidações são uma violação “grave à liberdade de imprensa e de expressão”, por isso é peremptório ao afirmar que é preciso continuar a denunciar os casos. “Temos que seguir aquilo que a lei prevê”, frisa.

“O jornalista não pode parar o seu trabalho, porque alguém acha que está no direito de dificultar o seu trabalho, por achar que a informação que o jornalista está a pedir é segredo de Estado ou de Justiça. Por isso é que há entidades que, de acordo com a lei, devem decidir.”

Falta de liberdade de imprensa já não é notícia

Os impedimentos aos profissionais da comunicação social não são notícia em Moçambique, comenta Egídio Plácido, editor do semanário Zambezi.

“Há situações que não chegam ao público. Às vezes, temos em nossa posse informações sensíveis e sofremos várias perseguições, de tal forma que, em algum momento, por alguma fragilidade, alguns jornalistas acabam por abandonar certos pontos”, avisa.

Apesar de tudo, Egídio Plácido assinala que houve avanços no exercício do jornalismo em Moçambique, com a revelação de escândalos de corrupção que foram parar aos tribunais.

“Alguns escândalos que levaram à prisão de alguns dirigentes do Estado, que tiveram que ir responder na barra do tribunal, resultaram de investigações jornalísticas. Posso dar o exemplo do antigo ministro da Justiça e Assuntos Constitucionais e Religiosos, Abduremane Lino de Almeida, o caso ‘Aeroportos de Moçambique’… No geral, foi por causa da denúncia de jornalistas.”

“Há alguma coisa que está a ser feita, mas há muitíssima coisa ainda por fazer”, conclui o profissional.

Capacitar os jornalistas

O jornalista Osvaldo Gemo, da Sociedade do Notícias, acrescenta que há um aperto por parte das lideranças militares relativamente à cobertura sobre os ataques armados em Cabo Delgado, o que contribui para travar a liberdade de imprensa.

A solução, de acordo com Osvaldo Gemo, passa por capacitar os órgãos de comunicação social e dar ferramentas aos jornalistas.

“Temos é que nos capacitar como órgãos de informação no sentido de sermos capazes também de irmos ao teatro de operação e ir buscar informação de forma isenta e não atrelados a seja qual for a instituição”, sublinha.

A Organização de Jornalistas Moçambicanos, que em 1996 se transformou no Sindicato Nacional de Jornalistas, foi criada há 44 anos.

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