Moradores do Quilombo Rio do Macaco sofrem ameaça de despejo

Lideranças e entidades do movimento negro da Bahia denunciam graves violações de direitos humanos pela Marinha do Brasil. Moradores do Quilombo do Rio Macaco, ameaçados de despejo, pedem socorro.

Contra isso, realizaram um ato no teatro Vila Velha, em Salvador, na última segunda-feira (6). Cerca de 300 pessoas compareceram, entre moradores da comunidade e diversos movimentos sociais que apóiam a luta dos quilombolas.

Instalados há mais de 200 anos em Simões Filho, a 20 quilômetros da capital baiana, a comunidade denunciou que vem sofrendo sucessivos ataques da Marinha, que mantém no local a base militar de Aratu.

Os moradores são obrigados a entrar e sair da comunidade pela portaria da Marinha, e ficam sujeitos a verificação por meio de fotografias. Há relatos de moradores que são impedidos de entrar e têm de buscar abrigo em casa de amigos.Foram denunciadas invasões de domicílios, roubo, demolição de casas e de plantações da comunidade.

Rosimeire dos Santos Silva, uma das lideranças, diz que os quilombolas são “tratados como animais”. Ela afirma que para eles “a escravidão não acabou” e “vão continuar a luta até o fim”. Diante do fato da remoção estar marcada para início de março, Rosimeire afirma que os quilombolas só sairão do território se for “em caixões”.

Segundo os advogados da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), a situação poderia ser resolvida de maneira simples, já que a terra é da União e o quilombo já é reconhecido pela Fundação Palmares. Porém, há suspeitas de que a existência de minas de água na região motivaria o interesse pela área para a criação de um pólo industrial.

Sobre o assunto, o governador da Bahia, Jaques Wagner, apenas ofereceu um crédito fundiário para compra de um outro terreno, que seria pago pela própria comunidade. A proposta foi negada pelos quilombolas, que reivindicam seu território tradicional.

 

 

Fonte: Agência Pulsar

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