Morre, aos 95 anos, Dona Neném, baluarte da Portela

Enviado por / FonteO Globo

Morreu, na madrugada desta segunda-feira, aos 95 anos, Yolanda de Almeida Andrade, a dona Neném, viúva do compositor Manacéa e baluarte da Portela. Segundo familiares, a sambista estava com uma infecção urinária e faleceu em casa. Dona Neném era uma das integrantes mais antigas e admiradas da azul e branco de Madureira e Oswaldo Cruz. A família não informou horário e local do sepultamento.

No último mês de janeiro, dona Neném recebeu uma homenagem do Departamento Cultural da Portela durante a celebração do aniversário de um ano da lei municipal que criou o Perímetro Cultural de Oswaldo Cruz. Na ocasião, sua casa foi a última parada da comitiva que percorrera endereços importantes para a memória afetiva da Portela.

— Dona Neném era a maior referência viva feminina da Portela. Mesmo nem sempre fisicamente presente, tínhamos a certeza de sabermos que ela estava sempre ali, no alto daquela casa, olhando por todos nós e por nossa história. Por nós que sempre precisamos tanto dela — lamenta o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães.

Dona Neném durante a festa na quadra da Portela Foto: retirada do site O Globo 

Casou-se com Manacéa em 1951, com quem teve três filhos. A partir de 1970, viu o quintal de sua casa, na Rua Dutra e Melo (atual Compositor Manacéa) transformar-se em ponto de encontro de bambas da escola para ensaios, rodas de samba e gravações. A sambista esteve na quadra da Portela pela última vez em agosto do ano passado, quando participou da homenagem aos biógrafos da Velha Guarda Show.

Ela era muito admirada pelos dotes culinários e pela personalidade acolhedora. Sempre disposta a contribuir com depoimentos para livros e documentários sobre samba e carnaval, foi homenageada com um capítulo no livro “Batuque na Cozinha”, de Alexandre Medeiros, e no filme “O Mistério do Samba”, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor. Teve importante participação, também, como quituteira no início da Feira das Yabás, após ser convidada por Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Em dezembro, foi agraciada com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio, por iniciativa do vereador Tarcísio Motta (Psol).

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